A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) não vai instaurar inquérito para investigar a morte de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, que morreu enquanto aguardava atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas. Em nota, a corporação informou que o óbito foi classificado como morte natural e, por esse motivo, a ocorrência será arquivada.
Já o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pela administração da UPA, informou que a apuração interna sobre o caso continua em andamento. Segundo o instituto, a unidade adotou, em conjunto com os setores Humanizar, Qualidade e Segurança do Paciente e demais áreas envolvidas, medidas para aprimorar os fluxos assistenciais, com foco no fortalecimento do acolhimento, na identificação precoce de situações de vulnerabilidade e na segurança dos pacientes.
O IgesDF informou ainda que, concluída a etapa preliminar da investigação, com a participação das áreas assistenciais, de Governança, Corregedoria, Qualidade e Segurança do Paciente e outros setores competentes, o caso foi encaminhado às instâncias responsáveis para a continuidade das análises técnicas e administrativas. Os procedimentos seguem em tramitação no âmbito da Controladoria do instituto.
Entre as medidas implementadas estão a ampliação da atuação da equipe do Humanizar; a criação da Rota do Humanizar, com inspeções periódicas na recepção, nos banheiros e na área externa da unidade; o monitoramento contínuo dos pacientes pelo enfermeiro responsável após o encerramento das atividades da equipe do Humanizar; além da revisão dos fluxos assistenciais e administrativos, da capacitação das equipes e da padronização de novos processos.
Relembre o caso
O caso ocorreu em 20 de junho, quando Vilmar procurou atendimento na UPA do Recanto das Emas. Imagens obtidas pelo Correio mostram o paciente chegando à unidade às 21h18 do dia anterior à morte. Horas depois, às 23h07, ele se dirige sozinho ao banheiro. Durante a madrugada, permanece sentado em uma cadeira de rodas e chega a se cobrir com um cobertor para dormir no local.
Segundo relatos de pessoas que aguardavam atendimento, Vilmar morreu por volta das 14h do dia seguinte. A situação provocou revolta entre os usuários da unidade, que reclamavam da demora na triagem. O tumulto começou quando os próprios pacientes perceberam que Vilmar, já desacordado, não apresentava sinais vitais e acionaram a equipe da UPA.
Durante a confusão, os presentes impediram que os funcionários retirassem o corpo para o interior da unidade e decidiram aguardar a chegada da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
