
Entre 2015 e 2016, alcançar 1 milhão de visualizações em um vídeo era um feito para poucos. Whindersson Nunes, Felipe Castanhari e Júlio Cocielo são alguns dos nomes que, na época, conseguiram reunir tanta gente em uma só plataforma, como o YouTube. Ainda na infância, no entanto, Felipe Sena, 26 anos, sonhava em poder, quem sabe, viver dessa realidade. Mal sabia ele que, um tempo depois dessa era raiz da internet brasileira, o influenciador seria uma das figuras mais emblemáticas de uma nova geração.
Em entrevista ao Correio, o criador de conteúdo que hoje acumula legiões de seguidores começou sua jornada sem roteiros profissionais, movido apenas pela curiosidade de uma criança que queria imitar os amigos da escola. Hoje, mais conhecido como Pkllipe, ele acumula um público que ultrapassa a casa dos 30 milhões nas redes sociais.
“Quando comecei, amigos de infância simplesmente criaram um canal para gravar Minecraft. Eu nem sabia o que era gravar, mas comecei porque surgiram referências como o Venom Xtreme", conta. O apelido que o acompanha até hoje também nasceu de forma despretensiosa, herança de um nome de usuário criado por um primo para um jogo online. Apesar da timidez, Felipe encontrou na lente da câmera um espaço de liberdade.
Enquanto os amigos desistiam do hobby, ele mergulhou na produção audiovisual de forma autodidata. "Era muito tímido pessoalmente, mas por algum motivo tinha o desejo de continuar falando com a câmera", explica. Esse interesse o levou a produzir "filmes de ação" caseiros com amigos, inspirados em franquias como 007 e Harry Potter, onde aprendeu, por meio de tutoriais no YouTube, a criar efeitos especiais de explosões e luzes.
- Leia também: O tecido da própria história: da faculdade ao empreendedorismo
- Leia também: Do Amazonas ao topo do mundo: a ascensão meteórica do Filho do Piseiro
A virada de chave
O sucesso, porém, não foi imediato. Muito pelo contrário, foram cinco longos anos até a chave virar. Nesse meio tempo, Felipe enfrentou o que define como um período de dificuldades para produzir conteúdo e ganhar cliques por meio dos vídeos. Ao terminar a escola com apenas 7 mil inscritos, o jovem buscou um caminho formal e ingressou na faculdade de produção audiovisual e animação 3D.
"Entrei na faculdade por dois motivos: meus pais queriam me ver formado e eu sabia que precisava de um plano B. Se nada desse certo nos vídeos, eu trabalharia em uma agência ou produtora editando comerciais", revela. A mudança de tom no conteúdo ocorreu no final da graduação, quando PK decidiu trocar as histórias de ação por vídeos mais espontâneos e cômicos, aproveitando-se de sua própria imagem e rotina doméstica.
Com isso, o que começou com danças improvisadas enquanto lavava louça evoluiu para uma dinâmica familiar que conquistou o público. A participação de sua avó, a "nona", tornou-se um marco em sua carreira entre 2017 e 2018. Após o falecimento dela em 2019, sua mãe, ex-professora do ensino fundamental, assumiu o papel de parceira oficial de cena. "Foi orgânico. As pessoas perguntavam se eu a obrigava a aparecer, mas era ela quem pedia para gravar. Hoje ela trabalha exclusivamente comigo", destaca Felipe.
O fenômeno da pandemia
O salto definitivo, enfim, aconteceu. E veio em um dos momentos mais difíceis, não só para Felipe, mas, também, para o mundo inteiro. Confinado por um ano e meio, PK transformou o tempo em produtividade máxima. O resultado foi estatisticamente impressionante: o criador, que iniciou a pandemia com poucos seguidores no TikTok, saiu do período com a marca de 12 milhões de usuários acompanhando seus vídeos.
A saída da "cápsula" da pandemia trouxe para Felipe um choque de realidade. Ao frequentar os primeiros eventos sociais após o isolamento, percebeu que o esforço iniciado em 2012 finalmente havia se materializado em reconhecimento público. "É bizarro, às vezes olho e não faz sentido tanta gente me seguindo", reflete o criador, que hoje soma mais de 22 milhões de seguidores no TikTok e outros 6,8 milhões no Instagram.
Dessa forma, a maturidade digital permitiu que PK retomasse suas antigas "historinhas" de ação, mas agora com o suporte técnico que anos de estudo, sozinho no quarto, lhe proporcionaram. Se na infância os filmes de espionagem eram limitados pela falta de recursos, agora suas produções curtas incluem dinossauros, viagens espaciais e efeitos visuais que rivalizam com grandes estúdios.
Apesar de ser mestre no formato de vídeos curtos (reels e TikTok), PK está pronto para romper a barreira dos 90 segundos. Atendendo aos pedidos constantes de seu público, ele revelou estar em fase de pré-produção de seu primeiro longa-metragem, além de estar treinando bem, como costuma mostrar na internet.
O projeto é ambicioso e conta com uma equipe enxuta, mas altamente técnica. Felipe trabalha ao lado de dois amigos de faculdade. "Tentamos fazer em três pessoas uma produção que pareça ter pelo menos dez. Estamos dando o máximo para entregar algo que o público brasileiro não está acostumado a ver", afirma.
E bom, para além dos trabalhos em frente às câmeras, é fora delas que a vida também tem lhe surpreendido. Há poucas semanas, Felipe anunciou que será pai pela primeira vez, fruto de seu relacionamento com a influenciadora Marcela Chauh. E quem diria que, aquele menino sonhador, talvez entediado dentro de casa, alçaria voos tão grandes na vida. “Sou muito grato por tudo o que construímos. Ainda me esforço da mesma forma que no início.”

Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte