
Voltar ao teatro no qual nasceu foi motivo de celebração para a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Desde a reinauguração da Sala Martins Pena, a sinfônica voltou a se apresentar na tradicional casa e trocou as terças-feiras, dia fixo de concerto durante mais de duas décadas, pelas quintas-feiras. Amanhã, os músicos sobem ao palco para um repertório dedicado a celebrar o Equador. "A Martins Pena reformada teve um ganho substancial em relação à versão original da sala, a acústica melhorou, a acessibilidade melhorou, muitas coisas ficaram bem melhores para que a orquestra tivesse um resultado aperfeiçoado do trabalho", garante o maestro Claudio Cohen, à frente da formação desde 2011. Foram 10 anos longe do palco tradicional da Sala Villa-Lobos, na qual costumava se apresentar. Durante esse tempo, a Orquestra se apresentou em outros palcos, como o do Teatro Pedro Calmon, Cine Brasília, Museu Nacional da República, Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Teatro Plínio Marcos e Teatro dos Bancários.
Amanhã, o Concerto Equatoriano traz o maestro convidado Davit Harutyunyan com um repertório que tem Andarele — Tradicional afroesmeraldeño, de Gonzalo Benítez, Concerto para violino e orquestra, Piotr Ilyich Tchaikovsky, e as Bachianas nº 7 de Heitor Villa-Lobos.
O solista da noite será o violinista Santy Abril. "A gente passou esses anos buscando repertórios desafiadores e minha maneira de encarar a temporada é trabalhar com a diversidade, porque Brasília é a cidade da diversidade, são mais de 130 embaixadas e pessoas do mundo inteiro. Nossa população pede um pouco dessa diversidade. Então, trabalhamos com repertório diversos", explica o maestro.
Agosto será um mês de concertos das nações. No próximo dia 20, será a vez da Polônia, com o maestro Pawel Przytocki. "Ao longo dos anos, as embaixadas mostram interesse e trazem artistas, então vamos trabalhando essas parcerias no intuito de trazer essa música para população geral e para a orquestra. É muito das oportunidades que vão sendo criadas. Em tempos de orçamentos limitados, as parcerias são fundamentais", diz o maestro. Em 27 de agosto, a orquestra celebra a cantora brasiliense Manuela Korossy, recém-formada em canto lírico na The Julliard School, de Nova York, uma das escolas de música mais importantes dos Estados Unidos. Manuela vai cantar árias de óperas como O Trovador e A força do destino, de Giuseppe Verdi, Madame Butterfly e Manon Lescaut, de Giacomo Puccini, e Carmen, de Georges Bizet. "Manuela é a primeira cantora lírica brasileira formada na Julliard", garante Cohen.
O orçamento é apertado, mas o maestro explica que as condições de trabalho da orquestra melhoraram nos últimos anos. "Houve um avanço significativo do ano passado para cá, porque houve uma negociação onde ganhou novas gratificações e melhorias salariais. Hoje, entendo que nossa orquestra é uma das mais bem pagas do Brasil, uma coisa que a orquestra alcançou e que foi importante", explica o maestro, ao lembrar que os integrantes da sinfônica são servidores públicos regidos pela Lei 8.112/90. A formação conta hoje com 75 músicos, mas a previsão é para 118 profissionais. O último concurso foi realizado em 2014 mas, de lá para cá, muitos integrantes se aposentaram. "A orquestra está bem renovada. Em 2018, contratamos 25 músicos novos, mas muitos estavam na linha da aposentadoria, então ficou elas por elas no fluxo de entrada e saída", diz o maestro. "Tem um concurso em tramitação na Secretaria de Cultura, no qual estariam autorizadas 40 vagas para contratação de músicos. Uma vez realizado esse concurso, a orquestra vai ter um up-grade em nível de excelência bem importante."
No entanto, os cortes no orçamento do Governo do Distrito Federal (GDF) indicam, também, cortes de gastos em áreas como a cultura. No início da semana, a governadora Celina Leão havia declarado o cancelamento do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, embora tenha voltado atrás na noite de segunda-feira. O salário inicial médio para o músico que chega à orquestra por meio do concurso público é, segundo Claudio Cohen, de R$ 20 mil. "O que a gente precisa agora é de orçamentos para ações especiais que são artistas convidados e projetos especiais como óperas, balés", garante.
À frente da OSTNCS há 15 anos, Cohen acredita que é normal a permanência dos regentes por tanto tempo à frente de uma formação. "Isso é muito variável, tem orquestras que os maestros ficam muitas décadas, (Isaac) Karabtchevsky ficou quase 30 anos (à frente da OSB). Isso depende muito porque uma orquestra é um projeto de longo prazo, não de curto prazo, e a troca constante não é boa porque você tem uma linha de trabalho", afirma o regente, que entrou para a sinfônica como violinista em 1979, ano em que Claudio Santoro fundou a OSTNCS.

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