
Na quinta-feira (2/7), a influenciadora Virgínia lançou mais um controverso projeto: uma ferramenta de inteligência artificial (IA) baseada na própria personalidade. A ideia é que os fãs possam interagir com uma versão digital da empresária. A ideia parece inovadora, mas já é conhecida no mundo dos animes: em 1998, Serial Experiments Lain imaginou o que seriam as fronteiras existenciais de uma identidade dividida entre o online e o offline.
Longe de ser uma celebridade do mundo virtual, a protagonista da série japonesa Lain Iwakura é uma tímida estudante adolescente fascinada por tecnologia. Ao lado de um pequeno grupo de amigas, a jovem vive uma vida comum que é interrompida pela morte de uma colega de escola, Chisa Yomoda.
No dia seguinte, os demais estudantes passam a receber e-mails obscuros afirmando que Chisa na verdade não está realmente morta, apenas teve a consciência transferida para uma rede virtual chamada Wired.
Simultaneamente, Lain é presenteada pelos pais com um moderno computador que permite o acesso da Wired, uma espécie de internet expandida. O crescente interesse da jovem pela tecnologia e a descoberta de um universo online onisciente e onipresente que replica personalidades de pessoas reais transforma a vida da personagem em uma trama repleta de mistérios.
Dirigido por Ryutaro Nakamura, Serial Experiments Lain lança a pergunta que se tornaria cada vez mais urgente décadas depois: e se a nossa personalidade fosse dividida entre uma versão virtual e a real?
Ao longo de 13 episódios, Lain Iwakura se vê mergulhada em questões existenciais que nascem da presença online de uma outra Lain cuja personalidade se torna o completo oposto da sua, criando atritos entre amigos e família.
As ferramentas de IA só se tornaram uma realidade quase trinta anos após o lançamento do anime, mas casos como o de Virgínia trazem à tona questionamentos sobre como os ambientes virtuais transformaram nossas personalidades e a forma com que interagimos com o mundo.
Resta saber como a influenciadora brasileira e os fãs vão lidar com a personalidade da IA e as implicações do mundo virtual. O serviço custa R$ 89,90 mensais e é desenvolvido pela plataforma Versio. Ao apresentar a ferramenta, Virgínia garantiu que as respostas apresentadas são idênticas às que ela mesma daria aos fãs.
Legado
No Japão, Serial Experiments foi exibido pela TV Tokyo. Já os fãs brasileiros tiveram de esperar até 2004, quando o anime estreou no canal de assinatura Locomotion. No ano seguinte, foi a vez do canal Animax exibir a obra.
A série também rendeu um jogo para Playstation 1, lançado no mesmo ano do anime pela Pioneer LDC. O enredo dos games segue um caminho diferente da animação, apresentando um novo caminho para a história de Lain.
Se na época do lançamento, o anime foi visto como “complexo demais” para o público geral, os temas filosóficos da trama fizeram com que Serial Experiments se tornasse um clássico cult, antecipando discussões contemporâneas.
Sucesso no Tiktok
Quem já assistiu Serial Experiments Lain pode ter se perdido em meio a trama, mas com certeza lembra da trilha sonora. A música Duvet, que abre os episódios, se tornou uma das mais memoráveis do mundo dos animes e, com os virais do Tiktok, ajudaram a reviver a banda britânica Bôa, responsável pelo hit.
A faixa, também conhecida como And you don’t seem to understand, chegou ao 13º lugar das músicas mais utilizadas na plataforma e já acumula milhões de streams no Spotify. Com o sucesso, o grupo ganhou um novo público e voltou aos palcos, chegando a se apresentar no Brasil em 2025.
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