
O cineasta húngaro Béla Tarr morreu nesta terça-feira (6/1), aos 70 anos. Ele foi um dos maiores diretores da Hungria e ficou mundialmente conhecido pelo filme Sátántangó, que tem duração de mais de sete horas. A informação foi divulgada pelo diretor Bence Fliegauf à agência de notícias MTI, em nome da família. O comunicado diz que a causa da morte foi uma "longa doença".
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Tarr ficou conhecido por um estilo cinematográfico caracterizado por imagens em preto-e-branco, planos-sequência prolongados e uma abordagem contemplativa do tempo e do cotidiano que influenciou gerações de realizadores e tornou seus filmes referências do cinema de arte mundial.
Nascido em 21 de julho de 1955, em Pécs, Hungria, Béla Tarr começou a fazer filmes ainda adolescente e rapidamente se tornou uma figura central do cinema europeu. Sua carreira profissional se abriu para o mundo com longas que exploravam a vida cotidiana de forma original e poética.
Tarr dirigiu filmes hoje considerados obras-primas do cinema arte, como:
- Damnation (1988) — um dos primeiros filmes a revelar seu estilo sombrio e visceral.
- Sátántangó (1994) — um épico de mais de sete horas, amplamente visto como um dos maiores filmes já feitos, baseado no romance de László Krasznahorkai.
- Werckmeister Harmonies (2000) — outra adaptação de Krasznahorkai, aclamada por crítica e público por sua intensidade estética.
- The Turin Horse (2011) — seu último filme, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, é considerado seu testamento artístico.
Após The Turin Horse, Tarr anunciou a aposentadoria dos longas-metragem e passou a se dedicar à educação cinematográfica, fundando a escola internacional Film Factory em Sarajevo.
O cinema de Béla Tarr foi celebrado por sua capacidade de traduzir em imagens as contradições da existência humana, muitas vezes explorando temas como alienação, repetição e a passagem inexorável do tempo. Criticamente, seus filmes eram marcados por composições elaboradas, movimentos de câmera hipnóticos e uma estética que se afastava radicalmente das convenções narrativas cinematográficas tradicionais.

Diversão e Arte
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