ALERTA

Especialista explica cuidados com superbactéria que fechou UTI em SP

Superbactéria multirresistente é portadora de uma enzima conhecida como KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) e infectou sete pacientes em um hospital de Campinas, em São Paulo

Faixada do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas (SP) -  (crédito: Google Maps)
Faixada do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas (SP) - (crédito: Google Maps)

A UTI adulta de um hospital situado em Campinas (SP) acabou fechada temporariamente pela presença de uma superbactéria. Identificada na área de terapia intensiva do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, a superbactéria multirresistente é portadora de uma enzima conhecida como KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) e infectou sete pacientes. Por isso, internações foram temporariamente suspendidas no local a partir da última terça-feira (10/3). 

Ao Correio, a Rede Dr. Mário Gatti, responsável pela administração do hospital, informou, via comunicado enviado pela Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, que a situação "pode ocorrer em ambientes hospitalares de alta complexidade" (veja a nota completa ao final da matéria). Além disso, ainda afirmou monitorar "rotineiramente" o espaço.

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A rede também confirmou que um plano de contingência para interromper o surto foi instituído, como medida preventiva e de segurança assistencial. A UTI Adulto não receberá pacientes enquanto o surto ainda estiver ocorrendo. Uma data exata para a normalização das atividades ainda não foi divulgada.

Enquanto isso, novos pacientes serão transferidos para leitos para o Hospital Ouro Verde ou para vagas em outras unidades. No local onde houve surto, equipes de limpezas exclusivas e específicas foram acionadas.  

Especialista alerta para pouca quantidade de alternativas para tratamento

Em entrevista ao Correio, o infectologista André Bon explica que, em razão da natureza da bactéria em questão, poucas alternativas de tratamento podem surtir efeito em pacientes contaminados. De acordo com o especialista, a sigla KPC se refere a uma enzima produzida por certas espécies de bactérias. Esta enzima, quando produzida pela bactéria, determina resistência à uma classe de antimicrobianos (quaisquer substâncias que combatem microrganismos, como bactérias), chamada de carbapenemas.

"A KPC é uma enzima produzida por algumas espécies de bactéria gram-negativas e possui este nome por ter sido descoberta originalmente em um germe chamado Klebsiella pneumoniae. Sua importância provém de que os carbapenemas são antimicrobianos de amplo espectro, representando uma das fronteiras da terapia antibiótica. Assim, em bactérias produtoras de KPC, poucas alternativas de tratamento existem", explica.

Conforme Bon, o principal meio de contágio ocorre por meio das mãos. Assim, as bactérias portadores de KPC podem não apenas colonizar alguns pacientes, mas, também, o ambiente ao redor. Dessa forma, a higiene de mãos bem feita por todos os indivíduos em contato com os pacientes contaminados, assim como uma higiene ambiental bem feita, são primordiais para prevenir a disseminação hospitalar da bactéria. 

"As bactérias produtoras de KPC não surgem do nada e nem sempre se disseminam através da transmissão entre pacientes ou do ambiente. O principal fator relacionado ao surgimento de bactérias produtoras de KPC é o uso antimicrobianos. Ao usar um antibiótico para tratar uma infecção, o antimicrobiano mata não só a bactéria que está causando a doença, mas, também, as bactérias susceptíveis no resto do corpo", salienta. 

"Assim, o que resta, são as bactérias resistentes, que se proliferam e passam a ser a principal população de germes, colonizando aquele indivíduo no período em que ele está em uso de antibiótico, e por alguns dos meses seguintes. Portanto, ao usar antimicrobianos da classe dos carbapenemas, é esperado que o paciente fique colonizado por bactérias resistentes a este agente", completou.

É, também, primordial fazer uso adequado de antimicrobianos, de acordo com o infectologista. Bon ressalta que o uso adequado inclui tanto a indicação, ou seja, o uso de antibiótico somente para tratar infecções bacterianas, quanto a escolha do medicamento e pelo período de tempo adequado, o menor necessário.  

Leia a nota na íntegra enviada pela Rede Dr. Mário Gatti:  

"A Rede Municipal Dr. Mário Gatti informa que identificou sete pacientes internados na UTI Adulto do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti com a bactéria multirresistente KPC, situação que pode ocorrer em ambientes hospitalares de alta complexidade e que é monitorada rotineiramente pelas equipes assistenciais e pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.

Como medida preventiva e de segurança assistencial, foi instituído um plano de contingência com o objetivo de interromper o surto, e a UTI Adulto não receberá novos pacientes a partir desta terça-feira, 10 de março, temporariamente. A medida provisória foi adotada de forma técnica para garantir maior controle epidemiológico e segurança no cuidado.

Os sete pacientes com a bactéria serão mantidos isolados em um salão da UTI do hospital, com equipe exclusiva para eles, e os demais da ala serão transferidos para leitos de mesma complexidade na rede. Também haverá reforço das medidas de limpeza e desinfecção.

Novos pacientes que necessitarem de UTI serão transferidos para leitos no Hospital Ouro Verde ou para vagas em outras unidades por meio da central de regulação municipal. A central e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já estão orientados a não enviar pacientes com necessidade de UTI para o Mário Gatti.

O plano de contingência foi encaminhado no final da manhã desta segunda-feira, 9 de março, ao Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) e está sob análise.

Outras medidas já vinham sendo adotadas, como limpezas terminais de leito, intensificação de higienização de mãos e treinamentos para equipes de higiene e limpeza. A situação está sendo acompanhada continuamente pelas equipes técnicas, e as medidas serão mantidas até a completa estabilização do cenário assistencial.

A Rede Municipal Dr. Mário Gatti reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, a qualidade da assistência e a transparência nas informações prestadas à população."

 

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postado em 12/03/2026 22:00
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