
O público carioca tem a chance de revisitar um dos clássicos contemporâneos mais perturbadores da literatura e do cinema nos palcos. Está em cartaz a peça O talentoso Ripley, com Francisco Paz no papel de Richard Greenleaf — o sofisticado e despreocupado bon vivant que se torna o alvo da obsessão e da cobiça do enigmático Tom Ripley, interpretado por Hugo Bonèmer. E o projeto nasceu de uma descoberta pessoal.
"O talentoso Ripley é um projeto meu. Em 2019, eu estava procurando textos e minha mãe, que é produtora, tinha este texto na biblioteca dela. Quando li a peça, não pensei duas vezes: 'Esse é o projeto que tenho que fazer'. Por tudo que envolve essa história", conta Paz.
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À primeira vista, Richard Greenleaf parece um personagem dos sonhos: alguém que desfruta dos melhores prazeres que a vida pode oferecer, sem aparentes limitações. O próprio ator admite uma pequena identificação inicial com essa faceta do personagem, mas logo faz questão de demarcar as diferenças.
"A parte mais complicada foi encontrar as dores deste homem. A vida que ele leva é uma vida invejada por quase todo mundo. O desafio está em encontrar a humanidade por trás de tantos recursos financeiros e dessa vida sem limites que ele tem", ressalta Paz.
Herdeiro do cinema
A trajetória de Francisco Paz, no entanto, começa muito antes de ele pisar em um palco. Carioca de 33 anos, atua desde os 18 e sua primeira e mais profunda formação aconteceu em uma sala de cinema. Mas não uma qualquer: o cinema de seu pai, em Búzios. "Ele é o realizador do Búzios Cine Festival que acontece há 26 edições na cidade, sendo o evento mais antigo de lá. Dentro do cinema, já fui bilheteiro, porteiro, vendedor de bomboniere, projecionista, técnico de máquinas, programador e gerente. Conheço todas as funções de um cinema", enumera.
"O cinema me formou em todos os sentidos. Minha primeira formação é a sala de cinema. Ele me colocava para ver todo e qualquer tipo de filme desde criança. Os grandes atores como Brando, Pacino, Hoffman, Olivier, Mastroianni, Newman, Depardieu sempre foram figuras carimbadas nas referências em casa. Assim como os grandes diretores. Eu costumo brincar que se não assistisse determinados filmes eu não podia comer sobremesa."
Entre os trabalhos que marcaram sua carreira, Francisco destaca dois em especial. Um deles, argentino, o filme Corazón de Leon, dirigido por Marcos Carnevale, no qual atuaram Guillermo Francella e seus próprios pais (ele assinou a produção executiva). O outro, brasileiro, foi a peça 12 homens e uma sentença.
"Eu era o 13º homem, e poder estar ao lado daquele elenco formado de grandes atores que não saiam do palco em nenhum momento, brincando e jogando, foi realmente espetacular." Também integra seu currículo uma parceria com a cineasta Lúcia Murat no filme O mensageiro e com Breno Silveira na série Um contra todos, da Netflix.

Diversão e Arte
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