DESPEDIDA

Familiares e amigos se despedem de casal morto na Ponte Alta

Leonardo Oliveira e Rayane Farias foram sepultados na manhã deste domingo (19/7). Casal deixa uma filha de 7 anos

Sob forte comoção, familiares e amigos se despedem de casal assassinado
 -  (crédito: Eduardo Fernandes/CB)
Sob forte comoção, familiares e amigos se despedem de casal assassinado - (crédito: Eduardo Fernandes/CB)

Indignação, clamor por justiça e um clima de profunda dor. Familiares e amigos se reuniram na manhã deste domingo (19/7) para o velório de Rayane Farias, 38 anos, e Leonardo Oliveira, 42. O casal foi encontrado morto em um condomínio na região da Ponte Alta Norte, no Gama, na sexta-feira (17/7). A cerimônia, marcada por homenagens, relembrou o legado de dedicação da dupla à família e à igreja, além do vazio que eles vão deixar.

Mais do que uma pessoa querida, Rayane era a figura central de casa. A base daqueles que precisam de suporte ou proteção. Para o irmão da vítima, Kelmo Farias, 36, ela era um pilar insubstituível. “Todo mundo sabe que a minha irmã era maravilhosa em tudo. Uma amiga e uma mãe incrível”, contou.
O casal, inclusive, se conheceu por meio de Kelmo, que há quase duas décadas participava de um grupo de dança com Leonardo. “O Leonardo era uma pessoa maravilhosa, excepcional, sempre cuidou muito bem dela, sempre ajudava ela a cuidar do meu pai. Muito calmo, muito reservado”, lembrou. 

Clamor por justiça

O crime que tirou a vida do casal interrompeu de forma abrupta uma trajetória que ainda tinha tanto a aparecer. Consternado, Kelmo volta aos olhos para a afilhada de 7 anos, filha de Leonardo e Rayane. “Nenhuma criança merecia passar por isso. Crescer sem os pais, dessa forma. Tenho certeza que, agora, ela será muito bem cuidada pelos meus pais”, destacou.
Diante da investigação em andamento, a família cobra punição e espera que as devidas medidas sejam tomadas. "A gente espera que a justiça seja feita, por mais que a justiça seja falha, né? Porque dava pra ter evitado isso. O tanto de caso, o tanto de processo que ele tem, o tanto de tentativa de assassinato com porte de arma. Era um cara perigoso. Era uma pessoa que não podia viver na sociedade e estava dentro da sociedade", desabafou Kelmo, se referindo à Evandro Gabriel Ferreira, 60 anos, suspeito de ser o responsável pelo crime. A prisão dele foi convertida em preventiva pela Justiça na tarde de sábado (18/7). 
Ao final das homenagens, entre lágrimas e aplausos à memória do casal, o eco de um único pedido marcou a despedida dos presentes: justiça. Rayane e Leonardo, segundo amigos ali presentes, eram amados e queridos, justamente pelo caráter e solidariedade que sempre tiveram.

Relembre o caso

Leonardo e Rayane foram encontrados mortos na manhã de sexta-feira (17/7), em uma residência localizada no condomínio Bosque Imperial, na região da Ponte Alta Norte. Segundo moradores, o casal ainda não residia no condomínio, mas construía um imóvel no local. O principal suspeito do duplo homicídio é o vizinho e empresário Evandro Gabriel Ferreira, 60, preso na sexta.

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De acordo com relatos de moradores, o casal era proprietário de um lote ao lado da residência de Evandro. A convivência entre eles era marcada por frequentes desentendimentos envolvendo a divisa dos terrenos. Leonardo, inclusive, teria ingressado com uma ação judicial contra o vizinho em razão do conflito sobre os
limites das propriedades.

Disparos de arma de fogo foram ouvidos por volta das 16h da última quinta-feira (16/7), conforme relatos de moradores, enquanto o casal limpava o terreno com uma roçadeira. Os corpo foram encontrados no dia seguinte pelo pai de Rayane, que acionou a polícia. 

O suspeito tem envolvimento em três casos de homicídio. Dois deles ocorreram em 2000 e 2003, na forma tentada. Em 2008, ele foi autuado pela morte do próprio sobrinho, Alex Johne Vieira, de 23 anos. O sistema da PCDF aponta condenação no processo, embora não detalhe a pena aplicada nem o desfecho definitivo da ação. Também constam em seu histórico ocorrências por violência doméstica, enquadradas na Lei Maria da Penha, registradas em 2018 e 2022, além de porte ilegal de arma de fogo e ameaças.

O caso é investigado pela 20ª Delegacia de Polícia (Gama). 

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postado em 19/07/2026 13:09 / atualizado em 19/07/2026 14:51
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