O ator brasileiro Wagner Moura afirmou que o filme O Agente Secreto surgiu da perplexidade dele e do diretor Kleber Mendonça Filho diante do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi feita nesta quarta-feira (4/2), durante participação no talk show Jimmy Kimmel Live!, nos Estados Unidos, poucos dias antes da cerimônia do Oscar, marcada para 15 de março.
Indicado ao prêmio de melhor ator pelo longa, Moura disse que a produção foi diretamente influenciada pelo contexto político recente do Brasil. “Esse filme não teria acontecido se não fosse por causa dele”, afirmou o ator, em referência a Bolsonaro.
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Segundo Moura, a ideia seria adaptada ao cenário político brasileiro. “Mas o nosso Trump está na prisão”, disse o ator, ao se referir a Bolsonaro como “o Trump brasileiro”. A declaração provocou aplausos da plateia.
Durante a entrevista, Moura comentou que, caso vença o Oscar, cogita repetir um gesto irônico feito por Jimmy Kimmel ao agradecer ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump quando recebeu o Critics Choice Awards de melhor talk show. Na ocasião, o apresentador disse: “Obrigado, Sr. Presidente, por todas as muitas coisas ridículas que você faz a cada dia”.
Durante a conversa, Kimmel perguntou ao ator como ele se sente ao ver o ex-presidente responder judicialmente pela chamada trama golpista. Moura respondeu de forma direta: “É uma sensação boa”.
Política e trajetória até o Oscar
Na entrevista, o ator também relacionou o momento político brasileiro à memória da ditadura militar. Segundo ele, os efeitos desse período ainda estão presentes no país e ajudam a explicar a eleição de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, afirmou que a reação institucional às tentativas de ruptura democrática ocorreu de forma rápida justamente por causa da experiência histórica do Brasil com regimes autoritários.
Moura também comentou as dificuldades enfrentadas para lançar o filme Marighella, dirigido por ele, durante o governo Bolsonaro.
O ator ainda discutiu temas de política internacional com o apresentador, incluindo ameaças tarifárias feitas por Donald Trump contra o Brasil e episódios recentes envolvendo agentes federais de imigração nos Estados Unidos.
“Esse é o país que exporta para o resto do mundo a luta pelos direitos civis?”, questionou Moura, ao mencionar a morte de dois cidadãos americanos a tiros por agentes federais em Minneapolis. “Esse é o país de Martin Luther King?”
A participação no programa também teve momentos mais leves. Kimmel exibiu uma imagem do Carnaval de Olinda em que o ator foi homenageado com um dos tradicionais bonecos gigantes da folia e perguntou se ele havia levado a peça para casa. “Eu levaria para todas as reuniões de família”, brincou Moura.
Esta não foi a primeira participação do brasileiro no programa de Kimmel. Em 2016, ele esteve no talk show para divulgar a série Narcos, na qual interpretou Pablo Escobar, papel que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator em série dramática.
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