
Após nove anos afastado das novelas, Sérgio Marone está de volta à teledramaturgia com um personagem que promete provocar. Aos 45 anos, o ator paulistano integra o elenco de Amor em ruínas, nova produção da Record/Seriella, onde interpretará Amit, um vilão que ele próprio classifica como "um dos mais desafiadores da carreira".
Artista em constante transformação, Marone enxerga na pausa prolongada não um hiato, mas um período de expansão criativa. "Eu não queria voltar por voltar. Queria um personagem que me provocasse", afirma ao Correio ele, que viu no convite para viver Amit a oportunidade perfeita para retornar à teledramaturgia. "Disseram que o Amit era a minha cara, e até hoje não sei se isso é bom ou ruim", completa, aos risos. "Um personagem complexo e provocador."
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Especialista em dar vida a vilões — como Ramsés em Os Dez Mandamentos (2015) e Ricardo Montana em Apocalipse (2017) — e outros personagens complexos em tramas como O clone (2001), Malhação (2003), Como uma onda (2004), Paraíso tropical (2007), Caras & Bocas (2009) e Morde & Assopra (2011), na TV Globo, Marone entrega uma análise quase psicológica sobre seus personagens.
"Os vilões são fascinantes porque revelam o lado que a sociedade prefere negar", reflete ele, que dividirá cena com Murilo Cézar e Leticia Laranja. "Eles não se enxergam como vilões, na cabeça deles existe sempre uma justificativa. É um exercício muito interessante para o ator. O antagonista mexe com nossas emoções mais obscuras, provoca debate", acrescenta.
Sobre Amit, o ator adianta que o personagem é "sedutor, inteligente e poderoso, mas profundamente inseguro". Ele acredita que amar é possuir, e que desejo é domínio. "Isso revela uma masculinidade construída sobre medo: medo de perder, medo de parecer frágil, medo de não ser admirado", analisa, conectando a trama de inspiração bíblica a questões contemporâneas de gênero e poder.
Outras versões de mim mesmo
Entre 2017 e 2023, Marone dedicou-se a múltiplas frentes: apresentou programas como Mestres da sabotagem, atuou no cinema em Jesus Kid, produziu, escreveu um livro e fundou a Tukano, marca de produtos sustentáveis e veganos. "Explorei outras versões de mim mesmo: o comunicador, o empreendedor, o autor", enumera. "Tudo isso alimenta o artista."
Essa pausa produtiva, segundo ele, trouxe repertório e propósito de volta à atuação. "Não parei de ser artista, só ampliei o campo de atuação."
Ecossexual
Em 2023, Marone apresentou ao grande público o termo "ecossexual" para descrever sua relação com o meio ambiente — e a repercussão foi imediata. "É curioso porque, no fundo, o conceito é muito simples: é sobre se sentir profundamente conectado com a natureza", explica.
Para o ativista fundador do movimento Gota d'Água e defensor do Cerrado e da Amazônia, a ecossexualidade fala de "prazer, cuidado e intimidade com tudo de maravilhoso que esse planeta nos proporciona". Ele acredita que o termo viraliza justamente por unir palavras que raramente aparecem juntas: sexualidade e natureza. "Se isso desperta curiosidade e leva alguém a refletir sobre sua relação com o meio ambiente, já valeu a pena", defende.
Marone mantém reserva sobre a vida pessoal por escolha consciente. "É importante que o ator mantenha uma aura de mistério. A persona do artista não pode vir antes do personagem", argumenta o aquariano. Para ele, privacidade é "proteger a essência" e também "questão de saúde emocional".
Nas redes sociais, prefere o debate de ideias e causas à exposição cotidiana. Fora do trabalho, encontra equilíbrio no silêncio e no contato com a natureza. "Às vezes, equilíbrio é simplesmente desligar um pouco", detalha.
Com Amor em ruínas em produção e a expectativa de mais um antagonista marcante em sua carreira, Sérgio Marone retorna à tevê com a convicção de quem passou quase uma década expandindo horizontes. "Eu precisava viver outras experiências para voltar com mais repertório e propósito", finaliza.
Missão cumprida, ao que tudo indica.

Diversão e Arte
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