CINEMA

Filme vencedor do Urso de Prata em Berlim estreia nos cinemas

O ocaso das raízes familiares e das tradições, numa China escravizada pelo desenvolvimento mecânico, brota no longa Living the Land

 Comunhão e conflitos de gerações entram em cena -  (crédito:  Autoral Filmes)
Comunhão e conflitos de gerações entram em cena - (crédito: Autoral Filmes)

Foi o premiado diretor Jia Zhangke (reconhecido por Em busca da vida e Plataforma) quem puxou para o estrelato o compatriota chinês Meng Huo, quando o selecionou para a exibição especial de Crossing the border — Zhaoguan (2018), incluído em segmento do Festival de Berlim. No ano passado, novamente na capital alemã, Meng venceu o título de melhor diretor, conduzindo o longa Living the Land, que, inédito, estreia em Brasília.

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Seguindo uma linha antológica de cinema de primeira estirpe, que faz lembrar o clássico de Ermanno Olmi, A Árvore dos Tamancos (vencedor da Palma de Ouro em Cannes), e Os Emigrantes, de Jan Troell, o artista chinês — formado em direito, mas com mestrado em cinema — abraça um painel de gerações de personagens que, naturalmente, concretizam um embate com a natureza e as riquezas nela alastradas. Há muitos obstáculos para modesta galeria de tipos que, entre comemorativos fogos de artifício plantados no plano rural, entram em crise por causa da crescente mecanização no campo que promete soterrar a força analógica.

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Num crescente, o cineasta Meng Huo capta um conjunto de transformações em curso, com reflexos socioeconômicos, dada a injeção tecnológica numa China rural, claudicante, em 1991. Quem vislumbra a quebra de tradições é o protagonista Chuang (Shang Wang) que, aos 10 anos, convive com a sábia bisavó, a senhora Li-Wang (Zhang Yanrong), sob a tutela do tio Tuanjie (Wan Zhong), e com completa cumplicidade junto da tia Li Xiuying (Zhang Chuwen).

Chuang busca pertencimento, entre primos swem intelecto muito desenvolvido, adversidades ambientais, cinzas e túmulos de familiares mortos — ou mesmo vivos, caso dos pais que o rejeitam a fim de buscarem maior qualidade de vida na distante Shenzhen.

Neste segundo filme da carreira, o diretor sublinhou, para a imprensa internacional, o registro das "pressões que as mulheres enfrentaram — tanto social quanto fisicamente"; tudo a reboque de muitos danos. Numa crítica, texto da Variety destrinçou: "Como demonstrado em uma cena visceralmente perturbadora, exames regulares de gravidez são obrigatórios por lei para todas as mulheres em idade fértil, expondo seu planejamento familiar e até mesmo sua atividade sexual ao patriarcado".

O popular site da IndieWire descreveu o filme como "extremamente bonito e envolvente". Além da plasticidade (à altura de um Lanternas vermelhas, para ficar num exemplo asiático), Living the land revela uma beleza única do meio ambiente que abrange cenários a serem estragados pela exploração daquilo que encerra o progresso: as mantas de petróleo. A esperteza da cena final — que mostra a importância da união humana, quando uma peça de engrenagem do chamado progresso sai dos trilhos, vale cada centavo do ingresso.

 

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postado em 05/02/2026 06:00
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