Via Láctea

Telescópio capta imagem inédita e detalhada da Via Láctea

A foto mostra corpos celestes no chamado bojo galáctico, a região central e mais brilhante da nossa galáxia; imagem ajudará a confirmar existência de exoplanetas

A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou, na quarta-feira (24/6), a maior e mais detalhada imagem já feita do coração da Via Láctea em luz visível. O retrato, captado pelo telescópio espacial Euclid, mostra mais de 60 milhões de estrelas concentradas no chamado bojo galáctico, a região central e mais brilhante da nossa galáxia, além de nebulosas e aglomerados de estrelas. 

A foto foi feita em março de 2025, em cerca de 26 horas de observação, e é resultado da junção de nove imagens. Cada uma delas cobre uma área do céu maior do que a lua cheia. Para se ter noção da escala,  um telescópio terrestre de grande porte, por exemplo, levaria por volta de 2 mil horas para registrar a mesma cena. 

Projetado para estudar matéria e energia escuras, componentes invisíveis que dominam o universo, o Euclid normalmente olha para galáxias muito distantes. Mas desta vez, ele apontou para perto de casa. 

A vantagem desse equipamento é conseguir separar estrelas individuais mesmo numa região tão "lotada", sem ser ofuscado pelo brilho. É justamente isso que interessa aos pesquisadores. A imagem deve ajudar a encontrar e estudar planetas que orbitam outras estrelas, os exoplanetas, por meio de uma técnica chamada microlente gravitacional.

Isso porque, além de ajudar a cumprir a própria missão do Euclid, a nova imagem do telescópio auxiliará o Telescópio Nancy Grace Roman, da Nasa, a conseguir encontrar novos planetas. O instrumento da agência norte-americana tem previsão de ser lançado ao espaço entre o fim de agosto e setembro.

O método funciona quando uma estrela passa à frente de outra, mais distante, e age como uma lente de aumento, intensificando a luz do fundo. Se houver um planeta ao redor da estrela mais próxima, a gravidade dele provoca uma pequena alteração extra nesse brilho, detalhe que anuncia sua presença. 

“Para captar o efeito de microlente gravitacional, é preciso observar partes do céu repletas de estrelas, como as regiões próximas ao centro da nossa galáxia”, explica Jean-Philippe Beaulieu, do Instituto de Astrofísica de Paris, na França, e da Universidade da Tasmânia, na Austrália. Jean-Philippe foi o idealizador do levantamento do bojo galáctico realizado pelo Euclid e co-liderou o grupo de trabalho de exoplanetas do Consórcio Euclid. 

“Nos últimos 20 anos, quase 300 exoplanetas foram descobertos por meio dessa técnica, todos com telescópios terrestres e na direção do centro da nossa galáxia. Esta imagem do Euclid inclui 51 sistemas planetários já conhecidos e ajudará no estudo de muitos outros que ainda serão encontrados”, acrescenta. 

Para capturar um evento como esse, um telescópio precisaria estudar uma estrela por mais de vinte dias. Portanto, um único dia de observação do Euclid, não é suficiente para descobrir novos planetas. Mas o que torna essa imagem tão especial é que ela permite aos cientistas medir a massa de planetas já conhecidos, bem como de planetas ainda por descobrir. Ou seja, essa foto mostraria o “antes”, uma referência no tempo para missões futuras, como o telescópio espacial Roman, da Nasa.

Com isso, será possível confirmar a existência de planetas e medir sua massa; a técnica é especialmente útil para encontrar planetas gelados e distantes de suas estrelas. 

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