
Reeleito para o sexto mandato como deputado distrital com mais de 50 mil votos, Chico Vigilante (PT) foi o convidado do programa CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília. Aos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza, o parlamentar com quase cinco décadas de trajetória na capital abordou a presença de Lula no DF, criticou o avanço do bolsonarismo e cobrou a CPI do BRB, além de defender pautas para idosos e a população de rua.
O senhor vai ser o cicerone do presidente Lula na passeata desta sexta-feira em Ceilândia. E conhece a história de Brasília como poucos, desde 1977.
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Exatamente. É a segunda vez nesta campanha que o Lula vai a Ceilândia. E ele escolheu essa segunda vez. Tem um momento muito bonito, do encerramento da campanha de 1989, quando nós ganhamos a eleição em Brasília. Se dependesse daqui, o Lula teria sido presidente já em 1989. Fui o coordenador da campanha. Quando subi naquele palanque na cerca do Itamaraty, vi aquele palanque tremer e vi aquele mar de gente. Tinha mais gente do que na vinda do papa! Fico com saudade e emoção lembrando disso. Fomos a pé da Esplanada até o aeroporto para levar o Lula.
Como o senhor avalia a eleição de jovens deputados de extrema direita, bolsonaristas radicais, que colocam o PT como o "grande demônio"?
Esses bolsonaristas tiveram uma vida muito confortável no Plano Piloto. Minha vida política foi para mudar a realidade dos trabalhadores. Pegamos uma categoria que nem existia, a dos vigilantes, e fizemos a primeira greve em 1979, há 45 anos. Transformou-se numa profissão respeitada. Fui presidente da CUT e do PT. Foi o PT que levou a UnB para o Gama e para a Ceilândia, com o curso de medicina. Eu lamento que esses jovens não estudem a história do Brasil, não conheçam nada da realidade. As redes sociais foram dominadas pela extrema direita e ali não se informa nada. As pessoas perderam o hábito de ler, vivem num mundo paralelo. Uma dizendo que não tem feminicídio, e outra dizendo que é para sair para a rua com chibata, chicotear as pessoas. É esse mundo que a gente encontra hoje... E a gente precisa aprender a lidar com as redes sociais.
Qual é o cenário que o senhor vislumbra para o Brasil diante de declarações como as do Flávio Bolsonaro?
Se você prestar atenção numa coisa que ele disse, de que se ganhar a eleição eles vão dominar por décadas, a ditadura militar durou duas décadas e meia, 25 anos de ditadura. Se o cara está dizendo que se ganhar a eleição vai dominar o país por décadas, ele tá dizendo que vai implantar uma nova ditadura! Porque na democracia tem a possibilidade da alternância de poder. Para mandar por décadas, só implantando uma ditadura, e é isso que eles querem. Tentaram um golpe, e para quem diz que não teve tentativa de golpe, eu afirmo, como presidente da CPI que investigou os atos do 8 de janeiro: era golpe! E os caras planejaram matar o Lula, matar o Alexandre de Moraes e matar o Alckmin.
Quais são as prioridades que o senhor pretende levar para a Câmara Legislativa no próximo mandato, considerando os problemas atuais do DF, especialmente a situação do BRB?
A primeira questão que tem que ser imediatamente apresentada é o balanço do BRB. A governadora uma hora falou que ia buscar dinheiro no BID, agora está dizendo que vai buscar dinheiro no BNDES. Não sabe o que fala! Como é que vai colocar dinheiro dentro do BRB sem saber qual é o balanço? Alguém bota dinheiro num banco sem saber? A história do BRB, que tá mal contada ainda e precisa ser contada no seu todo, é o maior assalto da história do mundo todo! (...) Na hora que eu tomar posse, já estou pronto. Já estou com o requerimento, vou buscar assinatura de quem quer o bem do Distrito Federal para a gente instalar a CPI do BRB na próxima legislatura.
Mas a maioria dos deputados que votou a favor da operação de compra do Master se reelegeu. O senhor acha que vai conseguir as assinaturas necessárias para a CPI?
Espero que eu consiga. Nós vamos ter 7 deputados de oposição, precisamos de mais um que assine, e aí quem for o presidente vai ter que instalar a CPI.
Além do BRB, quais outras pautas o senhor pretende focar na CLDF?
Temos hoje 520 mil idosos no DF sem nenhum atendimento especial. As calçadas são armadilhas: a pessoa cai, quebra o fêmur e morre no hospital por não ter como operar. Temos que ter calçadas, iluminação e academias de verdade. Outra situação é a população de rua. Falam em três mil, mas são muito mais de 12 mil espalhados por aí. Internação compulsória não resolve. Vamos cuidar dos animais, mas vamos cuidar dos seres humanos também, que sequer têm onde tomar um banho.
O senhor acredita na virada de Leandro Grass no segundo turno e no diálogo com o eleitor de direita?
Eu acredito na virada e na capacidade de convencimento. Temos cerca de 400 mil eleitores que não compareceram para votar, vamos chamá-los.
Confira a entrevista na íntegra:
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