Artes Cênicas

"Se eu não fosse ator, eu seria ator": a despedida de Gê Martu

Brasília se despediu, nesta segunda-feira (15/6), de um de seus maiores nomes das artes cênicas. O velório de Gê Martu, realizado no Cine Brasília, reuniu familiares, amigos, artistas e alunos que passaram pelo local ao longo da tarde para prestar suas últimas homenagens

Velório ocorreu no Cine Brasília, das 13h às 17h -  (crédito: Eduarda Brandão/Correio Braziliense)
Velório ocorreu no Cine Brasília, das 13h às 17h - (crédito: Eduarda Brandão/Correio Braziliense)

“Hoje nós temos aqui uma estrela que agora brilhará no céu, e essa estrela se chama Gê Martú. Para ele, palmas, palmas, palmas que não vão parar." Foi com essa fala de Lydia Garcia que os aplausos tomaram conta do Cine Brasília e abriram a cerimônia de despedida do artista. O velório começou às 13h e terminou às 17h. Entre os presentes, grandes nomes da cena teatral e cultural do DF prestaram homenagens a Gê Martu e condolências à sua filha, Luciana Martuchelli.  

O clima foi de emoção, mas também de celebração por uma trajetória que atravessou mais de sete décadas dedicadas ao teatro, ao cinema e à formação de artistas. Lydia Garcia, pioneira da educação em Brasília, e Bruno Fatumbi Torres, cineasta, ator e diretor de cinema, estiveram presentes e destacaram não apenas o talento de Gê Martu, mas também a generosidade e o compromisso com a cena cultural do Distrito Federal. 

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“Quando se fala em educação, se fala nas artes cênicas. Gê Martu marcou a história dessa cidade com todo seu trabalho de teatro e formação de atores”, ressalta Lydia. 

Bruno Fatumbi conta que desde o primeiro trabalho realizado junto a Gê Martu, no filme No Coração dos Deuses, presenciou de perto a maestria do ator: “Eu tenho muitas lembranças do Gê Martu como um mestre-professor durante todo esse processo para mim. Sempre muito generoso e leve. O legado mais importante para mim é o da generosidade que ele conseguia passar para as pessoas.”

A filha de Gê, a atriz Luciana Martuchelli, recebeu amigos e colegas ao longo da cerimônia e destacou que o legado do pai vai além dos mais de 70 anos dedicados à arte. “A obra do meu pai tem dois espaços. Ela está na cena do teatro e do cinema, com excelência, obsessão e paixão. Mas existe também a obra pessoal dele, a forma como ele tratava as pessoas”, afirmou.

Luciana lembrou que Gê costumava dizer “Se eu não fosse ator, eu seria ator”, frase que traduz sua dedicação ao ofício iniciado aos 13 anos de idade. Segundo ela, o pai nunca fazia distinção entre trabalhos grandes ou pequenos, porque todos tinham a mesma importância.

Ao Correio, Luciana Martuchelli contou uma história que descreve bem o pai. “Ele ia fazer um curta-metragem de estudantes gratuito, para ajudar. Nesse mesmo período, ele foi chamado para fazer uma participação em uma novela da Globo e batia no mesmo dia da filmagem dos estudantes. Aí ele falou para o pessoal da novela: ‘Ó, esse dia eu não posso, eu já tenho um compromisso”. E aí disseram: ‘Gê, são só estudantes’. Mas ele afirmou ser o compromisso que tinha”, conta Luciana. 

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Apesar de viver em home care há uma década, o artista permaneceu ativo até seus últimos meses em vida. Além de gravar longas, curtas e locuções, Gê Martu assumiu, pela primeira vez, a direção de um espetáculo criado por Luciana, chamado Memorário, previsto para estrear em novembro.

“Ele estava me dirigindo até esse momento, pela primeira vez. Eu já dirigi meu pai várias vezes em cena, já dirigi a minha mãe, mas nunca tinha sido dirigida por ele. Ele não vai terminar o espetáculo, mas eu vou terminar mesmo assim com a direção dele”, conclui.

Ao meio da cerimônia, o microfone foi aberto para todos que queriam prestar alguma forma de homenagem, seja oral, cantada, poética ou instrumental, transformando o luto em um grande tributo coletivo. Como lembraram os presentes durante a homenagem, estrelas como Gê Martu não se apagam, apenas passam a brilhar em outro lugar.

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postado em 15/06/2026 17:42
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