Economia

Copa do Mundo é o novo Natal para o comércio do Distrito Federal

Fecomércio e Sindivarejista estimam aumento nas vendas de até 12%. Comerciantes e consumidores estão otimistas com artigos relacionados ao Mundial, mas economista alerta também para a alta de preços durante os jogos

Rita de Cássia e o filho Marquinho personalizaram a camisa para entrar com o pé direito na estreia da Seleção -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
Rita de Cássia e o filho Marquinho personalizaram a camisa para entrar com o pé direito na estreia da Seleção - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Por Manuela Sá

À espera da estreia da Seleção brasileira na Copa, o comércio vê o movimento aumentar em diversos segmentos. Segundo levantamento do Instituto Fecomércio, 85% dos lojistas do DF estão otimistas para as vendas durante o Mundial. Em medida que varia de 1 a 5, a pesquisa aponta um potencial maior na comercialização de bebidas (4,93), eletrônicos (4,92) e carnes para churrasco (4,87). Artigos esportivos, um dos grandes atrativos para os consumidores, atingiu a marca de 4,66, ocupando o quarto lugar do ranking.

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Para José Aparecido Freire, presidente do Sistema Fecomércio, o impacto será positivo. "Além de movimentar a economia, a Copa é um momento de celebração coletiva que proporciona às empresas oportunidade de ampliar vendas e fortalecer os negócios", afirmou. 

O Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista/DF) também estima um crescimento em comparação à Copa passada. Segundo o sindicato, as vendas de produtos relacionados ao evento deverão crescer pelo menos 8,4% contra 6,2% do Mundial de 2022. Sebastião Abritta, presidente do órgão, acredita que as vendas poderão aumentar ainda mais se a Seleção avançar no campeonato. "Se o nosso time disputar a final da Copa no dia 19 de julho, o percentual de aumento nas vendas de televisores e outros produtos poderá ultrapassar os 12%, porque o futebol contagia e impulsiona consumidores", ressaltou. 

O professor e mestre em economia pela Universidade de Brasília (UnB), Riezo Silva, destaca o aumento da arrecadação. "Os impactos econômicos são sentidos pelo comércio e serviços no DF, trazendo arrecadação maior para o GDF. O saldo geral costuma ser positivo para o PIB do comércio", explicou. 

 

De última hora

Nas ruas, o sentimento também é de otimismo. O comerciante Alessandro Ferreira, 38 anos, comercializa camisas da Seleção em sua banca, na Feira Central de Ceilândia. Ele comenta que as vendas estão fluindo, principalmente durante os dias que antecedem a estreia do Brasil na Copa. "As vendas estão fluindo muito bem. Muitas pessoas estão comprando roupas de última hora, como é de costume", disse. 

Para montar a estratégia, Ferreira montou um estoque modesto. "Como a Seleção está decepcionando nos últimos campeonatos, eu vou comprando e revendendo, para não ter prejuízo e ainda conseguir lucrar com a venda", explicou. Com a estreia amanhã, ele segue esperançoso para vender ainda mais. "Eu acredito que, se o Brasil ganhar amanhã e continuar avançando no campeonato, as pessoas vão procurar ainda mais. Eu espero que isso aconteça."

  • Rita de Cássia e o filho Marquinho personalizaram a camisa para entrar com o pé direito na estreia da Seleção
    Rita de Cássia e o filho Marquinho personalizaram a camisa para entrar com o pé direito na estreia da Seleção Ed Alves/CB/D.A Press
  •  Alessandro Ferreira abastece o estoque e segue esparançoso
    Alessandro Ferreira abastece o estoque e segue esparançoso Ed Alves/CB/D.A Press

As camisas personalizadas estão em alta. Rita de Cássia, 50, levou o filho Marquinho, 12, para personalizar o uniforme. "Ele estava insistindo muito para eu comprar uma camisa. Assim que a camisa dele chegou, ele queria colocar o nome dele e um número, para fazer parte do time", contou. 

Marquinho é autista. A mãe comenta que, para ele, é muito importante sentir-se incluído. "Ele queria muito a camisa depois de uma festa na escola. Só ele não tinha. Então, eu fiz de tudo para encontrar uma do jeitinho que ele queria", afirmou. Com poucas palavras, mas com um sorriso enorme no rosto, Marquinho foi sucinto ao demonstrar sua felicidade: "Tô muito feliz". 

