Videogame: após 10 anos, Dark Souls encerra saga bem-sucedida
Uma década após o lançamento, jogo segue como o desfecho de uma história marcada por ciclos, sacrifícios e um mundo à beira do colapso
A trilogia de jogos sombrios da FromSoftware se encerrou em Dark Souls III trazendo uma conclusão épica e sombria - (crédito: Divulgação/Bandai Namco)
Lançado em 2016, Dark Souls III encerrou uma das sagas mais influentes da indústria dos videogames. Dez anos depois, o título segue sendo lembrado não só pela dificuldade, mas também pela narrativa fragmentada e simbólica sobre ciclos, sacrifícios e o fim de um mundo em ruínas. O título da FromSoftware é um dos mais queridos pelos fãs, e encerra a trilogia de Miyazaki com referências pesadas ao primeiro título da saga e retornando a história para suas origens, trazendo uma aventura épica e extremamente sombria.
A trilogia de jogos sombrios da FromSoftware se encerrou em Dark Souls III trazendo uma conclusão épica e sombria
(foto: Reprodução/Reddit)
Dark Souls III começou a ser desenvolvido em 2013, antes mesmo de seu antecessor, Dark Souls II, lançar. O jogo viria a levar três anos para ser concluído, sendo lançado em 24 de março de 2016. Ao contrário dos demais títulos da saga, o game teve a produção iniciada não por Hayao Miyazaki, o criador da saga, mas sim por Tomohiro Shibuya e Yui Tanimura. Isso aconteceu não só por conta do desenvolvimento de Dark Souls II, mas também devido à produção de Bloodborne, outro grande título da série que estava sendo produzido ao mesmo tempo.
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Após concluir seu trabalho nos outros dois jogos, Miyazaki se juntou à equipe de Dark Souls III com novas inspirações, dizendo que as limitações de Bloodborne foram o que o motivaram a retornar à saga Souls. Foi assim que o terceiro título de Dark Souls foi desenvolvido para ser um grande quebra-cabeça mortal, em que oferece ao jogador um conjunto diversificado de soluções.
A chave para a composição de Dark Souls III foi o foco no design dos níveis do jogo e, em especial, o ambiente onde o jogador atravessa. Construindo em cima das críticas sofridas pelo título anterior, o jogo foi feito de modo em que o próprio ambiente é um desafio a ser superado. Em meio a armadilhas escondidas da câmera do jogador e inimigos que exigem uma velocidade de reação aguçada para reagir aos seus golpes, a equipe de desenvolvimento da FromSoftware preparou uma experiência na qual o próprio jogo parece estar calculando minuciosamente a forma que vai surpreender o jogador no próximo corredor logo a frente.
Miyazaki disse na época que, apesar de não pensar que a saga Souls teria tantos títulos, Dark Souls III não seria o último jogo da saga. Contudo, a conclusão da história do jogo base em conjunto com o fim da trama apresentada nas duas expansões do jogo indicam o contrário do que o diretor afirmou. A decisão da empresa de investir em novos universos como o de Elden Ring também reforçam a tese de que Dark Souls III foi, de fato, a finalização da saga.
A trilogia de jogos sombrios da FromSoftware se encerrou em Dark Souls III trazendo uma conclusão épica e sombria
(foto: Divulgação/Bandai Namco)
A história de Dark Souls III começa em um mundo decadente chamado Lothric, onde a Primeira Chama, responsável por manter viva a Era do Fogo e da Luz, está se apagando mais uma vez. Ao longo do tempo, diferentes heróis, chamados de Senhores das Cinzas, sacrificaram suas almas para reacender essa chama. Porém, desta vez, esses velhos heróis se recusaram a cumprir seu papel, colocando o mundo à beira de uma escuridão inconsolável.
O jogador assume o papel do "Inaceso", um ser que falhou em se tornar um Senhor das Cinzas. Despertado em um momento crítico, ele deve reunir os antigos Senhores que deixaram seus tronos e trazê-los de volta para o Santuário do Fogo. Entre eles estão figuras extremamente poderosas como os Vigilantes do Abismo, Yhorm, o Gigante, e Aldrich, o Devorador de Deuses, cada um com sua história triste e seus motivos para rejeitar o sacrifício.
Durante a jornada, o personagem percorre terras desoladas, enfrenta criaturas corrompidas e descobre partes do universo que revelam a repetição de um ciclo do mundo e estabelecem a dúvida se o protagonista deve ou não se sacrificar para manter a chama acesa. A narrativa é contada por meio de descrições de itens, diálogos enigmáticos e até do próprio cenário, o que deixa claro que o ciclo de fogo e escuridão pode estar condenado a se repetir para sempre.
No clímax, o Inaceso enfrenta a Alma das Cinzas, uma entidade que representa a soma de todos que já reacenderam a chama anteriormente. Essa batalha simboliza o peso da tradição e do destino que mantém o mundo a caminho de um fim inevitável. Após derrotá-lo, o jogador deve decidir o futuro do mundo, podendo reacender a chama, deixá-la se apagar ou assumir um papel diferente dentro desse infinito ciclo.
E assim, Dark Souls III encerra a trilogia, explorando assuntos como o peso de um sacrifício, a repetição e a decadência. O jogo não entrega respostas claras, mas deixa o jogador refletindo sobre suas escolhas e sobre o significado de manter um sistema colapsado de pé, deixando, no final, uma interpretação aberta e filosófica.