
Há alguns anos, o funk paulista vive um momento de expansão e transição. No epicentro dessa mudança, o MC IG aparece como um nome que, antes e agora, representa uma cultura recheada de ideias e representatividade. O lançamento do mais novo projeto, Quem tá vivo, tá vivendo, mostra o artista em outro momento da carreira, expondo assuntos como saúde mental e a tecnologia a favor da música.
Em entrevista ao Correio, ele detalhou o processo de criação do álbum, que chega com uma proposta inovadora de interconexão com outros artistas, além do uso de Inteligência Artificial. Após meses de produção intensa, o cantor revela que o trabalho é fruto de um amadurecimento que expande horizontes, atingindo sua forma de gerir a carreira e enxergar a vida.
Desde janeiro focado em estúdio, o artista alternou a produção de seu próprio disco com outros projetos, criando uma ponte estética e conceitual inédita entre duas obras. "Esse álbum foi duplicado. Capa, ideia, teaser, deixei um conectado ao outro. Fiz algo que nunca existiu: conectar um álbum com outro de forma indireta", explica MC IG. Uma das grandes novidades do projeto é a introdução de um DJ cibernético que já soma mais de 1,5 milhão de inscritos.
Embora a produção musical continue sendo estritamente humana, a imagem e a gestão das redes sociais do personagem são feitas via IA. "Não sou um cara totalmente adepto à tecnologia, mas entendo que ela está aí para ser usada. Não tenho medo de a tecnologia roubar meu lugar, é o ser humano que move o mundo", afirma o MC. Ele ressalta que o uso de prompts avançadíssimos e tecnologia de ponta serve para mostrar à comunidade que a inovação pode trazer recursos reais, fugindo do uso da IA apenas como "brincadeira" ou filtros de entretenimento.
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Saúde mental e a nova geração
Para além dos números e da tecnologia, o novo álbum carrega uma mensagem densa sobre saúde mental. A capa e as faixas refletem um período de introspecção do artista, que sentiu na pele o peso da fama e a exaustão da rotina de shows. O olhar sensível que contrasta com diversas perspectivas contemporâneas, demonstra o amadurecimento de IG para com a própria arte.
"Eu já quase perdi a minha visão do mundo, da vida e até da arte. Antes era tudo pela arte. Deixei de dormir e comer bem para sustentar um personagem na internet. Hoje, entrego esses álbuns de forma mais leve, sem essa sombra", desabafa. O amadurecimento também é visível no público. Aos 28 anos, ele brinca que virou o "Tio IG", atraindo desde crianças de 5 anos até pais de família que o abordam para fotos, mesmo sem serem consumidores típicos de funk.
Consolidado como um dos pilares da GR6, IG agora também foca no seu lado empresário e mentor. Atuando na gestão de carreiras como a de Lele JP e observando de perto nomes como Menor K, ele se diz realizado em participar da construção da "nova onda" do gênero. Isso, sobretudo, pelos anos de experiência que tem acumulado até aqui e pelos parceiros que encontrou no caminho, como o MC Hariel e o saudoso MC Kevin, o qual gosta sempre de lembrar com muito carinho.
"A importância que a gente tem na cena é grande. Muita coisa acontece nos bastidores, na gestão. A gente não corre só pela fama, corre pelo resultado. Me sinto feliz de estar nessa nova geração que está de parabéns", conclui. O disco, que conta com 17 faixas, é um relato sobre o que existe dentro, expondo a importância do autocuidado com uma mensagem forte: não se esquecer de viver, enquanto faz planos para um futuro que pode nunca chegar.

Diversão e Arte
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