BIENAL DO LIVRO

Bárbara Carine e Carla Akotirene discutem o antirracismo na Bienal do Livro

Escritoras participam de mesa nesta terça-feira (18/8), às 19h, no Museu Nacional da República, para debater o papel da literatura e das redes sociais na luta contra o racismo

A conversa entre Bárbara Carine e Carla Akotirene ocorre às 19h desta terça-feira (18/8), dentro da programação da 6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília. -  (crédito: Reprodução/Redes Sociais )
A conversa entre Bárbara Carine e Carla Akotirene ocorre às 19h desta terça-feira (18/8), dentro da programação da 6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília. - (crédito: Reprodução/Redes Sociais )

A literatura como ferramenta de transformação social e as redes sociais como espaço de disputa de narrativas são alguns dos temas que estarão no centro da conversa entre as escritoras Bárbara Carine e Carla Akotirene nesta terça-feira (18/8), durante a 6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília. As duas participam, às 19h, da mesa “Leitura que transforma, literatura e antirracismo nas redes sociais”, no Museu Nacional da República.

Com trajetórias ligadas à educação, à produção intelectual e ao debate racial, as escritoras chegam à Bienal para discutir como os livros e o conteúdo produzido no ambiente digital podem ampliar o acesso ao conhecimento e confrontar estruturas racistas. Para Bárbara Carine, a presença de intelectuais negras nas redes também representa uma forma de ocupar espaços historicamente marcados por desigualdades.

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Ao Correio, a escritora disse estar muito feliz com a participação na Bienal e destacou a possibilidade de transformar a experiência virtual das redes em um encontro presencial com leitores. “A rede social é sim um espaço possível da gente estar, da gente existir e por que não cada vez mais ocuparmos esse espaço e contrariarmos as normas implícitas a ele a partir do marcador do racismo”, afirmou Bárbara.

A escritora, que também é educadora, observa que a circulação de conteúdos negros enfrenta obstáculos no ambiente digital. Segundo ela, as próprias ferramentas tecnológicas podem reproduzir desigualdades presentes na sociedade. “Eu olho para a rede social sim com esse entendimento de que o algoritmo é racista, de que a rede social é pensada e projetada por ultraconservadores”, disse.

Para Bárbara, porém, a dificuldade de circulação não deve significar abandono desses espaços. Ela defende que é preciso aprender com as estratégias de resistência construídas historicamente pela população negra. “A gente segue, como a gente sempre seguiu, construindo estratégias de quilombismo e de produção de novas perspectivas de vida, a partir da nossa resistência”, afirmou.

Literatura, educação e novas narrativas

A mesa também será uma oportunidade para Bárbara apresentar ao público parte da produção que vem desenvolvendo em torno da educação antirracista. Entre as obras que estarão no debate estão Como ser um educador antirracista, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Educação em 2024, e o novo livro O Velho Mundo Egito Negro nas escolas, que atualmente, está em fase de pré-lançamento.

A autora explica que a nova obra busca ampliar as perspectivas sobre a história e a presença negra na formação do conhecimento. O livro, segundo ela, não é voltado apenas para educadores, mas também para leitores interessados em história, egiptologia e na descolonização do conhecimento. “Olhe para o poder negro, olhe para o poder indígena ancestral e você vai conseguir enxergar potencialidade negra e indígena na contemporaneidade”, afirmou.

Ela também celebrou a oportunidade de dividir a mesa com Carla Akotirene, intelectual baiana que considera uma referência contemporânea na discussão racial.

Carla Akotirene: redes sociais como “sala de aula estendida”

Para Carla Akotirene, a mesa representa também a valorização da produção intelectual negra do Nordeste. Baiana, ela ressalta a importância de compartilhar o palco com Bárbara Carine, também baiana, e chama atenção para a circulação de conhecimentos que as redes sociais possibilitam.

Ao Correio, Carla afirmou que a internet se tornou um recurso importante para “circular, difundir e produzir letrado antirracista”. Na avaliação da escritora, porém, o debate sobre racismo não pode ficar restrito às manifestações individuais que costumam gerar maior repercussão nas redes.

Ela pretende levar à mesa questões relacionadas ao racismo estrutural e institucional, especialmente nas áreas de saúde e segurança pública. “A rede social trabalha muito numa dimensão de racismo individual. Então, praticamente, para a gente ser visibilizada, a gente tem que sofrer racismo para passar a existir”, afirmou.

Carla defende que conteúdos antirracistas também precisam abordar situações menos visíveis no ambiente digital, como o racismo presente em instituições e políticas públicas. Para ela, esse processo de produção e circulação de conhecimento cria uma espécie de extensão da educação para além da escola. “Quem grava conteúdo, quem produz conteúdo, faz da audiência uma sala de aula estendida”, disse.

A escritora também considera que a presença de intelectuais negras nas redes ajuda a criar uma espécie de contraponto às narrativas dominantes. “O impacto é o efeito de contra-hegemonizar. Se existe uma hegemonia, existe agora uma contra-hegemonia”, afirmou.

Antirracismo para além das redes

Outro conceito que Carla pretende abordar é o da interseccionalidade. Para ela, raça não pode ser analisada de maneira isolada de questões como gênero, classe e sexualidade. “Raça não é isolada de gênero, nem de classe, nem de sexualidade. Essas categorias se articulam”, explicou.

A escritora avalia que discutir o racismo exige observar como diferentes formas de desigualdade se cruzam e produzem experiências distintas para a população negra. Bárbara também vê a Bienal como uma oportunidade de aproximar literatura, educação e debate social. Para ela, apesar das dificuldades enfrentadas por pessoas negras nas plataformas digitais, a ocupação desses espaços pode contribuir para a formação de novos leitores e intelectuais. “A rede social é sim um espaço possível da gente estar, da gente existir”, reforçou.

Carla também irá lançar um livro durante a Bienal, só que a de São Paulo, que ocorre de 4 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi. A Obra se chama Amor Preto — Escrevivências sobre racismo e interseccionalidades. 

A conversa entre Bárbara Carine e Carla Akotirene ocorre às 19h desta terça-feira (18/8), na 6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília, que acontece no Museu Nacional da República. 

6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília

Realizada de 17 a 23 de agosto de 2026, a Bienal ocupa o Museu Nacional da República com uma programação gratuita que reúne literatura, cultura e economia criativa. O evento conta com autores, lançamentos, debates, sessões de autógrafos, música, histórias em quadrinhos, oficinas, teatro infantil, exposições e atividades voltadas ao público infantil.

A programação é destinada a diferentes faixas etárias e busca aproximar o público dos livros e de diferentes manifestações culturais.

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postado em 18/08/2026 15:24 / atualizado em 19/08/2026 11:38
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