O candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSB, Ricardo Cappelli, apresentou diretrizes para áreas prioritárias do DF e fez duras críticas à atual administração durante sabatina transmitida ao vivo pelo programa Balanço Geral, da Record Brasília. Entrevistado pelos jornalistas Alessandro Saturno, Vladimir Porfírio e Yuri Achcar, o postulante deu destaque central à área da saúde e cravou sua promessa mais forte para a gestão pública: zerar completamente as filas de espera por consultas, exames e procedimentos cirúrgicos no prazo máximo de 24 meses por meio do Programa Fila Zero.
Ao abordar o sistema público de saúde, Cappelli rejeitou a justificativa de restrições financeiras e apontou a falta de gestão adequada como o principal obstáculo da capital federal. De acordo com o candidato, o orçamento destinado ao setor no DF figura entre os maiores do país, ultrapassando R$ 1 bilhão por mês, o que tornaria injustificável a demora no atendimento à população.
“Falta de dinheiro não é o problema. O que está faltando? Faltam hoje 5,3 mil médicos; 4,2 mil técnicos de enfermagem; faltam 2,3 mil enfermeiros; faltam 1,9 mil agentes comunitários de saúde. Na primeira semana, eu vou abrir procedimento para contratar todos os profissionais de saúde. Não adianta construir equipamento de saúde e não ter profissionais”, disse.
Questionado sobre o histórico de 26 anos de filiação ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em contraste com o perfil majoritariamente conservador do eleitorado brasiliense, Cappelli afirmou que a prestação de serviços básicos essenciais deve se sobrepor a divisões ideológicas. "A pessoa que chega na UPA do Paranoá, ela não quer saber se o fio de sutura para dar o ponto que ela precisa é de direita ou de esquerda. Ela quer o fio de sutura", declarou.
Outras propostas
O candidato também sustentou que sua plataforma de governo é respaldada pelo contato direto com a realidade das regiões administrativas do Distrito Federal. Ele afirmou ter percorrido diversas RA's ao longo dos últimos 19 meses, período em que diz ter morado temporariamente em residências de moradores locais e utilizado o sistema de transporte público coletivo para vivenciar as rotinas da população.
No pilar da educação, Cappelli disse que sua gestão pagará o maior salário do Brasil para os professores da rede pública de ensino. Na mobilidade urbana, o candidato detalhou o programa "Até 1 Hora", que pretende limitar a 60 minutos o tempo máximo de deslocamento dos trabalhadores entre as regiões administrativas e a área central do Plano Piloto. “Sei o que é passar duas horas no ônibus para sair de casa e ir para o trabalho, porque eu andei de ônibus em todas as cidades do DF”, ressaltou.
As propostas para a segurança pública foram apresentadas sob o lema "Tolerância Zero". Cappelli defendeu a ampliação do efetivo da Polícia Militar, a retomada do modelo de policiamento ostensivo e comunitário Cosme e Damião nas quadras residenciais e o fortalecimento dos investimentos tecnológicos na Polícia Civil.
O plano de governo também prevê o enfrentamento rigoroso aos casos de feminicídio no DF. “No meu governo, eu vou atrás de todos esses marginais que estão agredindo as mulheres. Isso é inaceitável”, frisou. Cappelli ainda defendeu a atuação de equipes multidisciplinares compostas por médicos, psicólogos e assistentes sociais para prestar assistência à população em situação de rua.
