Copa do Mundo

Padre que sonhou ser jogador consola fiéis em Planaltina

Brasilienses lamentam desclassificação da Seleção Brasileira contra a Noruega. O que era para terminar em festa acabou em queixas, tristeza e choro. Muitos torcedores, porém, esperam que o desempenho na próxima Copa seja melhor

Torcida na paróquia São Sebastião, em Planaltina -  (crédito:  Ed Alves/CB/D.A Press)
Torcida na paróquia São Sebastião, em Planaltina - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Era para a comemoração acabar em festa julina, mas a eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo foi um balde de água fria no arraiá da Paróquia São Sebastião, em Planaltina. Comandado pelo padre Rafael Silva, o evento reuniu centenas de torcedores que esperavam ver a vitória da Seleção. Foi a primeira vez, em cinco anos, que o arraiá coincidiu com o Mundial. 

Mas logo após o apito final, o local que estava cheio de torcedores começou a esvaziar rapidamente. "Tivemos aquele gostinho de que poderíamos fazer mais e ter ganho a Copa. Para nós, o sonho acabou, mas vamos para frente para conseguir o hexa", desabafou o padre.

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Antes de entrar no seminário, Rafael sonhava em ser jogador de futebol. Com passagens nas categorias de base de times, como Vasco, Vitória e Gama, ele contou que, durante sua jornada no esporte, ele recebeu o chamado para a Igreja. "Durante um encontro de jovens de que participei, recebi o chamado para servir a Deus. Hoje, não sou jogador, mas sou padre com muita alegria. E também é com muita alegria que eu recebo os fiéis aqui na Casa Paroquial", comentou.

Famílias inteiras foram à paróquia. Com o coração apertado por ver a tristeza dos filhos ao acompanhar a eliminação do Brasil, muitos pais tentaram consolá-los.

O motorista Leoni Bonfim, 42 anos, emocionou-se com a tristeza do filho Miguel, 11 anos. "Foi a primeira eliminação que ele viu. É realmente muito triste ver meu filho nessa situação. Chorei ao ver meu filho chorar", disse.

Com o Brasil eliminado, a família vai torcer por Portugal por causa de Cristiano Ronaldo. "Dói muito a eliminação, mas agora vou torcer para Portugal ganhar a Copa. Quero ver o CR7 levantando a taça", disse Miguel, enquanto enxugava as lágrimas.

O comerciante Regis Bispo de Amorim, 37, também se compadeceu com a dor do filho, Luiz Miguel, 10. "O coração fica apertado. Para ele, foi muito sofrido ver o Brasil sendo eliminado, principalmente porque ele acompanha e sonha em ser jogador", afirmou.

Torcida na paróquia São Sebastião, em Planaltina
Torcida na paróquia São Sebastião, em Planaltina (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

 

Além do choro do filho, a atuação "sem vontade" da Seleção Brasileira, como definiu, também foi ressaltada por Amorim. "Não digo que entraram com medo, mas acho que foram confiantes demais, acreditaram muito nos outros títulos que o Brasil já tem e entraram sem vontade de se esforçar. Foi muito decepcionante", opinou.

Apesar da frustração com a eliminação do Brasil, Amorim espera que a próxima Copa seja melhor. "É um desejo de todo brasileiro que, em 2030, consigamos o hexa. Estamos há muitos anos sem levantar a taça, e isso precisa acontecer de novo para tornar o nosso povo mais feliz", disse o comerciante, esperançoso, enquanto empilhava mesas e cadeiras no arraiá.

Decepcionante

Não foi desta vez que a rua batizada de 'Brasil Rumo ao Hexa', também em Planaltina, atraiu a sexta estrela para a Seleção Brasileira. Mesmo com a casa cheia, a estudante Lays Miranda, 22 anos, comentou com tristeza a derrota. "Foi muito decepcionante perder por 2 a 1 para a Noruega. Com toda certeza, não esperava isso", comentou.

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Sem rodeios, Lays, que recebeu amigos e parentes junto com os pais, define que o jogo poderia ter sido "todo diferente". "Principalmente os gols que perdemos e que passaram pela nossa defesa. Faltou arrumar alguns detalhes para a gente conseguir passar", disse. Essa não é a primeira Copa que Lays vê o Brasil ser eliminado, e cada vez que a Seleção perde, a esperança também diminui. "Sinto que nunca vou ver o Brasil ser hexa", comentou.

Apesar da torcida para que o brasiliense Endrick entrasse no jogo, Lays se decepcionou com a atuação do jogador. "Eu estou muito triste pelo gol que ele perdeu. Ele nos daria mais chances para conseguir uma virada", acrescentou. Mesmo com a decepção e a tristeza, ela também reconhece que não é necessário colocar o Endrick como o principal culpado da derrota. "Acho que a gente também não pode pesar nas críticas, porque a gente tá falando de um menino, de um atleta de 19 anos, e esses erros acontecem."

  •  05/07/2026. Ed Alves/CB/D.A Press. Cidades. Jogo do Brasil 0 x 2 Noruega - Na Rua do Padre em Planaltina. Na foto, a criança Luis Miguel - pai Regis Amorim e mae Lela Amorim.
    05/07/2026. Ed Alves/CB/D.A Press. Cidades. Jogo do Brasil 0 x 2 Noruega - Na Rua do Padre em Planaltina. Na foto, a criança Luis Miguel - pai Regis Amorim e mae Lela Amorim. Ed Alves/CB/D.A Press
  • O pequeno Miguel Bonfim, 11 anos, é consolado pelo pai Leoni:
    O pequeno Miguel Bonfim, 11 anos, é consolado pelo pai Leoni: "Chorei ao ver meu filho chorar" Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press
  • Crianças apreensivas com a má atuação do Brasil
    Crianças apreensivas com a má atuação do Brasil Ed Alves/CB/D.A Press

 

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postado em 06/07/2026 05:00
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