
As concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera atingiram novos recordes em 2025, aumentando a quantidade de calor retida no planeta e contribuindo para o aquecimento global, aponta o 22° Boletim de Gases de Efeito Estufa, da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado nesta terça-feira (27/10).
Os dados revelam que o acúmulo contínuo de poluição atmosférica garante a manutenção do aquecimento global por décadas e até séculos; além disso, o relatório mostra que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados na história.
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De acordo com a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), a concentração média global de dióxido de carbono (CO2), principal gás responsável pelo aquecimento global causado pelas atividades humanas, chegou a 426,8 partes por milhão (ppm) em 2025, o equivalente a 153% do nível registrado na era pré-industrial, em 1750.
Em comparação com 2024, a concentração de CO2 aumentou 2,8 ppm. embora o crescimento tenha sido menor do que o registrado no ano anterior, o volume continua acima da média observada nas últimas décadas.
Segundo a OMM, o ritmo de crescimento da concentração de CO2 na atmosfera triplicou desde a década de 1960. Naquele período, o aumento médio era de 0,8 ppm por ano. Entre 2011 e 2020, passou para 2,4 ppm anuais.
O relatório também aponta que as concentrações dos outros dois principais gases de efeito estufa de longa duração, o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O), também alcançaram níveis altos. O metano atingiu uma concentração média global de 1.948 partes por bilhão (ppb) em 2025, equivalente a 267% do nível pré-industrial.
Cerca de 65% das emissões de metano têm origem em atividades humanas, como a criação de gado, cultivo de arroz, exploração de combustíveis fósseis, aterros sanitários e queima de vegetação.
Já o óxido nitroso alcançou uma concentração média de 339,1 ppb em 2025. Esse gás é liberado tanto por processos naturais quanto por atividades humanas, principalmente pelo uso de fertilizantes na agricultura, pela queima de vegetação e por determinados processos industriais.
A agência ressalta, porém, que os números apresentados no relatório representam a quantidade de gases acumulados na atmosfera, e não o volume emitido apenas durante o último ano.
Isso ocorre porque cerca de metade do CO2 liberado anualmente permanece na atmosfera, enquanto o restante é absorvido pelos oceanos e pelos ecossistemas terrestres. Mas a capacidade desses ambientes de retirar carbono do ar pode variar conforme as condições climáticas.
Segundo a OMM, o crescimento mais moderado da concentração de CO2 entre 2024 e 2025 está relacionado à recuperação da capacidade de absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres e à redução das emissões provocadas por incêndios florestais.
A OMM prevê, no entanto, que as concentrações de CO2 continuarão a crescer em 2026, impulsionadas pelo uso de combustíveis fósseis e pelo desenvolvimento de um El Niño intenso.
Ciência e Saúde
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