
Em junho, é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue. Mais do que uma data comemorativa, a ocasião dá luz ao gestos silenciosos de solidariedade que alcança vidas e alimenta esperanças. Cada bolsa de sangue doada pode salvar até quatro pessoas e se transforma em um elo invisível entre quem doa e quem luta pela recuperação. No Distrito Federal, a data faz parte da campanha Junho Vermelho, que busca conscientizar a população sobre a necessidade de manter as doações de sangue durante todo o ano e fortalecer os estoques da rede pública de saúde.
Entre os doadores que contribuem para o tratamento de milhares de pessoas está Alcindor Teodoro de Rezende Neto, enfermeiro, 42 anos. A sua primeira doação foi feita em 2003, com um grupo de amigos logo após ingressar na universidade. Na época, ele contou que participou de uma mobilização organizada pelos veteranos da faculdade, em uma espécie de trote solidário. O que começou como uma experiência entre colegas se tornou um compromisso permanente de duas décadas.
Desde então, Alcindor mantém a rotina de doação e hoje realiza, em média, duas doações por ano. "Não existe substituto para o sangue. A medicina tem diversos recursos para auxiliar pacientes, mas chega um momento em que somente uma transfusão pode salvar uma vida. Para muitas pessoas que dependem de transfusões frequentes, o sangue representa qualidade de vida e sobrevivência”, ressaltou.
Quando morava em Belo Horizonte (MG), a filha precisou receber transfusões de sangue durante um período de internação, e a experiência, segundo ele, reforçou ainda mais sua convicção sobre a necessidade de manter os estoques abastecidos. "Quando alguém próximo precisa de sangue, você entende ainda mais a importância de ser doador", afirmou.
Outro exemplo é o consultor de tecnologia Tiago Alves, 39. Ele esperou completar 18 anos para realizar a primeira doação e nunca mais parou. Desde então, mantém uma rotina regular e costuma doar entre três e quatro vezes por ano. “Eu sempre quis ajudar as pessoas. Quando completei a maioridade, fui doar pela primeira vez e percebi que era algo simples, seguro e que poderia fazer diferença na vida de alguém", declarou.
Tiago Alves ainda enfatizou que a oportunidade de contribuir para que uma pessoa seja curada é o que move seu coração. "O sangue é reposto pelo próprio organismo, mas para quem precisa de uma transfusão pode representar uma nova chance de vida”, destacou.
Dados
Segundo a Fundação Hemocentro de Brasília, a maior demanda atual é por todos os tipos sanguíneos negativos — O-, A-, B- e AB-. Os demais grupos estão em situação considerada regular, mas a instituição reforçou que o sangue é um produto perecível e necessita de reposição constante.
De acordo com o Hemocentro, entre 2 de janeiro e 8 de junho deste ano foram registradas 24.130 doações de sangue no Distrito Federal. Em todo o ano de 2025, foram contabilizadas 54.640 doações. A meta diária da fundação é alcançar cerca de 180 doações por dia para garantir o abastecimento da rede hospitalar.
Dentro da programação do Junho Vermelho, a Fundação Hemocentro de Brasília realizou, no início do mês, uma coleta externa de sangue no Palácio do Buriti, por meio da campanha GDF Sangue Bom. A ação, realizada em parceria com o Governo do Distrito Federal, reuniu servidores públicos, garis e moradores interessados em contribuir com os estoques da rede pública.
O presidente da Fundação Hemocentro de Brasília, Osney Okumoto, destacou que a mobilização ganha ainda mais importância neste período do ano, quando a chegada do frio e as férias escolares costumam reduzir o número de doadores. “Estamos entrando em uma época em que aumentam as doenças respiratórias e muitas pessoas deixam de doar. Por isso, convidamos a população a doar antes das viagens e ajudar a garantir o atendimento dos pacientes nos hospitais”, afirmou.
Durante a ação no Palácio do Buriti, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, ressaltou que a proposta é transformar campanhas sociais em ações permanentes ao longo do ano. Ela também destacou a participação do esposo, o primeiro-cavalheiro, Fabrício Faleiro, nas iniciativas sociais do governo, incluindo a mobilização pela doação de sangue.
Fabrício Faleiro afirmou que a doação de sangue faz parte da rotina da família e reforçou o convite para que mais pessoas participem das campanhas. “Sempre foi uma tradição para nós doar sangue. Poder incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo é muito gratificante, porque sabemos que esse gesto simples pode salvar vidas”, disse.
A consciência sobre a importância da doação também chegou à servidora do SLU Ana Paula Paranhos, 53. Há quase dois anos, incentivada por colegas de trabalho, ela decidiu doar sangue pela primeira vez e transformou a experiência em um compromisso permanente. “Quando fiz minha primeira doação, senti uma satisfação enorme. Saber que um gesto tão simples pode ajudar alguém que está lutando pela vida é algo muito gratificante. Hoje entendo a importância dessa atitude e pretendo continuar doando sempre que puder”, relatou.
Há cerca de seis anos, o gari Júlio César dos Santos, 42, também adotou a prática da doação regular. Ele contou que começou a participar das campanhas promovidas pela empresa onde trabalha e, desde então, procura contribuir todos os anos, chegando a doar mais de uma vez em alguns períodos. “Doar sangue é uma forma de ajudar quem está passando por um momento difícil. Saber que você pode contribuir para salvar uma vida traz uma sensação muito boa. É um gesto simples, mas que faz uma diferença enorme para quem está precisando”, afirmou.

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