MOBILIDADE URBANA

NTU defende que verbas da Educação e Saúde banquem gratuidade no transporte

De acordo com a entidade, a queda no número de passageiros que pagam passagem inteira saiu de 72% em 2021 para 55,4%. Para cobrir o déficit, NTU lança o projeto Transporte para Todos, com propostas de redistribuição do orçamento público e reformulação do Vale-Transporte

Com queda de passageiros pagantes para 55,4%, NTU defende que verbas da Educação e Saúde banquem gratuidades no transporte -  (crédito: MBM Fotografia/Divulgação)
Com queda de passageiros pagantes para 55,4%, NTU defende que verbas da Educação e Saúde banquem gratuidades no transporte - (crédito: MBM Fotografia/Divulgação)

O financiamento da operação do transporte público urbano e a urgente necessidade de recuperar os passageiros perdidos ao longo dos últimos anos são os pontos centrais das propostas apresentadas pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) na Lat.bus, Feira Latinoamericana do Transporte, que acontece de hoje (11/8) a quinta-feira (13/8), em São Paulo.

De acordo com a entidade, a queda no número de passageiros que pagam passagem inteira pressiona as contas do transporte público. Em 2021, esse grupo representava cerca de 72% de todas as pessoas transportadas, enquanto em 2025 o índice caiu para 55,4%. Segundo a NTU, na prática, o dinheiro arrecadado nas catracas já não é suficiente para cobrir os custos de operação dos ônibus.

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Para enfrentar o déficit estrutural do setor, o diretor-presidente da entidade, Francisco Christovam, defende a implementação do programa “Transporte para Todos”, sustentado por três pilares essenciais: a modernização do vale-transporte, o redirecionamento dos custos das gratuidades e a criação de um vale-transporte social.

No primeiro pilar, a proposta prevê a ampliação da base de contribuição do vale-transporte para alcançar todos os trabalhadores formais, servidores públicos e empregados domésticos. "Quando o vale-transporte foi criado, há 40 anos, ele representava 50% do Sistema Nacional. Hoje está menos de 30% por causa dessa perda de relevância", destacou Francisco. Segundo ele, simulações apontam que uma taxa de R$ 90 por empregado seria suficiente para cobrir quase a metade dos recursos necessários para custear a operação nacional.

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O segundo pilar visa retirar do passageiro pagante o peso do subsídio aos usuários isentos de tarifa. "Não existe almoço de graça. Alguém está pagando essa conta", afirmou Francisco. Para corrigir essa distorção, a NTU preconiza que as gratuidades de estudantes sejam bancadas com verbas da Educação; as de pessoas com deficiência e doentes, com recursos da Saúde; e as dos idosos, pela Assistência Social.

Por fim, o terceiro pilar sugere a criação de um vale-transporte social voltado à população de baixa renda, com financiamento atrelado a programas federais. "Hoje o Bolsa Família já representa alguma coisa com R$ 160, R$ 170 bilhões para subsistência das famílias, mas não a capacidade de se deslocar, seja para procurar um emprego, seja para estudar", explicou.

Na modelagem de remuneração proposta, os recursos arrecadados seriam direcionados aos governos municipais e estaduais, que atuam como poder concedente, para que realizem o pagamento direto às empresas operadoras por meio de fundos específicos. "Esses recursos seriam canalizados para a prefeitura e a prefeitura remunera os seus prestadores de serviço, como remunera qualquer outro serviço público", disse Francisco.

Perda de passageiros

Além do custeio da operação, o setor enfrenta a perda histórica de passageiros, acentuada após a pandemia de covid-19. Para Francisco, a recuperação da demanda exige entender que o usuário hoje tem opções de deslocamento. "Hoje ele tem a moto, ele tem a carona solidária, ele tem o carro de terceira mão. Então, nós estamos num, abre aspas, sistema competitivo”.

Francisco cita que pesquisas da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que 63% dos usuários que migraram para o transporte individual voltariam ao ônibus caso houvesse itinerários mais racionais, menor tempo de viagem, tarifas mais acessíveis, conforto e melhor comunicação. A priorização do sistema viário para o transporte coletivo — por meio de faixas exclusivas, corredores e sistemas BRT — é apontada como premissa para que o investimento em frotas modernas e menos poluentes traga resultados práticos.

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postado em 11/08/2026 11:39
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