
O caminho necessário a ser percorrido na música não é fácil. Muito pelo contrário, por vezes, é árduo e desanimador. No entanto, é a chama que existe no coração é o que guia essa caminhada. Natural de Salvador, Lucas Samuel, 23 anos, fez uma escolha arriscada até chegar aos grandes festivais de São Paulo. Conhecido artisticamente como nocapz, tinha 18 anos quando se mudou para a capital paulista com um objetivo claro: cursar administração. Mas o "chamado", como ele mesmo define, veio das batidas eletrônicas que já pulsavam em seu computador na adolescência.
A música sempre esteve presente na casa de Lucas, incentivada por um pai que o queria na bateria desde criança e com irmãs instrumentistas. Contudo, o estalo para a vida noturna aconteceu de forma clandestina. "Quando eu tinha uns 15, 16 anos, a música eletrônica teve o primeiro boom no Brasil. Nessa época decidi que ia fazer eletrônica", relembra o artista.
Embora tenha arranhado o violão da irmã para aprender escalas e harmonias, o jovem se considera um autodidata digital. Seu processo de aprendizado foi longe dos conservatórios. "Foi do jeito que deu. Meu computador era antigo e devagar, mas dava para fazer o mínimo. Aprendi com tutoriais no YouTube e um amigo que tinha um equipamento de entrada, quase um brinquedo".
Entre o sonho e o abraço familiar
A transição da universidade para a música não foi simples. Cursando o quinto semestre de administração, Lucas enfrentou o peso de ser o primeiro homem da família a buscar um diploma superior. "Meus pais não fizeram faculdade, era um sonho de família. Demorei muito para ser transparente sobre a música por medo do julgamento. Pegou eles de surpresa, porque parecia algo recente, quando na verdade eu já fazia aquilo há três anos, sem parar, todos os dias", explica.
Com isso, a decisão de largar os estudos veio quando o projeto começou a ganhar corpo e as tracks passaram a ser tocadas por outros DJs. Para Lucas, a paixão é o único combustível possível em um mercado de altos e baixos. "É um negócio que é um fogo no meu coração mesmo, senão eu não estaria vivendo isso. É maluquice, estresse, problema o tempo todo. Se você não estiver apaixonado pela música, não compensa".
Definindo seu som como "groovado e afiado", ele bebe da fonte de nomes como Victor Lou e Visage. Para o artista, o diferencial do DJ vai além de "apertar o play" — um estigma que combate com técnica e sensibilidade. "Sou muito curioso, sempre fui meio nerd. O que me movimenta é saber por que as pessoas estão curtindo aquela música. Se a música for boa, a pessoa vai entender o que estou fazendo, independentemente de ela achar que sou um DJ que só dá o play ou que está com o set pronto", destaca.
O futuro e os festivais
Agora, nocapz vive seu sonho e vê, a passos largos, seus projetos ganhando corpo. Já esteve presente em grandes festivais nacionais e, em junho, será um dos nomes confirmados na Só Track Boa, que acontece em São Paulo. Em seguida, comparece ao Defected 2026. Com isso, a conexão com o público vai se criando e a interação fica cada vez mais real.
Na semana passada, Lucas lançou a faixa Too Much, em parceria com o DJ e produtor musical brasileiro Coppola. A música estou no selo londrino DFTD, braço da consagrada gravadora Defected Records, extremamente conceituada a nível internacional. Hoje, vivendo a realidade dos grandes festivais e das colaborações (B2B), Lucas celebra o reconhecimento, mas mantém a essência do jovem que produzia no quarto.
Com quase 100 mil ouvintes mensais no Spotify e milhões de plays em suas produções na plataforma, nada como se manter o mesmo para chegar longe. "Se não tivesse nada disso, reconhecimento ou viagens, eu estaria fazendo a mesma coisa. É o que eu mais gosto de fazer na vida”, completa Lucas.

Diversão e Arte
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