
Uma investigação da Polícia Federal revelou como o controle do fornecimento de internet se tornou uma das fontes de receita do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro.
Nesta segunda-feira (19), a corporação deflagrou a Operação Backbone para atingir o esquema, que, segundo as apurações, utiliza intimidação armada para eliminar concorrentes e obrigar moradores a contratar serviços autorizados pela facção.
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A ofensiva busca desarticular a estrutura criminosa que atua nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense.
Além da imposição do monopólio da internet nessas regiões, os investigadores apuram a utilização de empresas do setor para ocultar e dar aparência legal ao dinheiro obtido ilegalmente.
A dimensão financeira do esquema levou à determinação judicial de bloqueio de bens e valores que podem alcançar R$ 558 milhões.
A medida abrange 40 pessoas físicas e 42 empresas, cujas atividades econômicas também poderão ser suspensas conforme a decisão.
As investigações apontam que o domínio territorial é utilizado para impedir a concorrência no mercado de telecomunicações.
Segundo a PF, criminosos armados destroem a infraestrutura de operadoras regulares, cortando cabos e incendiando caixas de distribuição. Os grupos também impedem que técnicos realizem reparos nos equipamentos danificados.
Com a atuação das empresas concorrentes inviabilizada, moradores e comerciantes seriam pressionados a contratar a chamada “internet do tráfico”.
Os provedores autorizados a operar nas comunidades, por sua vez, pagariam mensalmente uma espécie de tarifa à organização criminosa para manter suas atividades.
Outro ponto identificado pela investigação é a participação de uma liderança histórica do Comando Vermelho na administração das atividades empresariais exploradas nos territórios dominados.
Mesmo preso há quase três décadas e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, o investigado continuaria exercendo controle sobre esses negócios em conjunto com familiares e outros integrantes da facção.
Segundo as apurações, os lucros eram direcionados à família do líder por meio de empresas responsáveis pela arrecadação, operadores financeiros e contas utilizadas para a circulação dos recursos.
Os alvos da Operação Backbone poderão responder por domínio social estruturado, crime que prevê punição para grupos que utilizam violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios e populações, intimidar moradores, restringir a atuação das autoridades e atacar serviços essenciais.
A lista de possíveis acusações inclui ainda extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.
Mariana Morais
Mariana Morais
Mariana Morais
Mariana Morais
Mariana Morais
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