Música

Célia Porto celebra 30 anos de carreira com show no Clube do Choro

Cantora brasiliense celebra 30 anos de carreira com show no Clube do Choro em que passeia pelos principais momentos da sua trajetória

Célia Porto celebra 30 anos de carreira com show no Clube do Choro -  (crédito: Divulgação)
Célia Porto celebra 30 anos de carreira com show no Clube do Choro - (crédito: Divulgação)

Célia Porto teve o amor pela música plantado ainda quando criança, pela Escola Parque da 313/314 Sul. Apesar de não vir de uma família de músicos, participava de festivais escolares e pelo Distrito Federal, e se formou em canto lírico pela Escola de Música de Brasília. Mesmo com a paixão pela música, estudou letras no ensino superior e trabalhou em diversas áreas não relacionadas com a arte.

Foi em 1992 que decidiu seguir carreira na música, e, dois anos depois, lançou o primeiro álbum da carreira: Célia Porto, com gravações de compositores como Gilberto Gil, Djavan, Caetano e Tom Jobim. Mesmo sendo um projeto independente, recebeu reconhecimento nacional ao ser indicada ao Prêmio da Música Brasileira de 1995.

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É apenas a partir desse ponto que começou a contar o tempo de carreira, que completou 30 anos recentemente. Por isso, Célia Porto apresenta, neste sábado, o show Estrela da Terra – 30+, às 20h30, no Clube do Choro. O show também celebra o aniversário de 59 anos da cantora, comemorado neste sábado (28/3). Os ingressos custam R$35 e estão à venda no site Bilheteria Digital.

Para celebrar a data marcante, Célia conta ao Correio como se iniciou na música, a relação com os grandes nomes da música brasiliense e como planejou a celebração deste marco da carreira.

Entrevista // Célia Porto

Como começou na música?

Tem muito tempo, hein? Comecei na música com uma sementinha que foi plantada pela escola, na Escola Parque da 313/314 Sul. Foi lá que tive essa sementinha da paixão plantada no meu coração. Minha família não é de músicos, mas a escola me deu esse gosto. Depois, fui para a Escola de Música, me formei em canto lírico, porque sempre gostei de cantar. Cantava em festivais. Brasília tinha muitos, nas cidades, nas escolas. No Núcleo Bandeirante, no Gama, no Guará, e eu participava muito, junto com a turma e com amigos da escola. 

Conto meu início de carreira quando saí da Escola de Música. Fiz letras no Ceub e trabalhei com várias coisas, como secretária, trabalhei na Caixa Econômica. E, em 1992, decidi viver de música e fiz meu primeiro CD em 1994. Em 1995, esse CD recebeu uma indicação do Prêmio Sharp, chamado de Prêmio da Música Brasileira. O do Zé Maurício Machline, algumas pessoas confundem com o do Multishow. Fui indicada como cantora revelação pop rock em 1995, ano de homenagem a Elis Regina, o que abriu muitas portas. Considero o primeiro CD de 1995 como início da carreira.

Depois, fiz, na carreira, Legião Urbana, disco infantil e Palhaço Bonito, e os quatro discos serão apanhados no show. Mas esse primeiro foi independente e chegou na premiação com discos de gravadora, sendo logo indicado para essa categoria pop rock. 

Foi bem legal para mim. Fui lá, estive no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, aquela badalação toda. Me abriu muitas portas, fiquei três anos no Rio e depois fui para São Paulo. Percorri muitos lugares com esse discos e passei a ter reconhecimento neles. 

E como surgiu o álbum sobre a Legião Urbana?

Nesse prêmio, fiquei muito próxima do Renato, que estava próximo do Rênio Quintas, meu marido, e aí tivemos a ideia de fazer 'Célia Porto canta algo brasiliense'. O Renato até ajudou a escolher o repertório, ouviu as primeiras gravações. Tive esse contato bem próximo. 

Pude sentar do lado dele, ele me contou a historinha de algumas músicas. Fora que eu era fã na adolescência, então era uma menina adolescente que procurava tudo que era feito em Brasília. Até antes de fazer sucesso, já acompanhava Legião. Acompanhava de tudo, não só rock. Fui banhada nesse ecleticismo de Brasília, por ter gente de todo lugar do Brasil. Faz parte dessa identidade brasiliense, me tornei bem eclética.

Você teve a atenção despertada para outros compositores brasilienses?

