
O Correio ouviu dos dois candidatos a avaliação sobre os números da sexta e última rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, que indicou liderança de Celina Leão (PP) na corrida ao Governo do Distrito Federal (GDF) na reta final do segundo turno. O levantamento mostra a atual governadora com 59,3% dos votos válidos — descontados os brancos e nulos —, enquanto Leandro Grass (PT) registra 40,7%.
Com 50,1% na consulta espontânea, Celina apontou as entregas à frente do GDF como responsáveis pelo resultado favorável. "A pesquisa reflete muito o trabalho que estamos fazendo, e tenho certeza de que vamos continuar fazendo. É o meu ritmo de trabalho, algo extremamente natural. Vou conseguir ter ainda mais ritmo fora da campanha, continuar trabalhando e conhecendo as pessoas. Sou uma governadora que anda e vamos continuar entregando", afirmou.
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Leandro Grass, citado espontaneamente por 34% dos consultados, contrapôs o resultado do levantamento e disse seguir trabalhando pela virada até o final. "Se a maioria das pesquisas do primeiro turno estivesse certa, nós não estaríamos no segundo turno. Quem decide o resultado é o povo, na urna. Até o último minuto possível, seguirei incansável conversando com as pessoas uma a uma, virando voto com diálogo e mostrando a diferença entre nossas propostas", destacou.
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Entre os entrevistados, 0,4% apontou outro candidato, 7,1% disseram que vão votar em branco, nulo ou em nenhum, e 8,5% não souberam avaliar. Quando os dois concorrentes do segundo turno foram identificados para o eleitor, na consulta estimulada, 54,6% disseram que preferem Celina, e 37,5%, Leandro Grass. Outros apontam 5,7% vão de branco, nulo ou não votarão em nenhum dos dois e 2,2% não têm nenhuma preferência.
Dos eleitores de Celina, 89,2% afirmaram que a decisão sobre votar na candidata do PP é definitiva. Enquanto 10,1% disseram que podem mudar e 0,7% não souberam se podem voltar atrás. Entre os que votam em Leandro Grass, o percentual de convicção é ainda maior: 94,2% não vão trocar de candidato, e 5,8% ainda podem rever essa posição.
Cenário
No primeiro turno, as urnas confirmaram o favoritismo de Celina Leão, que alcançou 49,93% dos votos válidos, seguida por Leandro Grass com 34,47%. Por uma diferença de 0,7%, correspondente a 168 votos, o duelo foi para o segundo turno e será decidido neste domingo.
Adriano Cerqueira, cientista político e professor do Ibmec BH, avaliou que a predileção por Celina Leão apresentada na aprovação do governo, de 51,9% dos entrevistados, é refletida no percentual de votantes. "Se os dados da pesquisa forem confirmados nas urnas, ela está eleita e isso indica que a campanha dela, ao trabalhar com o que ela fez durante o governo, os feitos dela, funcionaram. O sentimento de continuidade predominou", afirmou. "Ela ressaltou as conquistas da gestão, mostrou que sendo reeleita, a boa avaliação da gestão vai continuar. Essa foi a principal qualidade da campanha da Celina", avaliou.
Na campanha de Leandro Grass, no entanto, o especialista indicou que o trabalho não foi suficiente para uma virada. "Foi um esforço, uma tentativa de trabalhar o eleitor insatisfeito com alguns pontos específicos do governo. A pesquisa mostra que não foi tão eficaz assim. Nesse sentido, não há muito o que fazer, porque há uma consolidação do voto do eleitor do DF a favor da Celina. Foi por pouco que ela não ganhou no primeiro turno, então a reversão disso fica muito difícil", ressaltou.
Cientista político e sócio da Hold Assessoria, André César avaliou o desempenho de Leandro Grass como bom, considerando a rejeição do partido do candidato no Distrito Federal. "O PT perdeu muito espaço no DF. O eleitor médio do DF se torna mais e mais conservador. Chegar com 40% no segundo turno é um desempenho a ser louvado", classificou.
