CULTURA

Festival Quebradas ocupa Planaltina com foco no hip-hop feminino

Planaltina recebe a terceira edição do Festival Quebradas, com entrada gratuita, o evento celebra a cultura urbana por meio de rap, breaking, grafite e literatura

A terceira edição do Festival Quebradas vai ocupar o centro de Planaltina neste próximo sábado (30/5) trazendo arte, literatura e hip-hop. Com a entrada gratuita e a programação voltada para o protagonismo feminino, o evento vai acontecer no Half, Jardim Roriz, das 15h ás 21h, reunindo rap, breaking, literatura, grafite e debates sociais em uma celebração da potência artística das quebradas do Distrito Federal.

A proposta utiliza os quatro elementos do hip-hop, que são MC, DJ, breaking e o grafite, como ferramentas para discutir temas como feminicídio, saúde pública nas periferias e o fortalecimento das mulheres dentro da cultura urbana.

Cultura com formação desde a infância

O evento abre ao som da DJ Nilma, às 15h com o  “Espaço Cria”, dedicado às crianças. O objetivo é aproximar as novas gerações da arte periférica por meio de atividades lúdicas e educativas.

Entre as ações previstas, a oficina de grafite com Negonica, busca levar a arte urbana papara o universo infantil, e a oficina de escrita criativa comandada por Njow, incentivando a construção de narrativas e rimas desde cedo. O espaço ainda contará com distribuição de pipoca e algodão doce.

Todas essas iniciativas reforçam a ideia de continuidade da cultura hip-hop nas periferias, promovendo acesso artístico e formação cultural para crianças e adolescentes.

Literatura e debate social ocupam o festival

Ás 17h, o festival abre espaço para o lançamento do livro “Hip-Hop pelo fim do feminicídio” e da revista “Saúde nas Quebradas”.O debate reúne artistas, pesquisadoras e representantes da cultura periférica, incluindo Vera Eunice de Jesus, filha da escritora Carolina Maria de Jesus, Lunna Rabetti, Vera Veronika e Osvaldo Bonetti, da Fiocruz Brasília.

Segundo Rebeca Carmo, coordenadora do projeto, o encontro reforça a importância da arte como ferramenta de sobrevivência e transformação social nas periferias: “O diálogo entre a arte e a sobrevivência é o que mantém a periferia viva. Trazer nomes como Vera Eunice de Jesus, Lunna Rabetti e Vera Veronika para este debate é honrar nossa ancestralidade e projetar um futuro mais seguro para as nossas”, afirma.

Já Ravena Carmo, uma das idealizadoras da iniciativa, destaca o caráter político do livro lançado durante o evento: “Mais do que uma obra, este livro é um manifesto. Que ele provoque incômodo, que faça as pessoas olharem com atenção para o que estamos dizendo e que ecoe como um grito coletivo: nenhuma a menos”, declara.

Mulheres dominam o palco 

A partir das 18h, a programação musical toma conta do festival com apresentações que valorizam artistas femininas e grupos da cena urbana local. Aline MC abre os shows levando ao palco letras marcadas por críticas sociais e vivências periféricas. Na sequência, a Batalha das Gurias transforma o festival em arena de improviso, destacando mulheres na cena das batalhas de rima.

O breaking também marca presença com o grupo BSB Girls, que leva performances de dança urbana em uma apresentação voltada à ocupação feminina nos espaços historicamente masculinos da cultura hip-hop. 

O festival também conta com o show de Sharylaine, considerada uma das pioneiras do rap brasileiro e referência histórica para gerações de artistas mulheres no país. Encerrando a programação, o grupo Subconsciente sobe ao palco às 20h40 em uma apresentação que simboliza união e fortalecimento coletivo dentro da cultura periférica.  

hip-hop como ferramenta de transformação

Ao unir arte, literatura, infância e debate social, o Festival Quebradas reforça o papel do do movimento hip-hop como instrumento de formação política e pertencimento nas periferias do Distrito Federal.

Em um cenário marcado pelo crescimento dos casos de violência contra mulheres e pela desigualdade no acesso à cultura, o evento aposta na arte urbana como espaço de acolhimento, denúncia e construção de novas narrativas. Além de movimentar a cena cultural de Planaltina, o festival também amplia a visibilidade de artistas mulheres e fortalece redes independentes da cultura periférica.

Programação

15h — Abertura com DJ Nilma
15h — Espaço Cria
• Oficina de Grafite com Negonica
• Oficina de Escrita Criativa com Njow
• Pipoca e algodão doce

17h — Lançamento do livro “Hip-Hop pelo fim do feminicídio” e da revista “Saúde nas Quebradas”

18h — Show com Aline MC
18h30 — Batalha das Gurias
19h40 — BSB Girls (Breaking)
19h50 — Show com Sharylaine
20h40 — Encerramento com Subconsciente

Serviço

Festival Quebradas: Arte, Literatura e Hip-Hop
Data: 30 de maio de 2026
Horário: 15h às 21h
Local: Half — Jardim Roriz, Planaltina (DF)
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre para todos os públicos

*Estagiária sob supervisão de Paulo Floro.

 

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