Meu terceiro disco foi em homenagem a compositores de Brasília, minha base, amor e paixão que é Brasília. Homenageei o Liga Tripa. Depois que me tornei mamãe, fiz um trabalho infantil. Ele não está no Spotify, porque fiz para ser uma coisa mais caseira. Depois, ganhou uma dimensão bacana e resolvi pegar mais profissionalmente. Mas o trabalho infantil me abriu portas para atuar como arte-educadora, com musicalização infantil, graças a um projeto de extensão da UnB. E eu continuei com o trabalho com musicalização infantil, faço parte de uma escola de música de crianças e bebês, que veio dessa equipe que se formou na UnB. Tenho essa pegada infantil. 

E, agora, estou fazendo esse projeto Estrela da Terra — 30+. Chamo assim porque canto Estrela da Terra, do Nonato Veras, e fiquei considerada 'estrela da terra' por essa música. O show do Clube do Choro também é no meu aniversário, quando completo 59 anos de idade.

Como será o show?

No repertório do show, vou ter nomes de compositores de Brasília, como Nonato Veras, Bené Fonteles, Liga Tripa, Paulo Tovar, Aldo Justo… São nomes que me inspiram muito. Nos grandes nomes, vou cantar Caetano, Gil, Renato Russo, que não podem faltar.

Rênio Quintas vai me acompanhar, meu marido que faz a direção musical, além de teclado. A gente concentra neste trio que me acompanha, com Genaldo Mendonça no baixo e Stive Marta na bateria, porque fica mais fácil de seguir no show. A música fica com uma identidade forte, porque os arranjos de Rênio são personalizados para a maneira que canto. Então, se você for ouvir Extra, do Gilberto Gil, você não vai ouvir Gil como é com ele. Vai ser a partir de um arranjo com bastante identidade, bem fortes e apropriados para esse trabalho comemorativo.

E o Clube do Choro é um palco dos grandes momentos, das grandes comemorações. É diverso, aceita e agrega artistas da cidade e de fora. E ele nos aceita e isso é muito especial, ter esse espaço como o Clube do Choro, do público de Brasília que faz música de Brasília.

Vou cantar Renato Russo, que, curiosamente, faz aniversário no dia 27. Ele até brincava 'você é a força dos arianos', ele gostava de astrologia, de signos. Vou cantar duas músicas dele: Boomerang blues e Índios. Como faz parte de uma grande comemoração, tive que pegar um pouco de cada disco. E vai ter uma música nova, com a Noelia Ribeiro, uma poeta da cidade e que a gente fez em parceria.  

Como é desenvolver a carreira em Brasília, comparado a cidades como São Paulo e Rio de Janeiro?

Hoje, a gente consegue administrar muito bem a carreira musical a partir de onde estamos. Na época, fui para o Rio por causa do Prêmio, e seria mais inteligente ficar por lá divulgando esse título de cantora revelação. Na época, como não tinha redes sociais, tudo era físico, tinha que estar presente, mostrar sua música, fazer shows. Hoje, com outras plataformas, administra-se de onde mora.

A dificuldade, atualmente, é não ter o CD físico, ter de colocar na plataforma  te limita. Limita como a música está chegando nos ouvidos do público. Antes, com CD, o disco era fisicamente vendido nas lojas e você sabia que quem estava comprando ia ouvir aquilo tudo, faixa por faixa. Hoje, as pessoas escolhem por faixa, fica mais pulverizado. 

Mas, quando tem um trabalho sendo lançado, você precisa ir também fazendo essa divulgação, entrevistas, programas de TV. Fiquei no Rio por muito tempo, fui no Vídeo Show, no Sem Censura. Em São Paulo, a mesma coisa: participei de vários da TV Cultura.  Tem que ir pessoalmente fazer isso. 

Quando tem lançamento mesmo é uma estratégia de marketing ir para o local que está sendo lançado. Hoje, tem festival, é legal estar no lugar do festival, para falar e aparecer. Mas você administra melhor de onde está. Por exemplo, estou em Brasília, então participo de várias entrevistas locais. 

Serviço

Estrela da Terra - 30+

Neste sábado (28/3), às 20h30, no Clube do Choro. Ingressos a R$ 35, à venda no site Bilheteria Digital.

 

 *Estagiária sob supervisão de Severino Francisco

 

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postado em 28/03/2026 04:00 / atualizado em 30/03/2026 12:51
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