
Duas semanas após o início oficial da campanha eleitoral de 2026, o Correio ouviu os sete candidatos mais bem posicionados na pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política sobre cinco temas que estão entre os desafios do Distrito Federal: preservação ambiental e combate à grilagem, recuperação econômica e patrimonial de Ceilândia, Taguatinga e W3 Sul, economia criativa, políticas para a população idosa e a Lei do Silêncio. Os postulantes foram convidados a apresentar as principais medidas que pretendem adotar para enfrentar os problemas de cada área e apontar as prioridades de um eventual governo. Confira abaixo.
Qual a sua proposta para preservar o meio ambiente e evitar a grilagem?
Celina Leão (PP):
O que me incomoda é ver terra pública tomada enquanto quem espera moradia na fila certa fica pra trás. Por isso, o Grilagem Zero, mais fiscalização e tecnologia contra invasão irregular. E cuidar do Cerrado, recuperar nascente, plantar árvore na cidade. Licenciamento ambiental com IA, pra quem regulariza certo não esperar anos. Rigor com quem degrada, agilidade com quem faz do jeito certo.
José Roberto Arruda (PSD):
É urgente que o DF tenha acesso a saneamento básico e limpeza urbana com coleta seletiva. Nossa meta é universalizar esses serviços. Também é meta concluir a implantação do Parque Ecológico Burle Marx e retomar o Projeto Orla para a utilização de áreas verdes com lazer, cultura e turismo. Para combater a grilagem, programas de habitação que ofereçam terreno e cheque para as obras básicas de construção, além de regulamentação fundiária de fácil acesso.
Leandro Grass (PT):
Vamos combater a grilagem com inteligência, monitoramento por satélite em tempo real e fiscalização implacável. O Sistema Distrital de Informações Ambientais vai nos permitir detectar e desmanchar imediatamente qualquer invasão ilegal. Atenderemos as pessoas com moradias sociais da Codhab, evitando que elas tenham que buscar por ocupações irregulares para terem onde morar. Com regularização justa e previsibilidade, daremos segurança jurídica às famílias e manteremos as bacias hídricas da nossa região.
Ricardo Cappelli (PSB)
Vou criar uma delegacia especializada no combate à grilagem e implantar um sistema de monitoramento por satélite de todo o território do Distrito Federal. Vamos usar tecnologia, inteligência e fiscalização permanente para identificar rapidamente ocupações irregulares e impedir o avanço da grilagem. Quem se apropriar ilegalmente de terra pública será responsabilizado. Vamos proteger o território do DF e colocar os grileiros na cadeia.
Paula Belmonte (PSDB)
O Estado tem falhado em coibir a grilagem e, ao permitir ocupações irregulares, é parceiro na formação de subcidades e submoradias, depois “oferece” soluções também precárias de regularização, em processos marcados por forte influência de interesses políticos. Além de fiscalizar e coibir, vou promover a oferta de Habitação de Interesse Social (HIS) em áreas preparadas ambientalmente e com infraestrutura básica.
Kiko Caputo (Novo)
Vamos proteger o Cerrado, recuperar nascentes, matas ciliares e áreas degradadas, além de fortalecer as unidades de conservação e a prevenção aos incêndios. Contra a grilagem, vamos usar inteligência territorial, geotecnologia e fiscalização integrada para identificar ocupações irregulares antes que se consolidem, protegendo as terras públicas e garantindo um crescimento urbano ordenado.
Samara Mineiro (UP)
O modo de produção capitalista também coloca em risco a natureza e a vida no planeta. Por isso nosso governo implementaremos: combater o desmatamento ilegal; criar frentes emergenciais de trabalho ambiental, para recuperação, reflorestamento, proteção de nascentes, prevenção de incêndios, manejo de resíduos e adaptação urbana; proibição de agrotóxicos banidos no exterior; coleta seletiva em 100% do DF; combater a grilagem usando também métodos de inteligência para detectar falsificações de documentos cruzando dados de registros antigos.
O que fará para reverter a degradação econômica e patrimonial dos centros de Ceilândia, Taguatinga e W3 Sul?
Celina Leão (PP):
A nossa lógica é levar investimento grande pra onde as pessoas mais precisam. Vem aí o VLT na Hélio Prates, ligando Taguatinga e Ceilândia com mais dignidade, integrando as duas regiões ao metrô com transporte moderno. Já ocupamos o Centrad, abandonado por anos. Tô reformando a Praça do Relógio e reconstruindo o Mercadão com os próprios feirantes. E na W3 Sul, revitalização em parceria com o comércio local, transformando a região num polo de economia criativa, cultura e tecnologia. É recuperar esses centros pra quem mora e trabalha ali.
