A morte de Rita Lee, em 2023, deixou em Roberto de Carvalho um silêncio difícil de preencher. “O que estou fazendo aqui?”, confessou ele na época, refletindo sobre a vida sem a presença da parceira musical e afetiva de décadas. Hoje, quase três anos depois, essa pergunta ainda ecoa em sua rotina, embora ele tente encontrar formas de seguir em frente.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, na quinta-feira (12/2), Roberto explicou: “Tínhamos uma conjunção de personalidades tão intensa que é estranho continuar existindo sem a presença física da Rita. Apesar disso, como sempre digo, ela continua sendo uma presença impresente.” O músico mantém uma ligação viva com a memória da cantora, enquanto se prepara para um momento especial: desfilar no último carro da Mocidade Independente de Padre Miguel, no Rio de Janeiro, com o enredo Rita Lee – A Padroeira da Liberdade, na segunda-feira de carnaval (16/2).
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Neste ano, o casal celebraria 50 anos desde o momento em que Rita convidou Roberto para jantar, quando se conheceram e se apaixonaram. Ela escreveu sobre o encontro em Rita Lee: Uma Autobiografia: “O gato, além de lindo, cheiroso e excelente guitarrista, também se mostrava exímio pianista. Amor à primeira tecla.”
Sobre o luto, Roberto contou à Folha que passou por um processo de transformação: “Aos poucos, você aprende a lidar com a circunstância, a se libertar do excesso de amargura e enxergar alguma luz que possa conduzir a um lugar mais saudável. Hoje vivo em paz com tudo, com a existência e também com o fim dela. Tenho buscado ver o mundo e estar com as pessoas.” Ele lembra que, durante muito tempo, viveu “em uma bolha, só nós dois”, mas agora procura se abrir mais ao mundo, mantendo um “templo interior” que sustenta sua identidade e o ajuda a seguir adiante.
Roberto também comentou sobre a intensidade da lembrança: “Gosto de ser lembrado dela, claro que depende do momento. Após a morte, chorei muito. Nunca fui de chorar, mas essa trava destravou. Hoje, se precisar chorar de novo, eu choro. Digo ‘com licença, já volto’.”
Quando questionado sobre viver outro amor, Roberto foi enfático: “Não imagino, nem quero. Seria um desrespeito a mim mesmo e à nossa memória. Quero cultivar amizades e relacionamentos, inclusive comigo mesmo. Não vejo espaço para um novo amor. Tenho 73 anos, mas enquanto tiver disposição física, mental e psicológica para estar passeando pelo mundo, vou continuar existindo dessa maneira. Agora, me fechar em um relacionamento, não quero.”
Sobre uma possível conversa com Rita sobre isso, ele lembrou de sua característica irônica: “Ela tinha uma amiga que brincava dizendo: ‘Ó, quando eu partir você pode casar com fulana’. Era uma grande amiga, mas uma mocreia. A Rita tinha síndrome de Santo Antônio, sempre procurando alguém para juntar. Mas não, não havia espaço para outro amor. Só existia espaço para nós dois.”
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