A campanha de Celina, de outro lado, conseguiu se afastar da figura do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice, na visão de César. "Ela conseguiu não se intoxicar pela figura do Ibaneis. Nesse sentido, ela faz uma campanha boa, bem estruturada e vai colher os frutos. É um jogo jogado, eu diria", avaliou.
Efeitos
Em uma eleição marcada pela polarização, o cientista político e professor do Ibmec RJ, Leonardo Paz, ressaltou que o cenário de divergências gera um duplo efeito no eleitorado: enquanto esvazia o debate de propostas, também impulsiona a abstenção. "A polarização cansa o cidadão, mas também acirra os ânimos. O cidadão fica incomodado com a disputa eleitoral em termos de inimizade, você tem dificuldade de debater política concreta, de debater programas, planos, e fica só no campo da acusação, no campo da ofensa. Obviamente, isso aliena muito o cidadão enquanto eleitor", afirmou o especialista.
Por outro lado, Paz enfatizou que essa divisão funciona como um motor de mobilização, ainda que baseado na rejeição mútua e não na afinidade com projetos políticos. "Muita gente se mobiliza para ir votar, mas não para votar num plano que acredita, numa ideologia que confia ou num candidato que o representa, mas sim em antagonismo. Ele vai para a urna basicamente para tentar combater que alguma força política chegue ao poder", explicou o professor, que classificou o fenômeno como "um efeito colateral negativo das disputas de ideologias no processo eleitoral".
Reta final
Para os últimos dois dias de campanha, o cientista político André César pontuou que os candidatos devem manter o discurso e as propostas apresentadas desde o início da campanha. "Não tem mais o que fazer. Quando você abre as urnas, você tem surpresas. Mas, no caso, eu vejo dificuldades para o Grass conseguir avançar, mesmo alterando rota, mudando alguma coisa, tentando falar com esse eleitor mais conservador, não vejo possibilidade. Acho que a Celina está com uma vantagem confortável", disse.
Sobre os eleitores indecisos e que preferiram votar em branco ou nulo, Adriano Cerqueira afirmou que o trabalho dos candidatos precisa ser voltado para o convencimento do eleitor. "Você tem aqueles indecisos que no primeiro turno tendiam para outros candidatos e que no quadro de polarização tendem a buscar um dos dois. Esse indeciso do primeiro turno, em parte, foi convertido em eleitor no segundo turno e a Celina teve uma boa vantagem nesse sentido. Quem está insatisfeito e não encontra opção no candidato da oposição, ele insatisfeito permanecerá", explicou.
Na visão do professor, uma possibilidade para aumentar as chances de Grass no DF era demonstrar uma maior capacidade enquanto candidato, descolando-se, por exemplo, da figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ele tem que se mostrar mais independente em relação à eleição nacional e conseguir trabalhar o convencimento desse eleitor indeciso de que a sua insatisfação pode encontrar nele uma opção favorável", disse.
Cerqueira ressaltou que, após três semanas de campanha para o segundo turno, há eleitor que ainda está indeciso, tem grandes chances de se abster ou anular o voto. "Dificilmente vai se convencer, de uma forma significativa, para qualquer um dos dois lados. Acredito que o quadro de votação está estabilizado nessa altura dos acontecimentos", destacou.
Sobre a campanha de maneira geral, André César a considerou tranquila, e pontuou que esperava que fosse mais focada na questão do Banco de Brasília (BRB). "O eleitor está preocupado com os boletos, com as questões do dia a dia, com as contas dele, a segurança, a saúde, questões bem mais específicas. Foi uma campanha até bem colocada", ressaltou.
A pesquisa
A margem de erro do levantamento é de 3,3 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. Registrada na Justiça Eleitoral com o número DF-08851/2026, a pesquisa foi a campo entre 16 e 19 de outubro, com 1.006 entrevistas presenciais em 31 regiões administrativas.
Colaborou Iago MacCord
Cidades DF
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