Lançamento

Revelação do funk, Puterrier lança projeto para agitar o carnaval

'Salseiro' contém duas faixas que exploram a versatilidade musical do artista. Em entrevista ao Correio, o músico conta sobre a produção do projeto e as expectativas para 2024

Puterrier e Pique Raro para o lançamento da faixa 'Garoto problema' -  (crédito: Guilherme Vespa)
Puterrier e Pique Raro para o lançamento da faixa 'Garoto problema' - (crédito: Guilherme Vespa)
postado em 01/02/2024 14:27 / atualizado em 01/02/2024 14:27

Revelação do funk em 2023, o músico carioca Puterrier lança neste mês o projeto Salseiro com duas faixas que prometem agitar o feriado de carnaval. A primeira, intitulada Garoto problema, será lançada nesta quinta-feira (1/2) e Faz o esquenta no dia 15 de fevereiro, para encerrar a folia.

Após desenvolver um gênero que chama de atabagrime, uma mistura do atabaque do funk e dos beats do grime, nos hits Marolento e Putaria 2000, o artista desta vez explora a diversidade musical brasileira e aposta em um som envolvente de pagodão baiano em Garoto problema, que conta com a participação do cantor Pique Raro. “Eu acho que é obrigação do artista trazer coisas novas e abranger os ritmos do país inteiro. Estou ansioso para ver como o público vai reagir”, ressalta Puterrier ao Correio.

As composições evidenciam a versatilidade do artista e reforçam a brasilidade como um de seus principais temas. Puterrier deseja trabalhar com ritmos que ultrapassem o eixo Rio de Janeiro/São Paulo e o novo projeto surgiu com esse intuito. “Estavam esperando que eu lançasse mais um hit de funk. Mas o que eu faço envolve o Brasil inteiro, não é só essa parte do Rio ou São Paulo. Eu procuro trazer algo completamente diferente e acho que isso é importante, não quero ficar fazendo música de fórmula. Para mim, o que importa é somar no cenário”, afirma o músico.

A segunda faixa, Faz o esquenta, faz referência sonora aos funks que tocavam nos bailes de corredor, o volt mix. Por meio das batidas, o cantor quis trazer mais agressividade na sonoridade e ter a possibilidade de puxar uma roda punk, tradicional dos shows de rap, em suas apresentações. “Eu não tinha nenhuma música assim. Então, eu quis fazer a minha música de roda punk. E nesse beat, eu critico quem briga em eventos e deixo claro que o baile é sem violência. No início da letra isso já é perceptível, nos primeiros segundos já dá para entender a mensagem”, ressalta o artista.

Cultura brasileira

O cantor acredita ser importante exaltar o Brasil e a pluralidade cultural existente no país. “Eu exalto o Brasil e a nossa cultura, não só na sonoridade, mas também nas letras”, afirma. Por esta razão, o músico aposta em uma estética que remete a uma época diferente do país, usando a camisa da seleção brasileira de 2005 e um cordão de ouro com o mapa do país. Porém, não possui nenhuma intenção de se alinhar a política que se apropriou dos itens da canarinhos nos últimos anos "Vou pular da cama/votar no 13/voltar para casa/ e ouvir Puterrier", canta na faixa Atabagrime de 2022.

Puterrier crê que isso faz os ouvintes olharem para as questões sociais e culturais que abrangem o território brasileiro. “Eu acho que dessa forma consigo fazer as pessoas se importarem mais com os assuntos daqui, tanto às vezes político, quanto sociocultural”, enfatiza.

Planos para 2024

Os beats elaborados, as letras e a mistura de gêneros musicais trouxeram destaque ao artista no cenário musical brasileiro. Em 2023, Puterrier experimentou um ano de grande sucesso e aproveitou para levar a sua música para as capitais do país. “O ano passado foi o meu bom momento. Foi a explosão mesmo, principalmente depois de Marolento, eu aproveitei muito para fazer shows. Me senti mais confortável em trabalhar o EP ao longo do ano, recuar para aprender com o cenário e voltar a lançar depois”.

Agora, o artista visa os próximos passos da carreira e pretende focar em novos projetos para aperfeiçoar e consolidar o seu trabalho. “Esse ano eu vou trabalhar muito. Para o ano que vem as paradas estarem mais bem consolidadas. Tanto sonoramente, quanto em relação a minha arte, o atabagrime e tudo mais. Quero poder me aperfeiçoar”.

*Estagiária sob a supervisão de Pedro Ibarra

 

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