
Enquanto milhares de torcedores acompanhavam com ansiedade a vitória de virada do Brasil sobre o Japão, garçons de bares e restaurantes do Distrito Federal viveram uma experiência diferente, na tarde desta segunda-feira (29/6). Entre pedidos, bandejas e mesas lotadas, eles dividiram a atenção entre o trabalho e os momentos decisivos de uma partida que só foi definida nos acréscimos.
O confronto prendeu a atenção do público do início ao fim. O Japão abriu o placar e silenciou os estabelecimentos por alguns instantes. A reação brasileira, no entanto, devolveu o entusiasmo aos torcedores com o gol de empate e, já nos minutos finais, a virada fez bares inteiros explodirem em comemoração. Para quem estava trabalhando, acompanhar cada lance exigiu habilidade para conciliar o atendimento com a paixão nacional.
Garçom do Oficina Bar, na 312 Sul, o estudante João Pedro Lopes, de 26 anos, conta que a rotina ficou ainda mais corrida durante a transmissão da partida. Morador do Guará e fã de basquete, ele afirma que a preferência por outro esporte ajuda a manter o foco no serviço, mas admite que alguns lances são impossíveis de ignorar.
“Esse momento está sendo complicado só porque tem muitas mesas para atender, mas acaba ficando mais fácil porque, como eu não gosto muito de futebol, não paro tanto para prestar atenção no jogo. Mas tem alguns momentos que é quase impossível não ficar olhando para a TV. Conciliar tudo é meio louco, mas dá certo”, relata.
Mesmo sem acompanhar futebol com frequência, João Pedro diz que o espírito de torcedor fala mais alto quando a Seleção entra em campo. O primeiro gol japonês, por exemplo, foi sentido tanto por ele quanto pelos clientes. “Não gosto de futebol, mas ainda sou brasileiro e torço para o Brasil. Eu vi o gol do Japão e fiquei superchateado. Vi que todas as mesas ficaram também e fiz meu compromisso de oferecer algo para eles matarem a mágoa”, brinca.
No Beer House, o cenário foi semelhante. Com a casa cheia durante a transmissão, o garçom Marcos Henrique de Oliveira, 23, encontrava brechas entre um atendimento e outro para acompanhar os principais lances da partida. Segundo ele, a energia dos clientes tornou a experiência ainda mais intensa. “Na hora do gol a gente grita, comemora, chora. É aquele sentimento de Copa do Mundo, que só se vive de quatro em quatro anos”, afirmou.
Mesmo após o Japão sair na frente, o clima entre os torcedores permaneceu de confiança. O otimismo também contagiou os profissionais que trabalhavam no salão. Com o estabelecimento lotado, Daílson demonstrava convicção de que a Seleção conseguiria reagir. “Estamos com casa cheia e vamos buscar a virada”, disse durante a partida, previsão que acabou se confirmando nos acréscimos, quando o Brasil marcou o gol da vitória e levou clientes e funcionários a comemorarem juntos.
Para os garçons, porém, não houve tempo para comemorar por muito. Logo após a explosão de alegria pela virada brasileira, as bandejas voltaram a circular entre as mesas, em uma rotina que, em dias de jogo da Seleção, exige tanta agilidade quanto atenção aos lances dentro de campo.
O próximo adversário do Brasil, agora nas oitavas de final da Copa do Mundo, será definido nesta terça-feira (30/6), a partir das 14h, quando Noruega e Costa do Marfim, possíveis adversários da Seleção, se enfrentam.
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Carlos Silva
RepórterFormado em Jornalismo na Universidade de Brasília (UnB). É repórter na editoria de Cidades do Correio Braziliense. Tem interesse em jornalismo de dados e temas ligados à segurança pública.

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