Música

Brasília recebe show da banda Fresno neste sábado (25)

Banda de rock Fresno celebra lançamento de Carta de adeus, 11° álbum da carreira, com show inédito na AABB Brasília. Apresentação ocorre neste sábado, às 19h

Fresno apresenta 
novo disco, Carta de adeus, na AABB 
Brasília, hoje -  (crédito: Camila Cornelsen)
Fresno apresenta novo disco, Carta de adeus, na AABB Brasília, hoje - (crédito: Camila Cornelsen)

De forma despretensiosa, a banda de rock Fresno surgiu no ano de 1999, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, a partir de uma reunião de amigos. Lucas Silveira e Gustavo Mantovani, também conhecido como Vavo, se juntaram a outros colegas da escola para tocar versões punk de músicas consagradas, por pura diversão. Passados 27 anos, o grupo, agora também formado pelo baterista pernambucano Thiago Guerra, celebra uma trajetória longeva e bem-sucedida com o lançamento de Carta de adeus, 11° álbum da discografia, que chega às plataformas digitais nesta sexta (24/4).

Ao contrário do que pode sugerir o título do lançamento, a banda, orgulhosa em dizer que nunca passou por hiatos ou términos, não anuncia nenhum tipo de despedida com o novo trabalho. O disco, na verdade, é um adeus a histórias do passado de Lucas, vocalista e compositor do grupo. "Eu procuro sempre trazer questões inquietantes para as músicas que eu escrevo", explica o cantor.

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"A gente é feito das nossas histórias e esse disco é muito sobre as coisas que vivi na minha vida", continua o artista. "Eu escrevo sobre elas justamente para que não sejam um peso lá na frente, e para que eu não traga os meus traumas para o meu futuro", acrescenta. Lucas ressalta que o disco marca o primeiro trabalho do grupo após os três terem se tornado pais: "Eu acho que, com isso, as coisas ficam mais pesadas. E isso tudo vira combustível para escrever sobre".

Com referências musicais que remetem ao rock da década de 1980, Carta de adeus mantém a essência emocore da Fresno. "Eu tenho, como compositor, um olhar que consegue ver especialmente a beleza da melancolia e das histórias tristes, não importa o momento que eu estiver vivendo", observa o vocalista.

No novo disco, a melancolia não vem apenas das composições de Lucas — Carta de adeus traz uma releitura de Pessoa, composição de Dalto que ficou famosa na voz de Marina Lima. A faixa, conhecida pelos repetidos versos de "Mas dói demais sentir", é o primeiro cover que faz parte de um álbum da Fresno.

A ideia surgiu no carnaval do ano passado, enquanto o vocalista compilava "as músicas mais lindas que a Fresno poderia vir um dia a regravar". "Eu comecei a apresentar para os guris faixas que já são unanimidades entre nós, que gostamos muito. E Pessoa estava ali, no meio de outras cinco que eu tinha começado a rascunhar. E, a partir desse momento, ela começou a se misturar com o álbum que estava sendo feito", relata o artista.

"O disco já demonstrava ter um pouco essa cara de anos 1980, que permeia várias faixas. Então, ter Pessoa, que é totalmente dessa época, no repertório, fez muito sentido", defende. "E é muito legal quando pessoas que não conhecem a música acham que ela é nossa. O cara que mixou o álbum falou para mim que era a melhor do projeto, justamente a que eu não escrevi", ri o cantor.

Histórias de sucesso

Rumo a três décadas de carreira, a Fresno continua conquistando o público cativo com novidades frequentes — a banda nunca ficou mais de quatro anos sem lançar um álbum de inéditas, por exemplo. "Quando a gente faz um show de estreia de um disco e só toca oito músicas novas, a repercussão é sempre: 'Por que vocês não tocam as outras duas que faltam?'. A galera quer escutar nosso material novo, sem perder a vontade de ouvir as antigas também", celebra o guitarrista Vavo.

Por isso, a Fresno inaugura a turnê Carta de adeus com apresentação inédita na capital federal. Neste sábado, o grupo toca o álbum na íntegra no clube AABB, seguido dos principais sucessos da banda. "Temos uma história bem longa com Brasília. Passamos pela cidade com quase todas as nossas turnês", recorda Lucas.

Confiante no novo material, o trio qualifica o novo álbum como o melhor do grupo. "Tu não vê bandas com o tempo de estrada da nossa tão animadas sobre o trabalho atual, como a gente. Tu não vê uma banda de 30 anos dizer: 'A música que eu escrevi ontem é a melhor que eu já fiz'. Mas eu me vejo constantemente assim com a Fresno, sem ver a hora dos fãs ouvirem nossos lançamentos", afirma o vocalista.

Para Guerra, a matemática por trás de tal satisfação dos integrantes é fruto da constância da Fresno. "A gente se manteve muito relevante na nossa carreira por conta da nossa liberdade. Uma banda que estoura absurdamente e fica presa em um hit só, acaba se auto-copiando nos próximos trabalhos, porque sofreu um impacto gigantesco daquela primeira música", analisa o baterista.

"O sucesso que muda a tua vida do dia para a noite é muito aprisionador", concorda Lucas. "A gente não teve isso, nada nosso foi de uma hora para outra, então nunca tivemos aquele sentimento que iríamos perder tudo", assegura o cantor. "O sucesso, para mim, é medido pela quantidade de pessoas que saem de casa para ouvir nossas músicas ao vivo", avalia.

"Isso não é algo que se mede com ouvintes mensais (nas plataformas digitais). E, cada vez mais, eu percebo que nosso público fiel, que vai aos shows e consome os discos novos, está cada vez maior e mais heterogêneo, com pessoas de idades diferentes que começaram a acompanhar a banda em épocas distintas", acrescenta o artista.

Não foi sempre, porém, que a Fresno agradou a diferentes tipos de público. Em 2010, o grupo foi convidado a abrir os shows do Bon Jovi no Brasil — escolha que, segundo eles, foi feita pelos próprios norte-americanos — e foi recebida com uma vaia coletiva do público. "Sempre rolavam episódios que faziam com que a gente sentisse que precisava virar uma banda muito boa na base da pressão. Outro clássico que acontecia era alguém falando: 'Quero ver vocês tocarem depois do Charlie Brown Jr'.", relata o cantor.

A partir dos episódios, a banda passou a sentir a necessidade de "se garantir no palco e não deixar a peteca cair nunca". "E, agora, lançando nosso 11° disco, ainda temos o que melhorar", admite Lucas. "É infinita essa melhora, e ela nunca acontece de forma desesperada, vem sempre de dentro e acontece com calma", reflete o compositor. "E tocar depois do Charlie Brown Jr. é sempre difícil, mesmo sem o Chorão. Não dá para empilhar aquela quantidade de hits, temos que ganhar a galera por outros de outras formas", brinca.

Fresno em Brasília

Hoje, às 19h, no Clube AABB Brasilia. Ingressos podem ser adquiridos na plataforma digital Articket,

a partir de R$ 120 (meia-entrada)

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postado em 25/04/2026 11:50
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