ASTRONOMIA

Meteoritos ajudam a explicar formação da Terra e do Sistema Solar

Pesquisa revela que fósforo e nitrogênio, essenciais para o surgimento da vida, podem ter vindo majoritariamente da região interna do sistema plenetário, com influência de Júpiter

Terra pode ter recebido ingredientes da vida sem ajuda externa
 -  (crédito: NASA/JPL-Caltech)
Terra pode ter recebido ingredientes da vida sem ajuda externa - (crédito: NASA/JPL-Caltech)

A origem da vida na Terra pode estar mais próxima de casa do que os cientistas imaginavam. Um novo estudo publicado na revista Science Advances nesta quarta-feira (3/6) sugere que os elementos químicos fundamentais para o surgimento dos primeiros organismos vivos, especialmente fósforo e nitrogênio, foram incorporados ao planeta principalmente a partir de materiais formados na região interna do Sistema Solar.

A descoberta desafia uma hipótese debatida pela comunidade científica que defende que parte dos ingredientes essenciais para a vida teria sido trazida por objetos originários do Sistema Solar externo, que migraram em direção ao Sol durante os estágios finais da formação da Terra.

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Para chegar à conclusão, pesquisadores da Universidade Rice, nos Estados Unidos, analisaram meteoritos que preservam registros dos primeiros milhões de anos da história do Sistema Solar. O foco do estudo foi a proporção entre fósforo e nitrogênio (P/N), dois elementos considerados indispensáveis para a formação de moléculas biológicas.

Os cientistas compararam duas classes de meteoritos: os de ferro, formados a partir dos primeiros planetesimais, corpos que deram origem aos planetas, e os condritos, que surgiram entre dois e três milhões de anos depois. Esses fragmentos funcionam como cápsulas do tempo, permitindo reconstruir a composição química do ambiente onde se formaram.

A equipe utilizou experimentos laboratoriais e modelos geoquímicos para mapear como a relação entre fósforo e nitrogênio variava ao longo do Sistema Solar primitivo. Os resultados revelaram que os primeiros planetesimais apresentavam maior concentração relativa de fósforo nas regiões externas. Já na geração seguinte, a situação se inverteu: os corpos formados na região interna passaram a concentrar proporções mais elevadas desses elementos.

Segundo os pesquisadores, a explicação pode estar no papel desempenhado por Júpiter durante sua formação. À medida que o gigante gasoso crescia e sua influência gravitacional aumentava, ele teria atuado como uma espécie de barreira cósmica, limitando o transporte de materiais entre as regiões interna e externa do Sistema Solar.

Esse bloqueio alterou a distribuição dos elementos químicos disponíveis para os planetesimais que continuavam se formando. Como consequência, os corpos localizados mais próximos do Sol passaram a acumular uma combinação de fósforo e nitrogênio compatível com aquela observada atualmente na Terra.

“Para o nosso próprio Sistema Solar, a presença e a história de crescimento de Júpiter parecem ter desempenhado um papel crucial na determinação da distribuição dos ingredientes químicos básicos necessários para mundos habitáveis”, afirmou Rajdeep Dasgupta, professor da Universidade Rice e autor sênior da pesquisa.

Os modelos desenvolvidos pela equipe indicam que a assinatura química encontrada hoje na Terra é reproduzida com maior precisão por materiais originados do Sistema Solar interno. Isso sugere que o planeta recebeu a maior parte de seu estoque de fósforo e nitrogênio durante sua própria formação, sem depender de um aporte significativo de objetos vindos das regiões mais afastadas.

Além de ajudar a esclarecer a história da Terra, a descoberta pode influenciar a busca por vida em outros sistemas planetários. Se a formação de mundos habitáveis estiver ligada à presença de planetas gigantes capazes de reorganizar a distribuição de elementos químicos, a existência de corpos semelhantes a Júpiter pode se tornar um fator importante na avaliação do potencial de habitabilidade de exoplanetas.

“O estudo sugere que a Terra adquiriu seu estoque de elementos essenciais à vida, fósforo e nitrogênio, principalmente do Sistema Solar interno”, destacou Debjeet Pathak, principal autor da pesquisa e estudante de pós-graduação da Universidade Rice.

A conclusão reforça a ideia de que os ingredientes que tornaram a Terra habitável podem ter sido incorporados ao planeta desde seus primeiros estágios de formação, em um processo moldado não apenas pela química do Sistema Solar nascente, mas também pela influência gravitacional de seu maior planeta.

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postado em 03/06/2026 19:26 / atualizado em 03/06/2026 19:27
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