José Roberto Arruda (PSD):
Além de desburocratizar os processos para empresas abrirem portas no DF, pretendo requalificar centros comerciais e feiras das Regiões Administrativas. O objetivo é criar um comércio de bairro forte e frequentado pelas comunidades. Com esses polos revitalizados, nós teremos geração emprego, renda e a volta da circulação de pessoas por esses locais, que quando esvaziados, acabam sendo ocupados pela criminalidade. Uma realidade que vamos mudar.
Leandro Grass (PT):
Vamos resgatar todos esses centros comerciais usando o poder de compra do GDF e microcrédito com juro mais baixo. Pelo programa Fomenta-DF, o pequeno comerciante vai contar com linhas de renegociação pelo BRB, para voltar a respirar e poder crescer. Vamos usar o Sistema de Centralidades do PDOT para recuperar os espaços públicos e atrair novas atividades econômicas, gerando empregos de qualidade perto de onde as pessoas moram.
Ricardo Cappelli (PSB)
Ceilândia e Taguatinga precisam de uma ação imediata de revitalização. Vamos começar com um choque de ordem, reforçando o policiamento, a segurança e a limpeza urbana, além de combater os furtos e assaltos que afastam consumidores e prejudicam o comércio. Ao mesmo tempo, vamos transferir o governo para o Centrad. A presença diária de milhares de servidores e usuários dos serviços públicos vai movimentar o comércio, gerar empregos e ajudar a recuperar economicamente toda a região. Na W3 Sul, vamos fazer uma requalificação urbana completa, com mais segurança, limpeza, recuperação dos espaços públicos e estímulo à atividade econômica. O projeto inclui também a passagem do VLT do aeroporto pela avenida.
Paula Belmonte (PSDB)
A solução passa por levar moradia a essas regiões, garantindo movimento, comércio e segurança. Imóveis públicos vazios ou subutilizados devem ser aproveitados também para habitação de interesse social. No Plano Piloto, o tombamento é a referência para os estudos urbanísticos e de mobilidade, revitalizar os centros é também investir em habitação, mobilidade e preservação ambiental.
Kiko Caputo (Novo)
Vamos requalificar esses centros, recuperar áreas degradadas e valorizar o patrimônio urbanístico e os espaços públicos. A proposta é combinar segurança, iluminação e acessibilidade com ações para fortalecer comércio, serviços, cultura, turismo, economia criativa e mobilidade, devolvendo movimento, empregos e vitalidade a esses centros.
Samara Mineiro (UP)
No nosso governo iremos atuar com atenção aos centros, em particular, as Regiões administrativas periféricas que são esquecidas. Temos que atuar de forma integrada em várias vertentes, como a mobilidade, urbanismo, segurança, recuperação de imóveis, comércio e cultura. Hoje existem centenas de imóveis vazios e iremos fazer o repovoamento dos centros, transformando em moradia e em instrumentos culturais e esportivos. Em conjunto, melhoraremos a segurança com mais eficiência, com maior número de crimes contra o patrimônio, especialmente o roubo de celulares. Para resolver isso é necessário o fortalecimento da investigação, utilizando inteligência de dados, rastreamento por IMEI e sistemas automatizados, com isso recuperaremos celulares roubados e diminuiremos a receptação e, em consequência, os roubos.
Quais são os seus projetos para impulsionar a economia criativa?
Celina Leão (PP):
Economia criativa é gente vivendo do que sabe fazer, música, moda, design, artesanato. Meu papel é tirar barreira: crédito mais fácil, formalização simples, espaço pra vender. Vou transformar a W3 Sul em polo de cultura e criatividade, terminar a reforma do Teatro Nacional, e espalhar edital de cultura pelas regiões, não só no centro.
José Roberto Arruda (PSD):
Vamos desenvolver o Programa Distrital de Economia Criativa e Inovação. Por meio desta iniciativa, vão ser traçadas estratégias com objetivo de fortalecer cadeias do audiovisual, design, gastronomia, moda e artes digitais. É muito importante que o Governo do Distrito Federal olhe com atenção e forneça ferramentas de fomento para essa parcela do setor produtivo, que gera milhares de empregos, e é isso que vamos fazer.
Leandro Grass (PT):
A economia criativa é capaz de gerar emprego e desenvolvimento sustentável. Por isso, vamos instituir a Fundação do Patrimônio Cultural e descentralizar o Fundo de Apoio à Cultura, o FAC, com editais simplificados por região administrativa e cotas para a periferia. Vamos criar incubadoras culturais, integrando a economia criativa ao turismo. Nossa meta é garantir um espaço cultural em cada cidade, unindo arte à escola em tempo integral e descentralizando o acesso ao lazer.