 

Carne na brasa

A outra grande paixão do brasileiro, o churrasco, é a escolha perfeita para reunir a família durante os jogos do Brasil. A venda desses produtos atingiu a terceira posição na pesquisa realizada pelo Fecomércio. Para o economista Riezo Silva, a Copa proporciona o aumento de produtos relacionados ao churrasco. "Carne bovina, cerveja e refrigerante podem registrar altas de 5% a 15% em datas de pico, como a primeira fase da Copa", disse. 

O gerente do açougue West Carnes, em Taguatinga, Roseildo dos Santos, afirma que os clientes estão investindo pesado nas compras. "Muitas pessoas procuraram com antecedência, para garantir o churrasco no sábado. Além disso, também estamos recebendo muitas encomendas", disse. No açougue, eles decidiram investir em opções de kits prontos, para facilitar a escolha dos clientes. 

A expectativa também está alta na loja. Roseildo espera que as pessoas façam ainda mais churrasco à medida que o Brasil avance na competição. "Vai ser bom para todo mundo. Vamos vender mais, e as pessoas vão comemorar com mais carne", comentou.

 11/06/2026. Ed Alves/CB/D.A Press. Cidades. Comercio para Copa do Mundo. Na foto, Janaina Oliveira - Comprando carnes para churrasco.
O chamado "kit Copa" acumulou alta de 3,1% até abril deste ano, ante 12,54% em 2022 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Janaína Oliveira foi ao açougue procurar mais opções de petiscos e tira-gostos para apreciar com sua família. Ela conta que vem se preparando desde o início da semana. "Fui fazendo algumas compras ao longo dos dias, sempre procurando opções viáveis e saborosas", disse. 

A vendedora tem tudo pensado para o cardápio dos petiscos. Entre as opções, ela estava comprando coração de galinha, queijos e torresmos. "São opções saborosas e que cabem no bolso", comentou. Ela garante que, para cada etapa ultrapassada, mais um churrasco vai ser realizado. 

Para o economista Riezo Silva, a estratégia adotada por Janaína é a ideal para economizar nas compras. "Nas próximas semanas, a tendência é que os preços aumentem. Por isso, o consumidor deve antecipar as compras e procurar, com calma, em diversos locais para ter mais opções de preços acessíveis", aconselhou. 

 

Telão

O interesse por assistir ao campeonato em uma TV maior atrai ainda mais consumidores. De acordo com o diretor comercial das Casas Bahia, Alexandre Lopes, a Copa segue sendo um dos momentos mais relevantes para o varejo. Neste ano, espera-se um crescimento significativo na procura por televisores ao longo do torneio. "A procura pelo aparelho deve ser 40% maior em todos os tamanhos, mas para telas maiores, como 65, 75, 85 e 98 polegadas, a procura mais do que dobra", afirma. 

Apesar desse fenômeno, o economista Riezo Silva observa que não vale a pena comprar uma nova TV nos primeiros dias do campeonato, uma vez que, para este período, os fabricantes apostam na oferta ampla.  "Para o consumidor, neste momento inicial, estará mais caro, entretanto, a partir da próxima semana, haverá valores promocionais, tendo em vista a oferta e a demanda", alerta. O especialista recomenda fugir de parcelamentos largos sem juros, porque o valor está embutido nessa quantia. 

 

Presente

A servidora pública Rúbia Pinheiro, 49, aproveitou a proximidade do Dia dos Namorados para presentear o marido com uma camisa da Seleção. Torcendo por uma boa performance dos jogadores brasileiros na fase de grupos, o casal vai se reunir com os amigos para acompanhar o primeiro jogo, neste sábado, contra o Marrocos. 

  • Rúbia Pinheiro aproveitou a proximidade com o dia dos namorados para presentear o marido
    Rúbia Pinheiro aproveitou a proximidade com o dia dos namorados para presentear o marido Manuela Sá/CB/D.A Press
  • As irmãs Victória e Gabriella Nunes buscam modelos minimalistas
    As irmãs Victória e Gabriella Nunes buscam modelos minimalistas Manuela Sá/CB/D.A Press

Já as irmãs Victória, 29, e Gabriella Nunes, 31, tiveram dificuldades para encontrar uma camisa do jeito que imaginavam. Elas avaliam que, além dos altos preços, há poucas opções para mulheres. "Queríamos um blusa mais minimalista que tivesse a bandeira do Brasil", contam. Mesmo sem tanta roupa nova, elas esperam que a Seleção ganhe o primeiro jogo por 4x0.  

*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates

 

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postado em 12/06/2026 04:00
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