Meio Ambiente

Sesi Lab inaugura espaço agroecológico educativo na Esplanada

Cultiva Lab transforma área entre o museu e a Biblioteca Nacional em espaço permanente de educação ambiental, com 90 espécies do Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Caatinga e produção sustentável de alimentos

Área será dividida em quadrantes e permitirá que os visitantes percorram diferentes ambientes  -  (crédito: Fotos: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
Área será dividida em quadrantes e permitirá que os visitantes percorram diferentes ambientes - (crédito: Fotos: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

O que hoje é um espaço aberto entre o Sesi Lab e a Biblioteca Nacional de Brasília começa, a partir da próxima segunda-feira (29/6), a ganhar uma nova paisagem. No coração da Esplanada dos Ministérios, será inaugurado o Cultiva Lab, um sistema agroecológico educativo que pretende transformar a área em um laboratório vivo de aprendizagem, biodiversidade e sustentabilidade.

O projeto ocupa cerca de 6,2 mil metros quadrados e nasce de uma parceria entre o Sesi Lab, a Bayer e o TikTok. A proposta é integrar arte, ciência e produção de alimentos em um mesmo ambiente, aberto ao público e conectado à programação do museu.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Inspirado na agroecologia e na agricultura regenerativa, o espaço reunirá cerca de 90 espécies de quatro biomas brasileiros: Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Caatinga. A divisão em quadrantes permitirá que visitantes percorram diferentes ambientes e compreendam, de forma prática, as relações entre solo, clima e vegetação.

A gerente de Desenvolvimento Institucional do Sesi Lab, Cândida Oliveira, afirmou que o projeto amplia o papel do museu para além das exposições internas. "O Cultiva Lab é uma galeria a céu aberto que funciona como extensão da nossa exposição de longa duração. Ele nasce como uma grande âncora de educação ambiental e de discussão sobre cultura e clima, temas centrais para o museu contemporâneo", explicou.

Segundo ela, a iniciativa dialoga com metodologias educacionais já adotadas pelo espaço alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), além do movimento de educação científica voltado à compreensão dos impactos ambientais na vida cotidiana.

Educação e cidade

O sistema será permanente e aberto ao público, permitindo visitas espontâneas e atividades mediadas, principalmente com escolas. A expectativa é impactar cerca de 200 mil pessoas por ano.

Para Cândida, a localização do projeto é simbólica e estratégica. "Estamos no coração da cidade, em uma área pública autorizada dentro do programa Adote uma Praça. Isso é importante porque coloca a biodiversidade e a educação ambiental no centro da cidade, de forma acessível e democrática", destacou.

Ela ressaltou que, após a maturação do sistema, o espaço contará com sinalização interpretativa e atividades interativas que permitirão ao visitante compreender o funcionamento de cada bioma de forma autônoma.

Além do caráter educativo, o Cultiva Lab terá função produtiva. A estimativa é que, nos dois primeiros anos, o sistema gere entre três e cinco toneladas de alimentos, destinados a instituições sociais parceiras. Em fase mais madura, a produção pode chegar a até 48 toneladas anuais.

O coordenador administrativo do Sesi Lab, Felipe Fagundes, vê o projeto como uma conquista para a cidade. "Estamos implantando um sistema agroflorestal no meio da Esplanada dos Ministérios. É uma conquista para Brasília porque mostra que é possível produzir alimentos, conhecimento e biodiversidade em espaço urbano."

Ele destacou que o caráter educativo é central na proposta, especialmente para o público infantil. "As crianças vão poder ver os quatro biomas brasileiros em um mesmo espaço e entender como cada um funciona. Isso torna o aprendizado mais concreto e desperta uma relação diferente com a natureza", disse.

Espaço simbólico

Um dos responsáveis pela implantação do sistema agroflorestal, o gestor ambiental Thiago Evangelista destacou que o principal diferencial do projeto é a localização no centro da capital. "Estar no coração de Brasília dá uma visibilidade enorme ao tema da agroecologia. É um espaço que será visitado por milhares de pessoas e ajuda a aproximar a população do debate sobre produção sustentável de alimentos", explicou.

Pai de três filhos, ele acredita que o projeto terá impacto direto na formação das novas gerações. "É fundamental que crianças tenham contato com esse tipo de experiência. Aqui elas vão entender, na prática, a relação entre natureza, produção de alimentos e sustentabilidade", afirma.

Thiago também falou sobre o potencial de transformação do espaço público. "Quando um local passa a produzir alimentos e conhecimento, ele ganha outro significado. As pessoas se sentem mais pertencentes e passam a cuidar mais da cidade".

Para ele, o Cultiva Lab demonstra que sustentabilidade e vida urbana podem caminhar juntas. "É um projeto que mostra novas formas de ocupar a cidade e de pensar a relação entre natureza e sociedade", concluiu.

 


  • Google Discover Icon
postado em 26/06/2026 05:00
x