
O trio brasiliense Rabanadas inicia os preparativos para um novo EP com o lançamento do single Polipropileno blues, marcado para 20 de agosto. A faixa bem humorada traz o estilo garage rock e as reflexões ácidas sobre angústias do cotidiano já conhecidos em trabalhos anteriores da banda, que completa dez anos em 2026.
“Microplásticos dentro do ouvido / no fundo do mar e no meu umbigo / em todo lugar, eles vão comigo”, diz a letra cantada por Stêvz (guitarra) e Clara do Prado (bateria), acompanhados por Pâncreas (baixo).
O tal polipropileno, que dá nome ao single, é um dos tipos de plástico mais produzidos no mundo. Utilizado desde embalagens de alimentos até móveis e peças automotivas, o termoplástico é conhecido pela resistência a produtos químicos. "São polímeros quase indestrutíveis / Mesmo inúmeros, imperceptíveis ", descreve a letra.
O tema pode até parecer inusitado, mas não na carreira dos Rabanadas, cujas influências vão dos conterrâneos Little Quail and the Mad Birds até norte-americanos Thee Oh Sees. No hit indie Eu não preciso de vocês, lançado em 2017, a banda já enumerava diversos compostos químicos utilizados em alimentos ultraprocessados, quase como uma tabela periódica.
Polipropileno blues segue a musicalidade de lançamentos anteriores, com harmonias vocais que parecem ter saído diretamente de vinhetas de desenhos animados antigos, acompanhadas pelo som distorcido e lo-fi do grupo.
O single faz parte do novo EP que está marcado para setembro, pelo selo Chupa Manga Records. A arte da capa, bem como a produção, são assinadas pelo guitarrista Stêvz. A partir de 20 de agosto, a faixa estará disponível em todos as plataformas de streaming.
Ao Correio, Stêvz e Clara do Prado falam sobre o lançamento.
Essa nova faixa fala sobre micro plásticos e vocês já tem uma música sobre produtos tóxicos em alimentos. De onde vem a ideia de cantar sobre esses temas? O Rabanadas nutre uma ansiedade com a alimentação dos nossos tempos?
É impossível não ter ansiedade no capitalismo tardio. A alimentação acaba sendo um assunto caro à banda, a começar pelo nome. Todo mundo precisa comer, e isso não deveria ser comodificado a ponto de adoecer a população. Os temas das músicas geralmente giram sobre essas e outras mazelas cotidianas que todos conhecemos: ultraprocessados, agrotóxicos, expedientes abusivos, excesso de publicidade, redes sociais, mas sempre com senso de humor.
O que vocês já podem adiantar sobre o novo EP, além do single?
O novo EP tem 6 músicas em 15 minutos e foi gravado praticamente ao vivo no estúdio, com vozes, percussão e algumas dobras adicionadas em casa depois. A estética é bem DIY (“faça você mesmo”, em inglês). Três das músicas nasceram ainda no início da banda, mas as letras só foram feitas agora. As outras três são recentes, sendo que uma delas tocamos pela primeira vez já gravando.
Com a banda chegando aos dez anos, tem mais coisas novas vindo pra marcar a data esse ano?
Vamos fazer uma apresentação no dia do lançamento do single, 20 de agosto, no Espaço Cult, na 716 norte, com a banda Serpentário, e em uma futura data para o lançamento do EP, que deve receber uma micro-tiragem em vinil. Depois a ideia é tocar por aí para divulgar o trabalho, além de continuar fazendo músicas novas.
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