
Crítica // A história do som ★★★
Um compêndio não apenas limitado a dezenas de canções folclóricas norte-americanas, mas entremeado por muitos sentimentos delicados, porém velados, diante de padrões morais vigentes nos anos de 1920, e que palpitavam entre os músicos David White e Lionel Worthing. Assim é o desenvolvimento do drama A história do som, dirigido por Oliver Hermanus.
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Numa tonalidade discreta, os atores Paul Mescal e Josh O´Connor encampam o cotidiano algo anêmico de Lionel (um cantor) e David (um pesquisador de composição musical). Para além da música, eles estão unidos pelo que não é desenvolvido, publicamente. Impossível que as andanças deles, pelo interior, coletando peças ameaçadas pela manutenção baseada tão somente na oralidade, não resvale no comparativo com o exitoso O segredo de Brokeback Mountain. Aqui, entretanto, com roteiro apoiado por dois textos de Ben Shattuck, não há muitas camadas de drama.
Um dos méritos é que muito do que está na tela é absolutamente crível, num repleto de situações evasivas. O que não é dito e os desdobramentos atenuados por décadas de impactos, sem solavancos, fazem do filme único. Uma das grandes cenas caberá ao ator Chris Cooper (o mesmo de Adaptação) que, na pele de um idoso Lionel, capta perfeitamente o amargor de um acontecimento de amor incapaz de transbordar, mas que conteve seu charme e sua importância.

Mariana Morais
Mariana Morais