
A atual governadora e candidata ao Governo do Distrito Federal (GDF), Celina Leão foi a última a participar das sabatinas com os postulantes ao Palácio do Buriti no Podcast do Correio. Às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, Celina falou sobre os projetos realizados nos meses que ficou à frente do governo e sobre propostas para o futuro. A candidata destacou as ações para reequilibrar as contas públicas, prioridade na saúde, proteção ao meio ambiente, entre outros assuntos.
A crise do BRB permeou toda a campanha. Seus adversários cobraram diariamente o balanço do banco. A senhora pode esclarecer como vai ficar a situação do banco?
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Meus adversários não estão preparados para a crise do BRB. Todas as alternativas que eles deram, não tinham a possibilidade de ser realizadas. O balanço do banco não está ligado ao calendário eleitoral, está ligado ao empréstimo que nós estamos fazendo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e agora também com uma instituição internacional, que está vendo a possibilidade de nos emprestar aquilo que seria emprestado pelo FGC. Não seria uma terceirização, seria o mesmo valor que estamos buscando aqui e agora estamos buscando também em mercados internacionais.
Vai ter privatização?
Estamos trabalhando para não ter. A saída mais rápida e mais fácil seria a privatização, mas a minha tentativa é para deixar o banco 100% público, para que continue tendo uma função social. Eu quero que o banco permaneça público.
A senhora acha que se a senhora for reeleita e Flávio Bolsonaro ganhar as eleições, haverá uma ajuda do governo federal para o BRB?
Com certeza absoluta. Eles falam do BRB, mas esqueceram quantas vezes o Vorcaro foi na Presidência da República, esqueceram sobre o líder do PT no Senado, esqueceram sobre a Casa Civil do Lula. Todos eles tinham ligação do Vorcaro. Eu nunca recebi o Vorcaro, não tenho o número dele. O PT tem.
A senhora vai dialogar com a oposição num eventual governo?
Eu sempre dialogo com todo mundo, eu faço isso todos os dias. Agora, no mandato, às vezes ligo para deputados do PT, e eles também me ligam. Acho que precisamos resgatar algumas capacidades do nosso país, de sentar na mesma mesa de uma pessoa que pensa totalmente diferente de você e ter respeito.
Se o Lula for reeleito, a senhora procuraria o governo federal para tratar do BRB?
Claro. Uma governadora não é dona do próprio ego, é preciso um espírito público de servir. Eu tenho uma posição muito clara de oposição ao PT. Mas eu não sou uma política desrespeitosa, acho muito feio. A educação deve caber em qualquer lugar, é preciso ter postura. Quando eu respeito, eu preciso ser respeitada. Por isso, fui para as redes sociais reclamar da forma como o presidente adjetivou a mim na Ceilândia.
Como será sua relação com a CLDF?
Tenho uma boa relação, já fui presidente da CLDF, deputada duas vezes. Eu acredito que vamos fazer de 17 a 18 deputados distritais.
Tem algum programa novo que a senhora vai anunciar, se eleita, para equilibrar o orçamento?
Conseguimos fazer isso com muito ajuste fiscal. Soltamos três decretos de diminuição dos gastos públicos. Hoje, os secretários não inventam gastos sem falar comigo. Eu tenho um freio de mão, um olhar sensível que nos possibilitou equilibrar as contas públicas nesse último balanço que publicamos. Mas isso é um cuidado diário. A prioridade é gastar nas áreas que sei que a população requer, como a saúde. Nesta semana, estamos separando R$ 50 milhões para cirurgias ortopédicas. Vamos operar três mil pessoas que estão na fila.
Já fizemos outras 20 mil cirurgias. Precisamos cortar gastos. Eu ocupei o Centrad, essa semana foi mais uma secretaria pra lá. Tenho certeza que esse movimento vai ser importante, principalmente para o desenvolvimento daquela região. As cidades estão bem cuidadas com o GDF na sua porta. Já estamos na 19ª edição. Sempre grandes obras de zeladoria. É um orgulho. Gastei quase R$ 50 milhões no Plano Piloto. Fazia anos que não reformaram as calçadas. O mais importante é a transferência do Centro Pop, que estamos tirando de uma área escolar. Eu estou mudando também o conceito. Queremos atender bem, que as pessoas tenham uma segunda chance. O espaço será totalmente diferente do que é hoje.
