
Por Manuela Sá*
A presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), Eliane Abreu, foi, ontem, ao CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — para falar sobre a morte de um homem na recepção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas. Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, faleceu, no sábado, em uma cadeira de rodas na área de espera da unidade. Às jornalistas Sibele Negromonte e Mila Ferreira, Eliane disse que ele não foi ao local em busca de atendimento médico, mas, sim, de abrigo.
O Iges-DF abriu uma sindicância para tentar descobrir o que aconteceu. O que a senhora
pode adiantar sobre esse caso?
Começo lamentando muito. A gente não trabalha para esse tipo de resultado. Imediatamente, sabendo da condição do paciente Vilmar, a gente deu os encaminhamentos para a instauração de um processo administrativo pela nossa controladoria interna. Hoje, começaram as oitivas. Todos os envolvidos nesse contexto do óbito do paciente Vilmar, desde a chegada até o desfecho trágico, estão sendo ouvidos. Eu, enquanto pessoa responsável pelo Iges-DF, afirmo que tão logo essa apuração termine, a população vai ter um retorno técnico de tudo que foi apurado ao longo dessa sindicância. A gente tem trabalhado com um alinhamento muito grande com a Secretaria de Saúde, na pessoa do doutor Juracy Cavalcante e com a governadora Celina Leão, porque é uma pauta que a gente precisa se debruçar sobre e entregar um retorno para a população, que espera na compreensão do que, de fato, aconteceu com o caso de Vilmar.
De acordo com as apurações do Correio, Vilmar costumava usar a UPA do Recanto das Emas como abrigo. Já se sabe se, nesse dia, ele buscava atendimento ou abrigo?
É sabido por todos, inclusive validado, verbalizado pela família do senhor Vilmar, que, neste dia, ele não estava na UPA em busca de atendimento. O senhor Vilmar era uma pessoa em situação de vulnerabilidade social, conhecido, inclusive, pelo nosso time da UPA do Recanto das Emas. Ele tinha esse roteiro de procurar a UPA para se abrigar, para tomar água, para ir ao banheiro. Nosso time não se furtava em dar esse abrigo. Nesse dia, afirmo com toda certeza, que a busca dele pela unidade não foi por atendimento, não foi por deterioração clínica. Tão logo uma pessoa chega à recepção, elas começam uma entrevista para entender qual é o desejo do paciente. Com ele não foi diferente. Então, mesmo sabendo que ele tem essa rotina de procurar a UPA para ser utilizada como abrigo, ele passou por essa entrevista prévia e verbalizou a negativa. Ele confirmou que estava em busca de abrigo, que só queria água. Nossa equipe ofertou água para ele e o posicionou próximo do local onde as pessoas aguardam atendimento.
Vocês têm essa ficha médica de Vilmar. Ainda não sabemos a causa da morte, quais problemas ele teria de saúde?
De todos os atendimentos dele na UPA do Recanto, a gente tem todo o registro em prontuário do paciente. Eu não posso, de maneira aventureira, começar a falar de questões que interrogam a condição do óbito dele, e eu gostaria de deixar isso para o laudo do IML. No momento em que a gente começar a ter acesso a essas informações, elas vão ser públicas. Mas, de todos os atendimentos que ele teve, temos a condição crônica do etilismo que ele carregava. Recebemos Vilmar, muitas vezes, levado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a gente, obviamente, seguiu com esse atendimento, mas sempre em condição de perda de consciência, encontrado na rua ou nas proximidades das UPAs. Todas as vezes em que ele entrou na unidade de saúde foi com essa questão. Tudo que está reservado ao prontuário médico da família, a família tem acesso. Sobre a condição do óbito, eu não tenho como interrogar possibilidades aqui. Seria imprudente da minha parte fazer isso e muito antiético. Reservo-me a falar desse caso de maneira mais técnica.
No DF, temos problemas de lotação de UPA, falta de médico e de alguns insumos. A senhora assumiu o Iges-DF recentemente. O que diagnosticou até o momento e o que pretende fazer para mitigar esses problemas?
Na minha chegada ao Iges-DF, dia 13 de maio, instaurei um gabinete de transição. (...) O instituto precisou de um olhar intensivo para condições assistenciais, como reposição de pessoas no fronte. Desde minha chegada, 195 profissionais de saúde já foram contratados para suprir essa necessidade. (...) Iniciamos na primeira semana de atuação na presidência um safety estruturado (reunião curta), em que começo pelas UPAs ouvindo todas as necessidades que a gente tem nas 13 unidades e começo a colocar a as demandas de todos os pacientes que lá estão naquele momento para a gente dar vazão, fluidez de atendimento e conseguir garantir a eficiência operacional das unidades.
*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

Cidades DF
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