Artes cênicas

Espetáculo brasiliense encerra temporada nacional na sala Martins Pena

‘Trilhas, noite cheia de Lua de Sol’ tem duas sessões neste fim de semana no Teatro Nacional, depois de passar por cinco capitais

O espetáculo Trilhas, noite cheia de Lua de Sol volta a Brasília para o encerramento de turnê que, desde 2025, passou por quatro estados. Serão duas apresentações no Teatro Nacional Cláudio Santoro: neste sábado (28/2), às 19h, com bate-papo depois da apresentação, e domingo (1/3). Os ingressos estão à venda no Sympla, a partir de R$ 10.

A peça marca a estreia da produtora Cláudia Andrade na dramaturgia, com narrativa cênica que integra artes visuais, videoarte e recursos audiovisuais. O enredo de Trilhas, noite cheia de Lua de Sol se dá a partir do encontro de duas mulheres de meia idade, de origens e perfis socioeconômicos diferentes, Silvia e Gimena, em uma parada de ônibus. O acaso que une as duas tem consequências profundas. O espetáculo contou com a colaboração do professor e diretor João Antônio e traz temáticas como encontros, finitude e morte.

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O texto é uma colagem de referências, diz Cláudia Andrade, ao citar frase do cineasta Jean-Luc Godard: "Não importa de onde você tira as coisas, mas sim para onde as leva". Raul Seixas, Guimarães Rosa, Godfrey Reggio, Fernando Mendes são algumas das inspirações do enredo. "A peça é deliberadamente e assumidamente um roubo poético. Tudo o quer fazemos é inspirado pelo que vimos", confessa Cláudia. Além de extratos de outras obras, o espetáculo resulta de pesquisas. A temática inicial, caminhos, está presente no imaginário da autora desde os anos 1980, quando produziu um curta-metragem chamado Tracks. Jogos de poder, contrastes sociais, doença e traição são temáticas discutidas.

Cláudia Andrade é jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB) e tem mais de 40 anos de dedicação às artes. No palco, ela divide os holofotes com Eloisa Cunha (Silvia) e Genice Barego (Gaivota), atrizes também com mais de 50 anos. A encenação incorpora a videoarte e o videomapping (projeção de imagens) de Aníbal Alexandre, iluminação de Lemar Rezende e trilha sonora original de Mateus Ferrari. "Silvia está passando por uma crise existencial e se questiona sobre seus valores da cultura patriarcal e mercadológica", antecipa Eloisa Cunha.

Financiada com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, a turnê integra o projeto Resistência nos Trilhos – Remontagem & Circulação e já realizou 11 apresentações por Brasília, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. O projeto inclui sessões com intérprete de Libras e audiodescrição, além de ações sociais voltadas a estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), pessoas com deficiência visual e integrantes de projetos sociais.

Serviço

Trilhas, noite cheia de Lua de Sol

Na Sala Martins Pena (Teatro Nacional Cláudio Santoro), nos dias 28 de fevereiro, às 20h, e 1º de março, às 19h (sessão com Libras). Os ingressos variam entre R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), vendidos pelo Sympla. Não indicado para menores de 16 anos.

*Estagiários sob supervisão de Severino Francisco

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