Ricardo Cappelli (PSB)
A economia criativa será um dos pilares da nossa estratégia de desenvolvimento. Vamos transformar áreas hoje abandonadas e vazias do DF em polos de inovação e economia criativa, oferecendo incentivos fiscais e apoio econômico para atrair empresas, projetos, instituições e empreendedores. A indústria do século 21 é baseada em inovação, tecnologia, conhecimento e sustentabilidade. Brasília tem capital humano altamente qualificado e enorme potencial nessa área. Nosso papel será criar as condições para transformar esse potencial em novos negócios, empregos e renda.
Paula Belmonte (PSDB)
Vamos tratar a economia criativa como setor estratégico para gerar emprego e renda no Distrito Federal. A proposta é apoiar quem empreende em áreas como audiovisual, música, moda, design, artesanato, gastronomia, games e produção cultural, com qualificação, acesso a crédito e menos burocracia. Também vamos aproximar esses empreendedores da tecnologia, do turismo e dos mercados consumidores, fortalecendo as vocações e os talentos das diferentes regiões do DF.
Kiko Caputo (Novo)
Vamos fortalecer o Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e os instrumentos de financiamento, simplificar o acesso aos incentivos e ampliar os investimentos nas regiões administrativas. Queremos impulsionar audiovisual, música, teatro, dança, literatura, design, artesanato, moda e games, conectando cultura, turismo, inovação e empreendedorismo para gerar emprego e renda.
Samara Mineiro (UP)
Precisamos reverter a política de estímulos financeiros que o atual governo promove onde o centro dos recursos são isenções fiscais para grandes empresários e uma migalha para trabalhadores autônomos ou pequenos empresários. Criaremos linhas de microcrédito, para cooperativas e pequenos proprietários com prioridade nas periferias. Fortaleceremos as iniciativas culturais, artísticas feitas por moradores nas periferias e realizado nas suas próprias comunidades.
Quais são as suas políticas para os idosos?
Celina Leão (PP):
Envelhecer com dignidade devia ser óbvio. Vou construir o Hospital Geriátrico de Brasília e o Casa Viver, pra quem precisa de cuidado diário. Vou apertar o cerco contra golpe e maus-tratos contra idoso. E incentivar quem tem 60+ a ficar ativo, na Ginástica nas Quadras, no mercado de trabalho, no digital. Sem esquecer de quem cuida: cuidador também precisa de apoio.
José Roberto Arruda (PSD):
Vamos criar as Clínicas Abertas de Ativação Esportiva e Convivência para a Terceira Idade, reformular parques, centros de convivência e os PECs, oferecendo atividades físicas supervisionadas e esportes de baixo impacto voltados à manutenção motora. A ação transforma o envelhecimento ativo em uma norma programática de Estado. Vamos promover o Programa de Esporte para Toda a Vida, com atividade física para todas as faixas etárias, aproveitando estruturas já existentes como os Centros Olímpicos, por exemplo.
Leandro Grass (PT):
Garantir o direito de envelhecer com dignidade no DF é um compromisso inegociável. Vamos expandir a rede de Centros-Dia e de Instituições de Longa Permanência aderindo ao programa de atenção domiciliar do Ministério da Saúde, e fortaleceremos a Atenção Primária com geriatras e equipes multiprofissionais nas UBS. Também teremos cursos para ensinar os idosos a se protegerem de golpes digitais e vamos garantir acessibilidade plena nas calçadas e no transporte público.
Ricardo Cappelli (PSB)
Vamos ampliar e revitalizar os centros de convivência para idosos em todas as regiões administrativas do DF, criando espaços de integração, lazer, esporte e promoção da saúde. Também vamos oferecer um atendimento de saúde mais adequado e especializado. Vamos criar unidades e serviços especializados, com atenção específica às necessidades da população idosa. A política para os idosos precisa cuidar da saúde, mas também combater o isolamento e garantir qualidade de vida, autonomia e convivência.
Paula Belmonte (PSDB)
Vamos criar o Hospital do Idoso, com atendimento especializado em geriatria e integrado a uma rede de cuidado para o envelhecimento. Essa rede vai conectar as UBSs, equipes de Saúde da Família, atendimento domiciliar, serviços especializados, reabilitação e hospitais, garantindo continuidade do cuidado. Também vamos fortalecer as políticas de proteção, convivência, autonomia e inclusão, para que nossos idosos envelheçam com saúde, dignidade e segurança.
