SAÚDE

Plantas comuns encontradas no quintal de casa que são tóxicas

O biólogo e doutor em botânica Marcelo Kuhlmann separou as oitos plantas mais comuns nas casas dos brasileiros que demandam atenção

Espirradeira 
 -  (crédito: Reprodução/Freepick)
Espirradeira - (crédito: Reprodução/Freepick)

Muitas plantas cultivadas em jardins e quintais brasileiros podem representar riscos à saúde de pessoas e animais domésticos, embora sejam utilizadas principalmente com fins ornamentais. Algumas espécies têm compostos químicos capazes de provocar irritações, intoxicações e até problemas cardíacos quando ingeridas ou manipuladas de forma inadequada.

Para quem tem crianças pequenas e animais domésticos, o biólogo recomenda redobrar o cuidado pois são considerados os grupos mais vulneráveis, já que exploram o ambiente com mais curiosidade e podem levar folhas ou frutos à boca.

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De acordo com o biólogo e doutor em botânica Marcelo Kuhlmann, diversas plantas populares pertencem as famílias botânicas conhecidas por concentrar substâncias tóxicas naturais como araceae, apocynaceae, euphorbiaceae, solanaceae e rubiaceae e os efeitos da exposição dependem da espécie e da quantidade ingerida.

1. Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia spp.)

Muito comum em casas e jardins, tem cristais de oxalato de cálcio que pode provocar forte irritação na boca e garganta, inchaço da língua, salivação intensa e dificuldade para engolir quando mastigada.

2. Lírio-da-paz (Spathiphyllum spp.)

Também bastante presente em diversas casas, contém cristais de oxalato de cálcio e pode causar os mesmos sintomas da comigo-ninguém-pode, só que além da mastigação, até o contato pode causar ardência na boca, irritação na garganta e inflamação na mucosa.

3. Espirradeira (Nerium oleander)

Outra espécie amplamente utilizada no paisagismo urbano é a espirradeira (Nerium oleander), um arbusto com flores vistosas que se adapta bem ao sol forte e à seca. Segundo o especialista, todas as partes da planta contêm glicosídeos cardíacos, substâncias que podem interferir no funcionamento do coração se ingeridas. Todas as partes da planta contêm glicosídeos cardíacos, substâncias que podem provocar náuseas, vômitos e alterações no ritmo do coração quando ingeridas.

4. Coroa-de-cristo (Euphorbia milii)

Entre as plantas ornamentais populares também está a coroa-de-cristo (Euphorbia milii), cuja seiva branca pode causar irritação na pele e nos olhos quando entra em contato direto. 

5. Mamona (Ricinus communis)

A famosa mamona (Ricinus communis), que às vezes nasce espontaneamente em quintais, possui sementes com ricina, considerada uma toxina potente que pode causar intoxicação grave se ingerida.

6. Erva-do-diabo (Datura spp.)

Planta que produz alcaloides tóxicos, capazes de provocar alucinações, intoxicação e problemas neurológicos quando ingerida.

7. Trombeta ou saia-branca (Brugmansia suaveolens)

Muito cultivada em jardins. Também possui alcaloides tóxicos que podem causar confusão mental, alterações neurológicas e intoxicação.

8. Erva-de-rato ou café-bravo (Palicourea marcgravii)

Considerada uma das plantas mais tóxicas do Brasil, extremamente perigosa por conter ácido monofluoracético, substância que pode causar morte súbita em animais, especialmente bovinos.

Beleza e risco 

Mesmo com potencial tóxico, muitas dessas espécies continuam sendo amplamente cultivadas. Além da beleza de algumas segundo Kuhlmann, isso acontece porque várias delas são resistentes, fáceis de cuidar e possuem grande valor ornamental. 

O especialista ressalta que o fato de uma planta ser tóxica não significa necessariamente que ela represente perigo constante. Em muitos casos, o risco surge apenas quando há ingestão ou contato inadequado com partes da planta.

Confira imagem das plantas: 

  • Comigo-ninguém-pode
    Comigo-ninguém-pode Reprodução/Freepick
  • Lírio-da-paz
    Lírio-da-paz Reprodução/Freepick
  • Espirradeira - uma das plantas comuns no quintal podem ser tóxicas e representar risco para crianças e animais
    Espirradeira - uma das plantas comuns no quintal podem ser tóxicas e representar risco para crianças e animais Reprodução/Freepick
  • Coroa-de-cristo
    Coroa-de-cristo Reprodução/Freepick
  • Mamona
    Mamona Reprodução/Freepick
  • Erva-do-diabo
    Erva-do-diabo Reprodução/SitePlantas
  • Trombeta ou saia-branca
    Trombeta ou saia-branca Reprodução/Freepick
  • Erva-de-rato ou café-bravo
    Erva-de-rato ou café-bravo Reprodução/Agrolink

Principal forma de prevenção

Segundo o biólogo, não existe uma regra simples para identificar plantas tóxicas apenas pela aparência, e algumas espécies perigosas podem parecer totalmente inofensivas.

Por isso, o especialista recomenda que as pessoas busquem identificar corretamente as plantas presentes no jardim ou dentro de casa, através de aplicativos de identificação, livros especializados e a orientação de profissionais e que conhecer o nome científico da espécie facilita a busca por informações confiáveis.

Plantas Brasileiras 

Kuhlmann ainda destaca a importância de ampliar o uso de espécies nativas no paisagismo, o Brasil possui grande diversidade de plantas do Cerrado, da Mata Atlântica e de outros biomas que podem substituir espécies exóticas comuns nos jardins. Além de reduzir riscos em alguns casos, o uso de plantas nativas contribui para atrair aves e polinizadores e aumentar a biodiversidade.

“Tudo começa com o conhecimento e a identificação correta das plantas. Quando sabemos o que estamos cultivando, conseguimos usar essas espécies de forma segura e responsável”, afirma o biólogo.

*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe

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postado em 12/03/2026 16:02 / atualizado em 12/03/2026 16:51
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