
Allan Souza Lima atravessa um momento em que atuação e autoria começam a se aproximar de forma definitiva.
Em cena, ele retorna como protagonista da segunda temporada de “Cangaço Novo”, série do Prime Video que estreia em 24 de abril, retomando o personagem Ubaldo em um sertão marcado por disputas de poder, violência e códigos próprios.
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Fora das câmeras, quase como extensão desse mesmo universo narrativo, o ator pernambucano amplia seu campo de atuação ao assumir, pela primeira vez, a direção de um longa-metragem.
Esse passo se concretiza em “Poeta Bélico”, filme que assina ao lado de Fátima Toledo, profissional reconhecida por trabalhos que marcaram o cinema brasileiro, como “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite” e “Marighella”.
Reunindo Renato Góes e Alejandro Claveaux no elenco, a trama é ambientada em um mundo pós-apocalíptico e propõe uma reflexão sobre conflitos humanos levados ao limite, onde corpo, linguagem e violência deixam de ser apenas elementos dramáticos para se tornarem estruturas centrais da narrativa.
“A parceria com a Fátima foi decisiva porque ela vem de um cinema que exige verdade absoluta dos atores. Isso impactou diretamente a forma como o filme foi construído. ‘Poeta Bélico’ fala do que sobra depois da queda, quando as certezas deixam de organizar o mundo e o conflito passa a ser vivido no corpo, na linguagem e na violência, e não como efeito dramático, mas como estrutura”, afirma Allan.
Essa mesma busca por narrativas densas atravessa os demais projetos do ator. Nos cinemas, ele integra o elenco de “Lusco-Fusco”, longa que aborda laços de amizade feminina e processos de reconstrução diante de traumas e opressões, e de “Talismã”, atualmente em pós-produção, no qual interpreta um professor de dança de salão.
No streaming, Allan também participa de uma nova série da Netflix, ainda sem título divulgado, protagonizada por Marieta Severo, ao lado de Alice Wegmann, Nanda Costa e José de Abreu, com direção de Mauro Mendonça Filho, centrada em relações familiares atravessadas por segredos e disputas silenciosas.
“O que costuma orientar minhas escolhas é a possibilidade de trabalhar com personagens interessantes e se puder ser em contextos muito distintos, que vão do sertão a um drama romântico ou a uma dinâmica mais familiar, melhor ainda. Essa variação de ambientes permite explorar registros diferentes de atuação e modos diversos de construção do personagem. Em todos os casos, o interesse está menos na situação em si e mais no encadeamento das decisões e nas consequências que elas produzem dentro da narrativa, porque são materiais que exigem método, escuta e precisão, e é nesse tipo de trabalho que vejo espaço real para desenvolvimento e aprofundamento do ofício”, conclui.

Mariana Morais
Mariana Morais
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