Kiko Caputo (Novo)
Vamos criar uma Política Distrital de Envelhecimento Saudável e implantar os Centros de Bem Viver e Longevidade, integrando saúde, assistência social, esporte, cultura e convivência. Também vamos ampliar o cuidado domiciliar e a reabilitação, apoiar as famílias e cuidadores e promover mais autonomia e participação para a população idosa.
Samara Mineiro (UP)
A lógica capitalista é desumana encara o ser humano como mercadoria e os idosos como mercadoria descartável. Nós iremos reverter essa situação implementando as seguintes ações: Efetivar a Política Nacional de Cuidados; desenvolver uma política de moradia para as pessoas idosas ; criar centro de convivência em cada bairro; promover educação no ensino e nas empresas, conforme, art. 22 do Estatuto da Pessoa Idosa, promovendo o respeito, preparando para o envelhecimento e, evitando violências contra as pessoas idosas.
Num eventual governo, vai rediscutir a lei do silêncio?
Celina Leão (PP):
Já discuti isso de perto, como deputada, puxei a audiência pública pra repensar a lei, buscando equilíbrio entre o direito do artista de trabalhar e o do morador de dormir em paz.Não tem resposta fácil, mas meu compromisso é continuar esse diálogo com quem faz música, quem tem bar e quem só quer sossego.
José Roberto Arruda (PSD):
A lei do silêncio, no DF, nasceu no meu governo, em 2008. Ela estabelece limites de ruído por tipo de área e período, prevê fiscalização, advertência, multa e até interdição. No nosso entendimento, a lei não é contra bares, restaurantes, igrejas, eventos, festas ou entretenimento. Vamos respeitar quem trabalha, quem empreende e quem se diverte. Se houver um desejo em rediscuti-la, estamos sempre abertos a ouvir a população.
Leandro Grass (PT):
Sim, por meio do diálogo aberto. É preciso equilibrar o sossego dos moradores com o pulsar econômico e cultural da cidade. Os espaços culturais e os bares geram milhares de empregos, atraem turismo e ocupam as ruas com segurança, inibindo a violência. Ao mesmo tempo, os moradores precisam poder descansar com tranquilidade. Pode ter certeza que o nosso governo vai agir como parceiro de soluções integradas, negociadas entre comércio, fiscalização e vizinhança.
Ricardo Cappelli (PSB)
Não. O que precisamos é construir regras claras e soluções por meio do diálogo com músicos, produtores culturais, bares, restaurantes e moradores. É possível estimular a vida cultural e a economia criativa sem retirar das pessoas o direito ao descanso e ao sossego. Uma das alternativas é incentivar atividades musicais e culturais em áreas adequadas, como o Setor Comercial Sul e outros locais com pouca ou nenhuma ocupação residencial. Assim, podemos criar polos de cultura e entretenimento, movimentar a economia e, ao mesmo tempo, evitar conflitos com quem mora nas regiões residenciais.
Paula Belmonte (PSDB)
Polêmico, mas tem de ser enfrentado se está excessivo ou se ainda está permissivo, com responsabilidade e diálogo. Exige equilíbrio entre o sagrado direito ao descanso e à tranquilidade dos moradores e liberdade de funcionamento de bares, restaurantes, eventos e atividades culturais Vamos ouvir moradores, empresários e artistas para ratificar ou aperfeiçoar.
Kiko Caputo (Novo)
Não. O que defendemos é um ambiente com mais segurança jurídica, menos burocracia e condições para a cultura e a economia criativa prosperarem, inclusive com apoio à música ao vivo, bares, restaurantes e casas de espetáculo, sem desconsiderar o direito dos moradores à qualidade de vida.
Samara Mineiro (UP)
Vamos fazer audiências públicas e um intenso debate para rediscutir a lei do silêncio, ouvindo os moradores, o comércio local e trabalhadores da cultura. Entendemos que a preocupação de moradores é válida em se ter algum limite na intensidade dos sons para que não prejudique o seu sossego, ao mesmo tempo, é válido o argumento dos comerciantes e trabalhadores da cultura que esses limites são muitos rígidos fazendo muitos estabelecimentos serem multados, chegando até a fechar. Com um grande diálogo construiremos uma proposta para equacionar essa situação.
Por um erro de edição, respostas dadas pela candidata Paula Belmonte foram atribuídas à candidata Celina Leão. A matéria foi atualizada nesta publicação e está corrigida. As respostas corretas estão sendo publicadas também na edição de amanhã do impresso. O Correio lamenta o equívoco e pede desculpas às candidatas e aos leitores.
Saiba Mais
Mila Ferreira
RepórterJornalista graduada pelo IESB e pós-graduada em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUC-RS. Experiência como roteirista e assessora de comunicação pública e corporativa. Repórter na editoria de Cidades do Correio Braziliense

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