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Vinícius Teixeira, de "Três Graças", estreia temporada de peça sobre solidão LGBT

Ator carioca — gay assumido — pretende usar a popularidade do "bandivo" Vandilson da novela das 21h para levar o público da tevê aberta a refletir os dilemas da comunidade LGBTQIAPN+ na peça "Selva:Solidão", que reestreia no Rio de Janeiro

Vinicius Teixeira, ator -  (crédito: Rafael Oliveira)
Vinicius Teixeira, ator - (crédito: Rafael Oliveira)

Após o fim da novela Três Graças, onde interpretou o personagem Vandilson, Vinícius Teixeira retorna aos palcos com o seu solo Selva: solidão. No monólogo, de autoria de Jefferson Almeida e do próprio ator, Vinícius dá vida a três personagens buscando provocar reflexões sobre a solidão LGBTQIAPN+. A produção é da A Marica Latina e faz temporada no Teatro Glaucio Gill, Copacabana (RJ), de 4 a 26 de junho, com sessões às quintas e sextas às 20h.

“Estou muito animado em trazer mais essa temporada aos palcos. A novela me proporcionou novos aprendizados e expandiu minhas ferramentas”, afirma o ator de 34 anos, que protagonizou o filme O melhor amigo, de Allan Deberton, ao lado de Gabriel Fuentes. “Com essa nova experiência na bagagem, acho que coisas novas podem surgir nas minúcias da minha interpretação na peça. Além disso, o horário nobre da televisão é muito visto, isso expande muito a visibilidade do meu trabalho", diz ele sobre a expectativa da nova temporada, empolgado de pensar que, depois da novela, mais pessoas possam assistir e ter acesso às questões e reflexões que a peça levanta.

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Na peça, Vinícius vive três personagens: Jonathan, um atendente de fast food; Luiz Felipe, um garoto de programa; e Antônio, um professor universitário aposentado — três homens gays que têm suas vidas cruzadas. Através dos desenvolvimentos de suas trajetórias e das relações que se estabelecem entre eles, Selva: Solidão convida o público a refletir sobre os efeitos de se crescer como uma pessoa LGBTQIAPN+ em um mundo heteronormativo, e sobre o constante sentimento de solidão presente na comunidade.

Sem medo de se assumir

Em entrevista recente ao podcast Entretêcast, o ator reforçou sua orientação sexual e, embora tenha refletido sobre possíveis impactos na carreira, jamais considerou esconder quem é. Ao Correio, Vinicius comentou a repercussão da declaração. "É claro que esse medo passa pela cabeça de qualquer pessoa LGBT que vai se assumir e que trabalha com atuação, porque existe um imaginário — e, na realidade, é um fato: isso acontece até hoje. Pessoas LGBTs perdem o emprego quando se assumem, atores e atrizes que não conseguiram mais trabalhar, que tiveram suas carreiras estagnadas por causa disso", disse.

  • Vinicius Teixeira, ator
    Vinicius Teixeira, ator Rafael Oliveira
  • Vinicius Teixeira, ator
    Vinicius Teixeira, ator Pascal Hass

 

Esse medo, porém, nunca paralisou o artista. "Isso nunca me impediu de falar que sou gay, que sou quem eu sou. Eu não faria isso — não consigo me imaginar vivendo escondido, não é uma possibilidade para mim", continuou. Ele ainda destacou a repercussão positiva de sua fala: "Vi que repercutiu muito, muitos comentários muito legais. Percebo como é importante para que outros atores, outras atrizes, outras pessoas LGBT que trabalham com atuação possam também falar sobre isso. O que tem que mudar é o mercado, a forma como as pessoas que estão no mercado pensam, e não a gente. A gente não tem que se esconder, não tem que ter medo. O mercado que tem que mudar".

Para Vinícius, é preciso uma postura mais ativa. "A gente precisa começar a ter uma postura mais ativa e falar sobre isso, porque senão vamos continuar no mesmo lugar. Temos que dar a cara a tapa para que daqui a dez anos as coisas sejam um pouco melhores do que são hoje, assim como hoje já são um pouco melhores do que há 10 anos", defendeu.

Ele reforçou a importância de falar abertamente: "Tanto para mexer com o mercado — dizer: 'Ei, a gente não vai mais aceitar que as coisas funcionem como funcionavam antigamente' — quanto para que as pessoas LGBTs possam ter coragem, tranquilidade de viver suas vidas, ser quem são, sem medo, sem que isso gere falta de emprego no mercado do audiovisual e do teatro".

Por fim, o ator ressaltou o papel de quem tem visibilidade. "Uma pessoa que tem visibilidade, que consegue ter um alcance maior, acho que inspira muitas pessoas a se sentirem mais confortáveis, corajosas, confiantes em não se esconderem. É criar um lugar de segurança", concluiu.

  • Vinicius Teixeira e Lucas Righi em
    Vinicius Teixeira e Lucas Righi em "Três Graças" Globo/Divulgação
  •  Vinicius Teixeira e Gabriel Fuentes em cena de
    Vinicius Teixeira e Gabriel Fuentes em cena de "O melhor amigo" Divulgação
  • "Selva: Solidão": monólogo escrito por Jefferson Almeida e Vinicius Teixeira (foto) Paulo Aragon/Divulgação

Visibilidade às causas LGBTQIAPN+

Vinícius espera que o público que acompanhou a história de seu personagem e da trama das 21h queira conhecer mais da história de Selva: solidão. “Uma das coisas que mais tem me empolgado nesse retorno da peça pós-novela é justamente isso. Meu personagem em Três Graças tinha uma personalidade totalmente diferente das dos três que interpreto na peça. É muito interessante ter a possibilidade de mostrar essa versatilidade e esse outro lado do meu trabalho”, afirma ele sobre o trabalho bem diferente do feito na TV.

“Sinto que é de extrema importância colocar dramaturgias originais escritas e pensadas por pessoas LGBTQIAPN+ nos teatros, nos palcos, nos livros, enfim, em toda a parte”, ressalta Vinícius. “Sinto que estamos num momento, inclusive, em que as questões da nossa comunidade podem e precisam ser aprofundadas nesses projetos e discursos", celebra o ator.

Ele reforça que ainda vivemos em um país que mais mata pessoas LGBTQ+ por 14 anos seguidos e que, por isso, ainda são necessários projetos que falem sobre as descobertas relacionadas à sexualidade e às questões de gênero. "Mas percebo que existe, também, uma necessidade de cavar mais fundo e falar sobre todas as complexidades das vivências de pessoas da comunidade — como solidão, etarismo, afeto, relação com o corpo, sexo, ansiedade, depressão, abandono, abuso de drogas e muitas outras”, completa.

Sem sair dos palcos, após Selva: solidão, o ator estará na montagem de Beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues, ao lado de Eduardo Sterblich, Luísa Arraes, Ernani Moraes e André Mattos. Além disso, Vinicius aguarda o lançamento de Corpo clandestino, como o antagonista, Augusto. Ele também está na pós-produção de um filme autoral, em parceria com o amigo Caio Scot. "Ele se chama Sangre e pretendemos rodar festivais”, adianta.

Os ingressos para a nova temporada de Selva: Solidão podem ser adquiridos aqui.

 

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postado em 03/06/2026 19:19
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