Música

Guilherme Arantes comemora 50 anos de carreira com show em Brasília neste sábado (23/5)

Guilherme Arantes apresenta turnê '50 Anos-Luz', no Centro Ulysses Guimarães, para celebrar 50 anos de carreira

Guilherme Arantes -  (crédito: Divulgação)
Guilherme Arantes - (crédito: Divulgação)

Nas cinco décadas de carreira, Guilherme Arantes passou pelo que chama de "um exercício constante de adaptação e sobrevivência trabalhosa" frente às mudanças tecnológicas, culturais e sociais. Mesmo assim, com um estilo definido e grande acervo artístico, conseguiu realizar o sonho que tinha desde menino: aprimorar a produção criativa. 

Para comemorar o jubileu de ouro profissional, Arantes lançou a turnê 50 Anos-Luz, que chega a Brasília neste sábado, às 21h, no Ulysses Centro de Convenções. Planeta água, Cheia de charme, Um dia, um adeus e Meu mundo e nada mais são algumas das canções incluídas na apresentação, que, para o cantor, "precisa priorizar, no repertório, as referências e as preferências mais recorrentes nas memórias de época, jamais negligenciar as expectativas de quem vem conferir uma trajetória." Os ingressos custam a partir de R$85 e estão à venda no site Ticketmaster.

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Em entrevista ao Correio, Guilherme Arantes reflete sobre os 50 anos de carreira, as mudanças enfrentadas pela indústria musical brasileira e como pôde manter a identidade como artista durante a trajetória profissional. 

Entrevista // Guilherme Arantes

Como você acha que pôde se manter focado no seu trabalho como compositor durante as várias fases da sua trajetória musical? 

Esse é o meu núcleo básico na vida, sim. Consegui realizar exatamente esse meu sonho desde menino, de aprimorar essa artesania criativa, seguindo o exemplo dos grandes mestres, como Tom, Caymmi, Vinicius, Chico, Milton, Francis Hime, Caetano, Gil, Taiguara,  Belchior, toda a incrível gama de colegas dessa arte única.

Como a sua maneira de encarar a produção artística mudou durante a carreira? 

Tem sido um exercício constante de adaptação e sobrevivência trabalhosa, diante das mudanças tecnológicas, das dinâmicas sociais e de costumes, evolução e involução cultural, revoluções nos meios de comunicação, indústria de entretenimento. 

Uma loucura completa para acompanhar a dinâmica e a velocidade volátil do mundo, mas eu acho fascinante todo esse desafio, por ter um acervo considerável de conteúdos duráveis e resilientes numa nova era de disponibilização instantânea, de poder contar com um repertório, um conceito, um estilo definido e inconfundível, uma pessoalidade meticulosamente construída ao longo de cinco décadas. Então, passa a ser um privilégio total ocupar um espaço tão qualificado e nobre, para um público de intelecção e gostos tão diferenciados. É maravilhosa a resposta que a gente consegue usufruir, toda a emoção que se manifesta nesta turnê acaba sendo muito gratificante. 

Como juntar cinco décadas em apenas um show? 

A gente, em primeiro lugar, precisa priorizar, no repertório, as referências e as preferências mais recorrentes nas memórias de época, jamais negligenciar as expectativas de quem vem conferir uma trajetória. Então, há que apresentar todos os temas de sucesso, várias outras pérolas-de-estilo, pedras laterais na pirâmide da carreira, alguns lados-B mais marcantes e uma amostra do novo trabalho, sempre dosando o ritmo do show para um voo seguro até a festa comemorativa de um gran-finale em alta octanagem. 

É como um avião que temos que decolar, sobrevoar e pousar em absoluta segurança de satisfação. É um compromisso de fidelização.

O que te levou a escrever Planeta água? E como você acha que ela conversa com os dias de hoje?

Na verdade, era uma ode ao elemento-chave da cultura Tupi Guarani, da América do Sul. Eu parti de uma encomenda do produtor Marco Mazzola para o Ney Matogrosso, que iria fazer um disco sobre a Amazônia. Então, era sobre a abundância desse elemento "água". Depois, foi ganhando outros significados, com a escalada da questão ambiental coincidindo com a repercussão da música, uma convergência interessante.

Como você vê a grande indústria da música no Brasil atualmente? 

Não é um aspecto apenas brasileiro, o fato de a tecnologia impactar diretamente a cultura. Realmente, tudo mudou e o mundo está de cabeça para baixo com o advento do digital e a malha das redes capturando todos os conteúdos. Mas há alguns pontos positivos para quem produz e sempre produziu conteúdo cumulativo, como somos nós compositores, porque a disponibilização instantânea, "orgânica", cria uma perspectiva de distribuição que não existia anteriormente, tudo dependia da curadoria da indústria, e isso foi abolido. 

A questão agora é que essa distribuição imediata também favorece, em especial, a fabricação da porcariada. O futuro da qualidade é claramente se tornar "nichada", não existir mais para todos. 

Como você vê a sua influência nas novas gerações artísticas do Brasil?

Afortunadamente, tenho capilaridade e penetração em novas gerações, e o conflito de gerações, no meu caso, como de alguns outros da minha geração, não afeta diretamente, devido ao conteúdo das letras e canções ser aberto, e não exatamente uma moda de época. 

Como você articulou uma música que é sofisticada, mas ainda tem apelo popular?

Ah, isso é uma especialidade que eu absorvi dos grandes mestres que tocavam na vitrola do meu pai. Caymmi, Tom Jobim, Vinicius, Chico, Gil, Caetano, Vandré, Taiguara e Edu Lobo, e também os discos nas vitrolas dos colegas de ginásio e colegial, como Beatles, Stones, Led Zeppelin, The Who, Elton, e todo o pop mundial que nos banhou pelas décadas seguintes. É uma formação muito diversificada do apogeu da indústria fonográfica. Com essa amostragem, fica fácil explicar como é esse caminho, um privilégio que eu também usufruí.

Quais são seus planos para o futuro?

Durar. Principalmente no coração, na alma das pessoas, como um mensageiro interdimensional, mesmo!

Serviço

50 Anos-Luz

Neste sábado (23/5), às 21h, no Ulysses Centro de Convenções. Ingressos: R$85 (meia), à venda no site Ticketmaster.

 

*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco

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postado em 20/05/2026 06:00 / atualizado em 20/05/2026 12:57
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