DEFESA CIVIL

Mais de três mil pessoas vivem em áreas de risco no DF

Alagamentos, deslizamentos de terra e processos graves de erosão do solo são alguns dos riscos enfrentados com a chegada da estação chuvosa em 23 áreas mapeadas pela Defesa Civil do DF

Na última chuva, a casa de Matias foi invadida pela água e a cerca caiu -  (crédito:  Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press)
Na última chuva, a casa de Matias foi invadida pela água e a cerca caiu - (crédito: Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press)

Com a chegada do período chuvoso no Distrito Federal, mais de três mil pessoas vivem sob risco de enxurradas, alagamentos e deslizamentos em 23 áreas mapeadas. Os dados são do Demonstrativo Social 2026, elaborado pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, vinculada à Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), e publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF). 

O Correio esteve em duas áreas de risco do DF para ouvir moradores sobre os temores com a chegada do período chuvoso. A lista inclui localidades de Arniqueira, Fercal, Núcleo Bandeirante, Planaltina, Recanto das Emas, Riacho Fundo I, Setor Habitacional Água Quente, SCIA, Sobradinho II, Sol Nascente, Vicente Pires e Pôr do Sol.

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Na Fercal, a situação preocupa quem vive no Morro Queima Lençol, classificada com nível de risco "Muito alto". Segundo o mapeamento da Defesa Civil, a região está sujeita a voçorocas, movimentação de massa, alagamentos, escorregamentos, incêndios e inundações. Segundo relatos, quando chove, uma grande depressão no solo acumula água e lama, formando um pequeno curso d'água. A área também é marcada por ladeiras íngremes e casas que ficam no meio da concavidade que aparenta ter cerca de 15 metros de altura. 

Lavrador de 54 anos, Carlucio da Silva conta que teme a queda de árvores durante as chuvas. Segundo ele, galhos que caem sobre a casa provocam sustos e noites sem dormir. "A gente fica pensando que é ladrão por causa do barulho e nem dorme. Tenho medo da árvore cair", relata. O morador também demonstrou preocupação com a proliferação do mosquito da dengue durante o período chuvoso.

  • Carlucio tem medo da queda de árvores durante as chuvas
    Carlucio tem medo da queda de árvores durante as chuvas Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press
  • Vicente Pires acumula histórico de problemas provocados por temporais
    Vicente Pires acumula histórico de problemas provocados por temporais Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press
  • Vicente Pires acumula histórico de problemas provocados por temporais
    Vicente Pires acumula histórico de problemas provocados por temporais Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press
  • Grande depressão no solo acumula água e lama no Morro Queima Lençol, na Fercal
    Grande depressão no solo acumula água e lama no Morro Queima Lençol, na Fercal Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press

Em Vicente Pires, a preocupação está concentrada na Rua 8, na Chácara 292, na Vila São José. A via tem uma ladeira íngreme e reúne diversas residências. O asfalto foi colocado no início de setembro, mas moradores temem que a estrutura não esteja firme para suportar o volume de água das próximas chuvas. A região acumula um histórico de problemas provocados por temporais, como alagamentos e danos a imóveis.

Matias Paes, 44, motofretista, afirma que os transtornos se repetem a cada período de chuva. Na última ocorrência, a casa dele foi invadida pela água e a cerca do imóvel caiu. "Causa transtorno para todos os moradores. Depois da instalação de esgoto, teve até cratera na rua. Estamos aguardando a próxima chuva, sem muito o que fazer. Esse asfalto não parece resistente, porém, quando não tinha asfalto, sempre tinha carro deslizando na rua", afirma.

Veja AQUI quais são as áreas mapeadas.

Mudanças climáticas

O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Olivio Bahia explica que a intensidade da chuva em um curto intervalo de tempo pode ser mais determinante para a ocorrência de alagamentos do que o volume total de precipitação. Segundo ele, mesmo chuvas de menor volume podem provocar transtornos, especialmente em locais com infraestrutura inadequada.

"Uma chuva de 15 milímetros em 20 minutos, por exemplo, pode causar alagamentos, principalmente em áreas sem estrutura adequada de drenagem. Se vier acompanhada de vento ou granizo, os impactos também podem ser maiores. Nem sempre o volume de chuva indica qual será a área mais afetada. Mesmo locais bem estruturados podem sofrer consequências, dependendo da quantidade de água que cai em um intervalo curto".

Em nota, a Subsecretaria do Sistema de Defesa Civil (Sudec), disse que monitora áreas de risco para identificar ameaças e vulnerabilidades geotécnicas, estruturais e ambientais. "A Defesa Civil realiza o mapeamento das áreas de risco existentes no Distrito Federal, as quais são monitoradas periodicamente, de modo a promover ações que possam mitigar os riscos existentes, bem como antever fatores anormais e provocadores de situações de emergência ou calamidades", informou o órgão.

Orientações

Antes das chuvas:

» Acompanhe a previsão do tempo e conheça os riscos da sua região;

» Mantenha calhas e ralos limpos e não descarte lixo ou entulho nas ruas;

» Observe sinais de deslizamento, como rachaduras no solo e nas paredes;

» Evite estacionar perto de árvores e postes.

Durante as chuvas:

» Desligue os aparelhos elétricos e, se necessário, o quadro geral de energia e os registros de água e gás;

» Em caso de alagamento, procure locais altos e proteja documentos e objetos de valor;

» Se houver rachaduras, infiltrações ou movimentação de árvores e postes, deixe o imóvel imediatamente;

» Nunca atravesse ruas alagadas a pé ou de veículo e evite contato com a água da enchente.

De acordo com a Defesa Civil, em caso de emergência, saia imediatamente da área de risco e acione o Corpo de Bombeiros pelo 193. Para receber alertas de chuva por SMS, envie o CEP da sua residência para 40199.

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postado em 29/10/2026 05:00
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