O número de secretarias continuará igual?
Uma reestruturação não é descartada. Estamos fazendo uma análise técnica de tudo, vendo o que tem projeto sobreposto, quem está fazendo a mesma coisa. Temos um projeto de choque de gestão após a eleição.
E as pessoas em situação de rua?
Eu não fiz de improviso o acolhimento das pessoas em situação de rua. Não tem mais hoje favelas dentro da cidade. Eu tirei, mas acolhi as pessoas. Eu mudei a chave do que era segurança pública e do que era saúde pública. Tudo do meu governo tem planejamento, não é governo de improvido. Com planejamento, gestão e determinação dá para fazer.
E a segurança pública e outras ações destinadas à qualidade de vida das pessoas?
Nós somos a cidade mais segura segundo o anuário da segurança. É claro que temos problemas de furto, roubo, moramos em um país violento. Estar em primeiro lugar não significa que não temos problemas. Criamos o DF 360, um programa de monitoramento. Consegui ter uma agilidade maior de quase 50% em mandados de prisão, por conta das câmeras. Com tecnologia e gestão, tem muita coisa boa acontecendo. Temos problemas, saúde é o maior deles. Mas muita coisa avançou. A 26 de Setembro está em obras, chegando asfalto na cidade. Na chácara Santa Luzia também. Hoje fui visitar um parque que criamos lá.
Há uma preocupação com o meio ambiente, proteção das nascentes e evitar o desmatamento. Quais são as suas propostas?
A nossa água aqui é de nascente, precisamos proteger as nascentes, isso não é mi-mi-mi, é uma política pública verdadeira. Desde quando virei governadora, criei sete parques, o primeiro foi o da Serrinha, que era uma demanda enorme naquela região. Temos que ter o desenvolvimento com preservação ambiental. Assinamos também o reflorestamento do córrego Heringer e todo o rio Melchior também, são R$ 8 milhões para 200 mil mudas que serão plantadas. E precisamos trabalhar também a educação, as pessoas continuam jogando lixo no lugar errado, depredando o meio ambiente. Queremos ampliar a educação ambiental dentro das escolas. Queremos fazer um grande programa de preservação do meio ambiente, determinei que a Caesb fizesse um mapeamento de todas as nossas nascentes para imediata preservação. Em quatro meses, fiz mais parques do que o governo todo em quatro anos.
Como vai combater a grilagem?
Combate à grilarem acontece todo dia. Assinei um decreto de doação de 10 mil lotes e vou combater a grilagem. Os primeiros 2 mil estão indo para pessoas com deficiência que estavam na fila. Estamos ampliando a parte de tecnologia. Estamos montando uma central de monitoramento com os auditores do DF Legal que se chama Monitora DF.
Vai ser possível ter reajustes e concursos?
Quando assumi o governo, o Inas (plano de saúde dos servidores) tinha um deficit de R$ 280 milhões. Nós resolvemos isso, pagamos as contas. Hoje, tenho R$ 50 milhões em caixa. Fiz isso organizando o orçamento. Melhoramos o combate à sonegação. Ano que vem vai ser muito importante, porque há uma decisão judicial que determina que a CLDF tem que investir 50% de suas emendas na saúde. Isso vai nos ajudar muito. Vamos ter quase R$ 500 milhões de investimento dos parlamentares. Eles vão poder escolher, mas é um reforço. Vou fazer um cardápio de opções, mas a decisão final será deles.
Qual sua mensagem final para o eleitor?
Quero agradecer por esta caminhada. Percebemos esperança e expectativa no nosso governo. Fiz uma campanha limpa, decente. Foram todos contra Celina. É hora de mostrar que tem espaço para as mulheres governar. Isso é uma grande quebra de paradigma, ser a primeira mulher eleita do DF. Quero pedir o seu voto pelas 20 mil cirurgias, pelas 200 mil consultas, 19 GDF na Sua Porta, 13 mil crianças TEA que estamos atendendo, pela Casa da Mãe Atípica que abrimos, pelo Centro de Autismo, por esse olhar perto das pessoas. Por alguém que se preocupa com a saúde de verdade, por equilibrar as contas públicas, por ocupar o Centro Administrativo. Estamos preparadas para governar. Isso me enche de responsabilidade e muita humildade. Precisamos continuar o que está bom e mudar o que precisa.
Cidades DF
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