Um amplo estudo populacional nos Estados Unidos revelou que o estado civil está ligado diretamente ao risco de desenvolver câncer. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (8/4) na revista Cancer Research Communications, analisou dados de mais de 100 milhões de pessoas e identificou uma associação consistente entre nunca ter se casado e uma maior incidência da doença.
Os resultados chamam atenção por indicarem que fatores sociais, como suporte emocional e estabilidade econômica, têm impacto comparável ou até superior a fatores tradicionais, como raça e condição socioeconômica.
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O estudo investigou a relação entre estado civil e incidência de câncer, ou seja, a probabilidade de uma pessoa desenvolver a doença ao longo da vida. Foram analisados dados de 12 estados norte-americanos entre 2015 e 2022, abrangendo cerca de 103,7 milhões de adultos com 30 anos ou mais. Os pesquisadores compararam dois grupos principais: pessoas que nunca se casaram e aquelas que já foram casadas, incluindo casados, divorciados, separados ou viúvos.
Diferentemente de estudos anteriores, que focavam na sobrevivência após o diagnóstico, esta pesquisa buscou entender quem tem maior risco de desenvolver câncer.
Principais descobertas do estudo
Os resultados mostram diferenças expressivas entre os grupos analisados.
Homens que nunca se casaram apresentaram um risco 68% maior de desenvolver câncer em comparação com aqueles que já foram casados. Entre as mulheres, o aumento foi ainda mais elevado, chegando a 83% ou mais.
As disparidades se tornaram mais intensas com o avanço da idade. O pico foi observado entre pessoas de 70 a 74 anos, indicando que os efeitos do estado civil se acumulam ao longo da vida.
Alguns tipos de câncer apresentaram diferenças mais acentuadas. Tumores associados a infecções, como o câncer anal e o de colo do útero, tiveram incidência muito maior entre pessoas nunca casadas. Em homens, o risco de câncer anal foi até cinco vezes maior.
Também foram observadas taxas mais altas em cânceres ligados a hábitos de vida, como os de pulmão, fígado, esôfago e estômago. Já tumores como os de mama, próstata e tireoide mostraram diferenças menores entre os grupos.
Entre os recortes raciais, homens negros nunca casados apresentaram as maiores taxas de incidência. Por outro lado, homens negros casados tiveram índices menores do que homens brancos casados, sugerindo um efeito protetor do casamento mesmo diante de desigualdades estruturais.
Como os cientistas fizeram a análise
Os pesquisadores utilizaram dados do programa SEER, um dos principais sistemas de vigilância de câncer dos Estados Unidos. A análise incluiu todos os casos de câncer maligno diagnosticados no período estudado, permitindo comparar padrões em diferentes faixas etárias, tipos de tumor e grupos étnico-raciais.
A partir desses dados, os cientistas calcularam taxas de incidência e estimaram o risco relativo entre os grupos, identificando padrões consistentes em praticamente todos os recortes analisados.
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