LUTO

Morre o cineasta húngaro Béla Tarr, aos 70 anos

Considerado um dos cineastas mais influentes do cinema contemporâneo, Tarr transformou a linguagem cinematográfica com seus planos-sequência longos e uma visão profundamente poética e filosófica do tempo e da condição humana

Esta foto de arquivo, tirada em 2 de dezembro de 2016, mostra o cineasta húngaro Béla Tarr discursando durante a cerimônia de abertura da 16ª edição do Festival Internacional de Cinema de Marrakech, em Marrakech.  -  (crédito: Fadel Senna (AFP))
Esta foto de arquivo, tirada em 2 de dezembro de 2016, mostra o cineasta húngaro Béla Tarr discursando durante a cerimônia de abertura da 16ª edição do Festival Internacional de Cinema de Marrakech, em Marrakech. - (crédito: Fadel Senna (AFP))

O cineasta húngaro Béla Tarr morreu nesta terça-feira (6/1), aos 70 anos. Ele foi um dos maiores diretores da Hungria e ficou mundialmente conhecido pelo filme Sátántangó, que tem duração de mais de sete horas. A informação foi divulgada pelo diretor Bence Fliegauf à agência de notícias MTI, em nome da família. O comunicado diz que a causa da morte foi uma "longa doença".

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Tarr ficou conhecido por um estilo cinematográfico caracterizado por imagens em preto-e-branco, planos-sequência prolongados e uma abordagem contemplativa do tempo e do cotidiano que influenciou gerações de realizadores e tornou seus filmes referências do cinema de arte mundial.

Nascido em 21 de julho de 1955, em Pécs, Hungria, Béla Tarr começou a fazer filmes ainda adolescente e rapidamente se tornou uma figura central do cinema europeu. Sua carreira profissional se abriu para o mundo com longas que exploravam a vida cotidiana de forma original e poética.

Tarr dirigiu filmes hoje considerados obras-primas do cinema arte, como:

  • Damnation (1988) — um dos primeiros filmes a revelar seu estilo sombrio e visceral. 
  • Sátántangó (1994) — um épico de mais de sete horas, amplamente visto como um dos maiores filmes já feitos, baseado no romance de László Krasznahorkai.
  • Werckmeister Harmonies (2000) — outra adaptação de Krasznahorkai, aclamada por crítica e público por sua intensidade estética.
  • The Turin Horse (2011) — seu último filme, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, é considerado seu testamento artístico. 

Após The Turin Horse, Tarr anunciou a aposentadoria dos longas-metragem e passou a se dedicar à educação cinematográfica, fundando a escola internacional Film Factory em Sarajevo.

O cinema de Béla Tarr foi celebrado por sua capacidade de traduzir em imagens as contradições da existência humana, muitas vezes explorando temas como alienação, repetição e a passagem inexorável do tempo. Criticamente, seus filmes eram marcados por composições elaboradas, movimentos de câmera hipnóticos e uma estética que se afastava radicalmente das convenções narrativas cinematográficas tradicionais.

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postado em 06/01/2026 10:25 / atualizado em 06/01/2026 10:25
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