Condenação

Motorista embriagado que matou adolescente é condenado a 86 anos de prisão

Homem causou morte de adolescente e feriu seis em Ceilândia; ele dirigia alcoolizado e em alta velocidade

Letícia Maria Barroso Camargo teve a vida interrompida após sofrer um grave acidente de carro -  (crédito: Arquivo pessoal)
Letícia Maria Barroso Camargo teve a vida interrompida após sofrer um grave acidente de carro - (crédito: Arquivo pessoal)

A Justiça do Distrito Federal condenou Rafael Alves de Oliveira a 86 anos, 2 meses e 5 dias de prisão em regime inicial fechado por provocar uma colisão que matou a adolescente Letícia Maria Barroso Camargo, de 17 anos, e feriu outras seis pessoas. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (25/6) pelo Tribunal do Júri de Ceilândia, que negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.

O grupo de jurados acolheu os argumentos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), reconhecendo que o motorista, à época com 33 anos, agiu com dolo eventual, ou seja, assumiu o risco de matar. Além disso, os jurados aceitaram as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Oliveira também recebeu uma pena de 1 ano e 6 meses de detenção por embriaguez ao volante, omissão de socorro e fuga do local do acidente.

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O caso aconteceu na madrugada de dezembro de 2023, sob forte chuva, na BR-070. O acusado dirigia em alta velocidade com sete passageiros, todos sem cinto de segurança, após ter consumido bebidas alcoólicas. Ele bateu na traseira de um caminhão de lixo que trafegava regularmente. Após o impacto, o homem tentou fugir a pé sem prestar assistência aos feridos, mas foi localizado por agentes a poucos metros dali.

Em depoimentos prestados à Justiça, as vítimas sobreviventes traçaram um cenário de total imprudência por parte do motorista, relatando que o acusado apresentava sinais visíveis de embriaguez, como tontura e exaltação, antes mesmo de assumirem o risco de entrar no veículo. Segundo as jovens, oito pessoas foram espremidas no carro de cinco lugares. O trajeto final foi marcado por alta velocidade, música alta e manobras perigosas sob forte chuva.

Uma das sobreviventes, que fraturou a cervical e passou semanas internada, descreveu em depoimento que "quando tentou pedir o Uber temia pela própria vida; que não se recorda se Rafael ignorou o pedido das meninas para que diminuísse a velocidade, mas Rafael não parava de acelerar; que ficou sabendo a velocidade que Rafael estava por conta das notícias, Rafael estava a 140km/h; que no momento do acidente apenas sentiu o impacto, o acidente foi entre o carro de Rafael e um caminhão de lixo".

Exibições ao volante

Para as jovens, a conduta agressiva do condutor na direção tinha traços de exibicionismo. Elas relataram que o motorista passou a noite fazendo "gracinhas" e tentando flertar com as passageiras, ignorando os alertas de que era casado e tinha filhos. Uma das vítimas pontuou que ele acelerou "do nada" ao entrar na rodovia, fazendo zigue-zague entre as faixas.

Outra jovem, que sofreu seis fraturas na coluna e perdeu parte dos movimentos do pescoço, afirmou em depoimento que "não sabe o motivo para Rafael estar dirigindo nesta velocidade, a depoente acredita que ele queria se gabar por ter várias mulheres em seu carro". Ela completou que o traçado da via tornaria um acidente inevitável devido aos excessos do réu: "[...] não sabe dizer o porquê Rafael estava dirigindo nessa velocidade, pois mesmo se não tivesse o caminhão no local, Rafael não conseguiria fazer a curva para entrar na esquina que leva à casa da depoente"

Omissão e risadas

O momento imediatamente após à batida na traseira do caminhão de lixo foi descrito como um cenário de horror. Enquanto as jovens acordavam presas às ferragens, gravemente feridas ou desacordadas, incluindo a adolescente de 17 anos que morreu na hora, a reação do motorista chocou as testemunhas. Segundo os relatos, ele desceu do automóvel e não prestou nenhum tipo de assistência às vítimas.

"Rafael não prestou socorro às meninas, começou a gritar na rua dizendo 'Fiz merda!' e 'Quero me matar!', e começou a rir, mas não prestou socorro", relatou uma das passageiras. Outra sobrevivente, que teve o tornozelo esmagado e fraturas na coluna, confirmou a conduta do homem no momento do desespero: "Rafael estava gritando 'Acabei com a minha vida!' e então saiu do carro. [...] a depoente acredita que o grito de Rafael se referia à preocupação com a própria vida e não com as meninas".

Abandono

Mais do que as sequelas físicas, que incluem mais de 19 fraturas pelo corpo de uma única jovem que ficou em coma por quase 20 dias, as sobreviventes carregam traumas psicológicos profundos e o sentimento de total abandono. De acordo com os depoimentos unânimes colhidos em juízo, o homem jamais procurou as famílias ou demonstrou qualquer sinal de arrependimento após o episódio.

"[..] Ela dormiu dia 21 de dezembro e acordou dia 10 de janeiro; que após o acidente a depoente não tem lembrança nenhuma, ficou um mês hospitalizada, ficou 20 dias na UTI e uma semana na internação", descreve o trecho da fala de uma das vítimas mais graves, que hoje enfrenta dificuldades respiratórias e crises de ansiedade. "Rafael não entrou em contato nem com a depoente e nem com sua família; que Rafael não demonstrou arrependimento pelo acidente causado".

 

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postado em 26/06/2026 16:45 / atualizado em 26/06/2026 16:47
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