Homenagem

Cemitérios se preparam para receber 400 mil pessoas no Dia de Finados

Com horário ampliado e vans gratuitas, cemitérios da capital devem receber cerca de 400 mil visitantes. A data movimenta o comércio de flores e reúne momentos de fé, mas também traz desabafos sobre abandonos e furto de placas em jazigos

Sem o serviço básico prestado no local, Adativa Veras, de 81 anos, precisa usar a própria tesoura para cortar a grama e manter o jazigo limpo -  (crédito: Isabela Berrogain/CB/DA.Press)
Sem o serviço básico prestado no local, Adativa Veras, de 81 anos, precisa usar a própria tesoura para cortar a grama e manter o jazigo limpo - (crédito: Isabela Berrogain/CB/DA.Press)

O Dia de Finados no Distrito Federal exige uma operação logística robusta para receber as cerca de 400 mil pessoas esperadas nos seis cemitérios administrados pela concessionária Campo da Esperança — Asa Sul, Taguatinga, Gama, Sobradinho, Planaltina e Brazlândia. Para o feriado, as unidades terão horário ampliado amanhã: abrirão uma hora mais cedo, às 7h, com entrada de visitantes permitida até as 18h, e encerramento das atividades às 19h. O atendimento administrativo funcionará das 7h às 18h, e o suporte telefônico atenderá até as 19h, enquanto velórios e sepultamentos ocorrerão normalmente durante todo o dia.

No trânsito e na circulação interna, o acesso de veículos na Asa Sul, Taguatinga, Gama e Sobradinho será restrito exclusivamente a carros com autorização de vaga especial (para idosos, pessoas com deficiência ou autistas) emitida pelo Detran-DF, sendo totalmente proibido em Planaltina e Brazlândia. Para facilitar o deslocamento dos visitantes, vans gratuitas circularão com intervalo médio de 15 minutos nas quatro maiores unidades, partindo da entrada principal.

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Além disso, computadores estarão disponíveis em todos os cemitérios para a consulta rápida da localização dos jazigos mediante a digitação do nome completo do sepultado — contando com seis terminais e totens na Asa Sul e em Taguatinga, três no Gama e um em cada uma das demais unidades.

A segurança e a fiscalização externa serão reforçadas pela atuação conjunta da Secretaria de Segurança Pública, Polícia Militar, Polícia Civil, Detran-DF, DER-DF, Corpo de Bombeiros, DF Legal e administrações regionais. A presença de vendedores ambulantes no interior dos cemitérios não será permitida, ficando a fiscalização a cargo dos órgãos do GDF.

A equipe de segurança particular da concessionária também atuará de forma intensificada nas dependências internas.

Em paralelo à movimentação nos cemitérios, espaços de fé do DF realizam programações especiais para acolher as famílias. O Templo da Boa Vontade (TBV), na Asa Sul, promove o tradicional Plantão de Assistência Espiritual "Os mortos não morrem", oferecendo preces de hora em hora, mensagens ecumênicas, momentos de meditação e apresentações musicais. A Arquidiocese de Brasília também escalou representantes para a celebração de missas em todos os cemitérios da capital ao longo do dia, oferecendo conforto espiritual aos frequentadores.

Cobranças

O feriado também é marcado por fortes cobranças e relatos de insatisfação por parte dos frequentadores em relação à manutenção e à segurança dos jazigos. No cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, familiares que preferiram não se identificar expressaram revolta com o estado de abandono do espaço e revelam que buscaram a administração do local para registrar reclamações.

"Qualquer um entra e mete a mão, arranca as placas… É uma falta de respeito. Até porque a gente paga, e nem a manutenção básica tem", desabafou uma mãe que teve o filho assassinado. Outra filha relatou ter caído em um golpe no qual estelionatários cobraram R$ 150 para uma suposta limpeza que nunca foi feita, culminando no furto das placas do jazigo: "Nem os que morreram têm sossego".

A aposentada Adativa Veras, 81, que visita o túmulo do marido há mais de duas décadas, reforça as críticas à gestão da concessionária. Moradora de Sobradinho, ela aponta que a falta de conservação é crônica. "Pago caro na mensalidade e, infelizmente, não há manutenção. Já abri várias ouvidorias, e nada", relatou, destacando que os próprios frequentadores costumam limpar e aparar a grama ao redor dos túmulos.

"É um absurdo chegar no feriado de Finados e ver lápides quebradas, castiçais tortos e o terreno desnivelado. Eles não fazem o mínimo, que é passar uma máquina na grama." Adativa também criticou o descaso estrutural com o crematório inaugurado recentemente e a desorganização espacial dos jazigos.

"Eles movem até a posição dos jazigos, então talvez a gente nem esteja em cima do nosso parente. Eles não podem querer só o lucro, tem que haver uma contrapartida." Procurada pela reportagem para comentar as denúncias, a administração da concessionária não retornou até o fechamento desta edição.

Expectativa no comércio

O impacto da data se estende também ao setor econômico da capital, impulsionando o comércio de flores, velas e coroas, como trazido pelo Correio na edição de ontem. Segundo levantamento do Instituto Fecomércio-DF, o tíquete médio da população para as homenagens póstumas saltou de R$ 60,33 no ano passado para R$ 110,59 neste ano, representando um crescimento expressivo de 83,3%. Cerca de 74% dos lojistas projetam vendas superiores às de 2025, impulsionados pela procura por rosas (que lideram a preferência com 19,5% das vendas), crisântemos (18,67%) e lírios (14,52%).

Nas floriculturas locais, os empresários dividem-se entre o otimismo com o reforço nos estoques — com arranjos variando de R$ 8 a R$ 100 — e a concorrência com supermercados e vendedores informais. Para além dos números da economia, o movimento nos balcões e a intensa peregrinação aos cemitérios refletem, em sua essência, a permanência do afeto e a necessidade coletiva de honrar a memória de quem partiu. (Colaborou Davi Cruz)

 

  • Frequentadores reclamam da conservação das pedras e placas
    Frequentadores reclamam da conservação das pedras e placas Foto: Isabela Berrogain/CB/DA.Press
  • Com lápides quebradas e terreno desnivelado ao redor, Adativa Veras, de 81 anos, leva uma cesta com itens próprios para cuidar da sepultura do marido
    Com lápides quebradas e terreno desnivelado ao redor, Adativa Veras, de 81 anos, leva uma cesta com itens próprios para cuidar da sepultura do marido Foto: Isabela Berrogain/CB/DA.Press
  • Lápide sem identificação do sepultado reflete o problema recorrente do furto de placas e do abandono nos jazigos da capital
    Lápide sem identificação do sepultado reflete o problema recorrente do furto de placas e do abandono nos jazigos da capital Foto: Isabela Berrogain/CB/DA.Press
  • Adativa Veras recorre a ouvidorias para cobrar melhorias do local
    Adativa Veras recorre a ouvidorias para cobrar melhorias do local Foto: Fotos: Isabela Berrogain/CB/DA.Press
  • Cemitério da capital se preparam para receber cerca de 400 mil pessoas com horário ampliado e vans gratuitas para deslocamento interno
    Cemitério da capital se preparam para receber cerca de 400 mil pessoas com horário ampliado e vans gratuitas para deslocamento interno Foto: Isabela Berrogain/CB/DA.Press
  • As unidades do DF contam com terminais e totens de consulta rápida para ajudar a localizar sepulturas
    As unidades do DF contam com terminais e totens de consulta rápida para ajudar a localizar sepulturas Foto: Isabela Berrogain/CB/DA.Press
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postado em 01/11/2026 06:30 / atualizado em 01/11/2026 08:45
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