As feridas do passado de Nana Gouvea voltaram à tona em um relato publicado nesta quarta-feira (25).
Motivada pela indignação com o recente caso jurídico em que um homem foi absolvido da condenação pelo estupro de uma criança de 12 anos, a atriz decidiu quebrar o silêncio sobre sua própria trajetória de violência e imposições sociais.
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Em uma análise crítica sobre como a sociedade lida com o abuso infantil, Nana destacou que o cenário atual ainda reflete práticas arcaicas.
"Sobre a 'esposa de 12 anos de idade' e muitas outras", pontuou a atriz, antes de detalhar o ciclo de agressões que enfrentou na adolescência.
Segundo ela, a gravidez aos 16 anos, fruto de um abuso, não gerou acolhimento, mas sim punição física e um destino selado pela vontade paterna.
"Meninas são abusadas o tempo todo. E se ficarem grávidas como foi meu caso, apanha no meio da rua, como eu apanhei do meu pai, e é forçada ao casamento. Com o abusador! Que diz que ama. A solução? Casar a garota com o abusador. Eu nunca quis me casar. Eu queria meu bebê, eu não queria me casar", desabafou.
A união forçada, longe de trazer estabilidade, se transformou em um segundo estágio de sofrimento. Nana recorda que o casamento foi apresentado por seu pai como a única saída: "Mas meu pai disse que 'era o jeito'".
O desfecho veio três anos depois, em um cenário de abandono e privação. Ao descrever o período em que decidiu se separar, aos 19 anos, ela relatou o comportamento do então marido:
"Me divorciei com 19 anos e duas filhas nos braços, porque meu ex-marido me traía, maltratava e me deixava sozinha grávida da minha segunda filha e com a primeira ainda bebezinha sem leite dentro de casa por dias, para viajar com a amante. E, quando voltava, fazia de tudo para me engravidar de novo porque queria 'consertar o casamento com mais filhos'. O que ele queria mesmo era me manter trancada em casa enquanto ele estava na rua se drogando e 'saracutiando'."
A tentativa de buscar refúgio na casa dos pais também foi barrada pelo preconceito. Nana revelou que o pai rejeitou seu retorno, utilizando termos pejorativos para classificar mulheres separadas.
Ao encerrar seu posicionamento, Nana Gouvea lamentou que mesmo após décadas, muitas coisas não mudaram.
"Apenas. História da minha vida. A maioria das meninas não entendem o que está acontecendo, como eu não entendia. Eu não tem força para fugir do cativeiro. Triste como décadas depois tudo está igual", finalizou.
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