
Uma trajetória que abraça mudanças no mundo por quatro décadas: assim pode ser vista a trajetória do cineasta finlandês Aki Kaurismäki, que ganha retrospectiva no Cine Brasília (EQS 106/107), a partir da sexta (21/8). Sob a perspectiva de respeito ao diretor consagrado por filmes como O homem sem passado (atração das 20h de sábado, 22/8), sobre um interiorano desmemoriado que reelabora sua vida com presença de pessoas em situação de rua, os fãs (e cineastas) Gustavo Galvão e Cristiane Oliveira respondem pela curadoria e produção da mostra, desde sempre, idealizada para estar no chamado templo do cinema local, o Cine Brasília. A jornada pela visão de Aki Kaurismäki vem respaldada por coerente identidade artística, que toca ternura, mesmo em meio a absurdos cômicos e teor de crítica social. Os excluídos habitam a tela, nunca sem a fortuna da solidariedade.
A R$ 10 a entrada inteira, será possível assistir, na sexta, a Hamlet vai à luta (16h) sobre maracutaias dentro de uma empresa familiar de Halmet, relegado ao monopólio da fabricação de patos de borracha. Às 18h, será a vez de Contratei um matador profissional, sobre um solitário e nada funcional homem que pretende interromper a vida, mas é incapaz de fazê-lo. Fazendo jus ao título, Vida boêmia (atração das 20h), mostra um trio de artistas, que bebem em noitada parisiense, em animado papo; são deles um escritor dramático, um pintor albanês ilegal e um compositor de vanguarda. Sábado (às 16h) estará na programação A garota da fábrica de caixa de fósforos, filme de 1990, em que, insatisfeita com a vida junto aos pais, uma moça descobre a gravidez, e comete inesperados atos. às 18h, a atração será Sombras no paraíso.
No domingo, depois de Luzes na escuridão (às 16h), uma dobradinha toma conta do Cine Brasília: Ariel (às 18h), que reflete sobre a demissão de Taisto, cercado por ocasional azar a ser dissipado, e às 20h, Nuvens passageiras, sobre as expectativa que envolve um casal de demitidos. Até quarta, a mostra agrupa outros oito títulos como Folhas de outono, vencedor do Prêmio do Júri, no Festival de Cannes, além de candidato a cinco categorias do European Film Awards, e abrilhantado pelas indicações ao Globo de Ouro de melhor filme internacional e de melhor atriz, Alma Pöysti. Outros destaques são O porto, (Prêmio Fipresci em Cannes) e O outro lado da esperança, vencedor do prêmio de direção no Festival de Berlim.
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Mariana Morais
Cidades DF
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